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29 de outubro de 2012

Ibama realizará concurso público para provimento de 108 vagas para o cargo de analista ambiental

Ibama

O órgão oferece vagas no Distrito Federal e no estado do Rio de Janeiro. A remuneração é de R$ 5.441,24 para uma jornada de 40 horas semanais
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) lançou concurso público para o cargo de Analista Ambiental, de nível superior. O órgão visa o preenchimento de 108 vagas, das quais oito são reservadas aos candidatos deficientes. A lotação dos aprovados será na Administração Central e nas unidades do Ibama no Distrito Federal e no estado do Rio de Janeiro. A remuneração oferecida é de R$ 5.441,24 para uma jornada de 40 horas semanais.
Os candidatos devem possuir diploma de graduação em qualquer área de formação. As vagas estão distribuídas por temas: 60 para Licenciamento Ambiental, 27 para Monitoramento, Regulação, Controle, Fiscalização e Auditoria Ambiental e 21 para Gestão, Proteção e Controle da Qualidade Ambiental.
As inscrições poderão ser feitas entre os dias 5 e 26 de novembro, por meio do sitewww.cespe.unb.br/concursos/ibama_12_analista_ambiental. A taxa de inscrição é R$ 75,00. Os candidatos deverão optar, no momento da inscrição, por um tema para o qual vai concorrer e uma cidade de prova.
O Cespe/UnB será responsável pela aplicação das provas objetivas e da prova discursiva da seleção, que estão previstas para 20 de janeiro, no Distrito Federal e na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Os candidatos aprovados no concurso, convocados para a posse e que entrarem em exercício participarão de Curso de Ambientação.
SERVIÇO
Concurso: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
Cargo: Analista Ambiental
Vagas: 108, das quais oito são reservadas a candidatos deficientes
Remuneração: R$ 5.441,24
Inscrições: de 5 a 26 de novembro
Taxa: R$ 75,00
Provas objetivas e prova discursiva: 20 de janeiro de 2013
CONTATO
Outras informações no site www.cespe.unb.br/concursos/ibama_12_analista_ambientalou na Central de Atendimento do Cespe/UnB, de segunda a sexta, das 8h às 19h – Campus Universitário Darcy Ribeiro, Sede do Cespe/UnB – (61) 3448 0100.
EcoDebate, 29/10/2012

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ECONOMISTA AMBIENTAL PROFª AMYRA EL KHALILI NO 32º FÓRUM DE DEBATES BRASILIANAS.ORG "A ECONOMIA VERDE"



2200- Agenda Pós RIO+20
Aliança RECOs
Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras


Prezada Amyra El Khalili,
É com grande satisfação que transmito o convite do jornalista Luís Nassif para que participe do primeiro painel do 32º Fórum de Debates Brasilianas.Org  cujo tema é “A Economia Verde" a ser realizado no dia 29 de Outubro, de 2012, em São Paulo.
O 32º Fórum de Debates Brasilianas.org terá a participação de importantes especialistas sobre o tema para debater questões como: conciliar desenvolvimento com preservação; o tripe da sustentabilidade e subsídios e leis para o desenvolvimento da sustentabilidade na economia.
Lembrando que a Agência Dinheiro Vivo possui mais de seis anos de experiência na organização de Fóruns de Debate e se consolidou no meio político, acadêmico e empresarial como um importante veículo de informação estruturada.

Todos os pontos abordados e as conclusões serão colocados no site www.brasilianas.org para que o debate continue permanentemente na Internet.
  
ECONOMIA VERDE – DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE EM DEBATE

A análise do uso dos recursos naturais frente à necessidade de desenvolvimento

A crise ambiental está atrelada à crise financeira que poderá ser maior no futuro pela escassez de recursos naturais importantes. Independente das questões que envolvem o aquecimento global, a discussão a respeito da sustentabilidade abarca a racionalidade futura de recursos e serviços ambientais, importantes para a estabilidade das relações humanas, como o ar puro, água potável, reservas de minerais e material biológico. Para abordar esses temas, profissionais ligados ao meio ambiente, economia, acadêmicos, Governo e organizações se reúnem no próximo dia 29 de outubro no 32º Fórum Brasilianas - A Economia Verde. 

O evento será dividido em três blocos mais a abertura de Sérgio Margulis, assessor especial do Ministério do Meio Ambiente, abordará a dificuldade de conciliar desenvolvimento e preservação través das políticas públicas do estado brasileiro para o tema.  No primeiro bloco, Amyra El Khalili, economista e fundadora da Aliança RECOs - Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras, fará uma análise crítica da economia verde. "O apelo para conter o aquecimento global é legítimo. Porém, o modus operandi a que se pretende alcançar esses objetivos são questionáveis até para os mais monetaristas dos cientistas econômicos", ressalta. Para Khalili é preciso impedir que o movimento especulativo das bolsas de valores transformem riquezas necessárias para o bem de toda a humanidade em simples moedas de troca. 

Na segunda parte, Mariana Meirelles, vice-presidente do CEBDS, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável dividirá a mesa com Rodrigo C. A. Lima, gerente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE). Os dois irão tratar do tripé da sustentabilidade, formada por economia, sociedade e meio-ambiente. Por fim, no último bloco, Marcio Macedo, chefe do departamento da Área de Meio Ambiente do BNDES, Cleuler Barbosa das Neves, professor de Direito na Universidade Federal de Goiás, e José Gustavo de Oliveira Franco, advogado especialista em direito ambiental, discutirão os subsídios e leis para o desenvolvimento da sustentabilidade na economia entram em discussão. 

O jornalista Luis Nassif, fundador do Projeto Brasilianas.org, fará a mediação do Fórum. O evento tem início às 9 horas e acontece no Hotel Blue Tree, na Rua Peixoto Gomide, 707, região da Avenida Paulista em São Paulo. Informações e inscrições podem ser feitas pelo 0800 16 9966, pelos ramais 23 e 24, ou pelo e-mail eventos@advivo.com.br. O investimento é de R$ 250, estudantes, professores e membros do Blog estão isentos. Credenciamento para imprensa entrar em contato com WR Press (11) 3672-4333 ou pelo e-mail imprensa@wrpress.com.br.

Sobre o Projeto Brasilianas.org
O Projeto Brasilianas.org Criado pelo jornalista Luís Nassif com o objetivo de contribuir com discussões das políticas públicas brasileiras, trazendo a proposta de um jornalismo colaborativo. O trabalho é um aglutinador das principais discussões públicas em pauta no país, pensando no desenvolvimento nacional e no papel de cada agente social nesse processo.

Serviço:
32º Fórum Brasilianas – A Economia Verde
Data: 29 de outubro de 2012
Local: Hotel Blue Tree, na Rua Peixoto Gomide, 707 – São Paulo/SP
Horário: 8h30 às 15 horas
Inscrições público: 0800 16 99 66, ramais 23 e 24, e-mail eventos@advivo.com.br
Credenciamento imprensa: (11) 3672-4333, e-mail imprensa@wrpress.com.br

Divulgação:
(11) 3672-4333
Jornalista Responsável: Wal Ruiz - Mtb. 23.962
Christina Souza – christina.souza@wrpress.com.br
Rafael Santiago – rafael.santiago@wrpress.com.br 
Maria Clara Ramos – mia.ramos@wrpress.com.br
Outubro / 2012

-- 
Lilian Milena
Brasilianas.org/ Agência Dinheiro Vivo
www.luisnassif.com.br
www.brasilianasorg.com.br
Tel.(11) 3667-2818, r. 12
Cel.(11) 8855-9894

A Economia Verde
Data: 29 de Outubro
Blue Tree Paulista

Rua Peixoto Gomide, 707 – Jardim Paulista
São Paulo
08h30 - 09h00 - Welcome Coffee e Credenciamento
09h00 - 09h20 - Apresentação - Luís Nassif - Diretor Presidente da Agência Dinheiro Vivo
09h20 - 10h20 - Abertura - Sérgio Margulis, Assessor Especial do Ministério do Meio Ambiente
10h20 - 10h50 - 1º Painel: Uma análise crítica da economia verdeAmyra El Khalili, economista que iniciou sua carreira no mercado financeiro ocupando cargos relevantes em corretoras e bancos de investimento fará uma crítica contundente ao termo Economia Verde. Em 1996, Khalili deixou o mercado para se dedicar exclusivamente ao Projeto BECE (sigla em inglês) - Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais. Hoje colabora na operacionalização de projetos auto-sustentáveis de médio e longo prazo. Entretanto defende que os termos preservação e conservação ambiental não sejam utilizados como novos conceitos de atividade econômica no plano da financeirização e mercantilização dos bens comuns em Bolsas de Valores.
§  Amyra El Khalili, Economista e fundadora da Aliança RECOs - Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras
10h50 - 11h10 – Debate e Perguntas
11h10 - 12h10 - 2º painel: O tripe da sustentabilidade, um nicho promissorSegundo dados da PNUD/ONU, a demanda por recursos ambientais dobrou nos últimos 40 anos, com isso a humanidade passou a consumir 30% a mais do que o planeta pode oferecer. Em resumo, a população humana está longe de ser sustentável, termo que remete a produções em harmonia com o tripé econômico, social e ambiental. Desde a Rio 92, países se comprometeram com o enquadramento ao tema. De lá para cá nichos promissores de negócios se desenvolveram a exemplo do setor de energias renováveis, que emprega atualmente 2,3 milhões de pessoas em todo o mundo contra 2 milhões no setor de petróleo e gás. Nesse painel vamos discutir os possíveis avanços da economia verde.
§  Mariana Meirelles, Vice-Presidente do CEBDS-Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável
§  
Rodrigo C. A. Lima, Gerente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE) e pesquisador da RedeAgro
12h10 - 12h30 – Debate e Perguntas 
12h30 - 14h00 - 3º painel: Subsídios e leis para o desenvolvimento da sustentabilidade na economia
Quais são as políticas e subsídios financeiros existentes hoje no Brasil para produções sustentáveis em todos os nichos de mercado? O objetivo nesse painel é abordar alguns desses mecanismos, bem como a importância da inovação para melhorar os gastos com recursos naturais e tratamento de passivos poluentes.
§  José Gustavo de Oliveira Franco, Advogado Especialista em Direito Ambiental 
§  
Cleuler Barbosa das Neves, Professor de Direito na Universidade Federal de Goiás
§  
Marcio Macedo, Chefe de Departamento da Área de Meio Ambiente do BNDES
14h00 - 14h20 – Debate e Perguntas 
14h20 - Coffe de Encerramento


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26 de outubro de 2012

SOSRIOSBR VISITA A FOZ DO RIO SÃO FRANCISCO - AGUARDE EM NOVEMBRO


Uma viagem fantástica nas águas do Velho Chico, à bordo do Indiana (foto) na divisa de Alagoas e Sergipe onde as águas do nosso Rio São Francisco encontram as águas do Oceano Atlântico. Maravilhosas fotos e vários depoimentos.  Aguardem, em novembro!

Vídeo do Prof. Jarmuth Andrade nas margens do Velho Chico

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Energias Renováveis & Vida Saudável – charge


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3,4 milhões crianças trabalhando: ‘É inaceitável’. Entrevista com Isa Maria de Oliveira


“Quando se fala em trabalho infantil, nós entendemos que sua prevenção e eliminação tem que se dar no contexto da proteção integral dos direitos da criança e do adolescente”, diz a secretaria do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil.
Confira a entrevista.


“Se analisarmos que em uma década pouco mais de meio milhão de crianças foram retiradas do trabalho infantil, e que ainda há um universo de 3,4 milhões crianças trabalhando, isso revela claramente que as políticas e os programas adotados e implementados no Brasil não estão dando conta da gravidade do problema”.

A análise é de Isa Maria de Oliveira, secretaria do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, referente aos dados do censo sobre o combate ao trabalho infantil no país. Para ela, esse “resultado é inaceitável”, porque “em comparação ao universo de crianças que ainda estão trabalhando, esse número ainda é pouco expressivo”. E dispara: “É inaceitável que o Brasil, apontado como uma referência para os outros países nessa área de enfrentamento do trabalho infantil, tenha um resultado tão pequeno”.
De acordo com Isa Maria, cerca de 132 mil crianças e adolescentes entre 10 a 14 anos ainda “são responsáveis pelos seus domicílios”. Para ela, a impossibilidade de erradicar o trabalho infantil no país está relacionada à ineficácia das políticas públicas, que não conscientizam as famílias sobre o tema. Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-LineIsa comenta o impacto dos programas de transferência do governo no controle do trabalho infantil. Apesar de terem contribuído para garantir o acesso das crianças à escola, os programas não contribuíram “para que as famílias tivessem uma compreensão sobre o trabalho infantil”. Isa também destaca a omissão dos gestores públicos, que não denunciam casos em que as famílias recebem um valor em dinheiro e mantêm as crianças trabalhando. “O governo municipal não identifica e não reconhece que há trabalho infantil, ou seja, não faz esse cofinanciamento. Enquanto isso, o Programa de Transferência de Renda está aí, cobrindo mais de 14 milhões de famílias”.
Isa Maria de Oliveira é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás, e pós-graduada na mesma área pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Em dez anos aproximadamente 530 mil crianças e adolescentes brasileiros deixaram de trabalhar no país. O que esse dado significa e representa considerando a trajetória brasileira em relação ao trabalho infantil?


Isa Maria de Oliveira –
 Se analisarmos que em uma década pouco mais de meio milhão de crianças foram retiradas do trabalho infantil, e que ainda há um universo de 3,4 milhões crianças trabalhando, isso revela claramente que as políticas e os programas adotados e implementados no Brasil não estão dando conta da gravidade do problema. Quando falamos de crianças e adolescentes, nos referimos a uma fase na vida muito breve. Então, se em uma década milhares de crianças não foram retiradas do trabalho infantil, na próxima década elas não serão mais crianças, e legalmente poderão trabalhar e perderão a oportunidade de viver plenamente a infância e de ter assegurado todos os direitos fundamentais para o seu pleno desenvolvimento cognitivo, físico e emocional.
Do ponto de vista da avaliação do Fórum Nacional, esse resultado é inaceitável. É uma redução muito pequena. Claro que felizmente pouco mais de meio milhão de crianças foram retiradas do trabalho infantil, mas em comparação ao universo de crianças que ainda estão trabalhando, esse número ainda é pouco expressivo. É inaceitável que o Brasil, apontado como uma referência para os outros países nessa área, tenha um resultado tão pequeno.
IHU On-Line – Quais foram as políticas públicas de combate ao trabalho infantil que não foram eficazes? Qual é o problema e como o Estado aborda essa questão?
Isa Maria de Oliveira – A primeira observação que faço é a de que o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI foi instituído em 1996, quando trouxe um impacto forte e positivo. Tanto é que a maior redução do trabalho infantil aconteceu até 2001 e 2002. Retiradas as crianças da cadeia formal de trabalho, permaneceram trabalhando as crianças que trabalham com as próprias famílias, tanto na área rural como na área urbana. Essas são formas de trabalho infantil que requerem uma articulação e uma integração das políticas públicas.
Nesses casos, as famílias precisam receber um atendimento especial. O início dessa atenção pode ser a transferência de renda, mas isso não é suficiente. É preciso que as famílias tenham a oportunidade de serem informadas e de compreenderem que a inclusão precoce de crianças e adolescentes no trabalho infantil não é uma solução, mas um fator determinante de reprodução da pobreza e da exclusão social no Brasil.
Quais são as outras políticas que precisam funcionar e estarem articuladas? Sem dúvida nenhuma, a política de educação. As crianças que estão trabalhando têm direito a uma educação de qualidade, que passa necessariamente por aprender no tempo certo e por ter todas essas oportunidades de práticas esportivas, culturais, para que se tenha uma educação, e não somente uma escolarização. É preciso garantir uma escola de qualidade e, preferencialmente, em tempo integral, com foco nas áreas e nos municípios, nos territórios onde há realmente maiores focos de trabalho infantil. Além disso, deve haver, por parte do Estado, seja municipal, estadual ou federal, uma responsabilidade no sentido de informar e sensibilizar a sociedade de que o trabalho infantil traz inúmeros prejuízos e riscos para as crianças, além de comprometer o desenvolvimento humano do país. Isso é importante, porque mudar valores culturais é um dos maiores desafios, ainda mais em um país que tem um legado escravocrata, uma percepção equivocada e desumana de que o trabalho é bom para as crianças pobres. 132 mil crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos são responsáveis pelos seus domicílios. Esse é um indicador forte de trabalho infantil.
IHU On-Line – As políticas públicas deveriam ter sido acompanhadas mais de perto ao longo dessa década?
Isa Maria de Oliveira – É importante ressaltar que, quando se fala de direitos de crianças e de adolescentes, de proteção integral, a prioridade tem de estar posta e assumida por todas as políticas públicas – e isso não acontece no Brasil. Por exemplo, ainda não temos a educação básica, aquela que cuida da fase pré-escolar, do ensino fundamental e ensino médio. Da mesma forma, o combate e à prevenção ao trabalho infantil não é uma prioridade. Então, a atuação das políticas públicas ainda está muito ligada à escolarização, e o foco é sempre a taxa de escolarização, ou seja, “o estar matriculado”.
Quando analisamos os indicadores de frequência e de rendimento escolar, vemos que essa taxa tão positiva de matrícula cai drasticamente. Dados do próprio MEC demonstram que, quando a criança ou o adolescente estuda e trabalha, o rendimento escolar é 10 ou 12 pontos percentuais abaixo daqueles que só estudam.
Violações
O trabalho infantil é uma porta aberta para as outras violações. Nós temos registros de que adolescentes privados da liberdade, porque cometeram um ato infracional, trabalharam quando crianças. O trabalho infantil nas ruas é um caminho aberto para que se deem a exploração sexual comercial, o abuso e outras inaceitáveis violações, como o espancamento, o xingamento, humilhações. É preciso refletir sobre isso. O resultado dessa década evidência realmente que o Brasil não está respondendo a todas essas graves questões. Quando falamos em trabalho infantil, entendemos que sua prevenção e eliminação têm que se dar no contexto da proteção integral dos direitos da criança e do adolescente. Tem que proteger a vida dessa criança, a saúde, o direito à educação de qualidade, o direito ao lazer e à convivência escolar.
IHU On-Line – Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho – OIT, 40% das crianças que trabalham atualmente não são de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza. Dizem que se trata de um novo perfil do trabalho infantil. Essa mudança acompanhou a ascensão econômica do país, e por isso as crianças não pertencem a famílias que estão abaixo da linha da pobreza? Comparando os anos 1990 e início dos anos 2000, como descreve hoje o perfil do trabalho infantil no Brasil?
Isa Maria de Oliveira – Esse dado requer uma maior análise. O perfil apontado pela OIT está aliado muito a que situações de trabalho as crianças estão submetidas. Aí eu aponto o seguinte: o corte de renda para que uma família seja incluída no programa Bolsa Família é de 140 reais per capita, mas uma família que tem uma renda dessas não será atendida pelo programa. Apesar disso, não posso afirmar que essa família não está em uma situação de pobreza. Então, precisaria analisar qual é a faixa de renda desses 40%.
O que esse dado pode trazer é o seguinte: como o maior abandono da escola é na faixa de 15 a 17 anos, na adolescência, e como nós vivemos numa sociedade do consumo, todos os adolescentes, independente de cor e de situação econômica, têm aspirações materiais, e essas aspirações, muitas vezes, motiva os adolescentes a trabalhar, mesmo que a família não esteja precisando daquela renda para sobreviver. É um trabalho que ele realiza para lhe dar direito a uma aspiração de consumo. Então, se tem uma família que não está em situação de extrema pobreza, mas ela não pode realmente dar ao seu adolescente, por exemplo, um celular, um tênis de marca ou algum bem que ele considera importante, ele trabalha para poder comprar. Então, esses 40% podem representar, em parte, esses adolescentes que estão trabalhando e que querem realmente garantir as suas aspirações de consumo e que não necessariamente estão determinados pela extrema pobreza da família. Todavia, avalio que esses 40% ainda estão na faixa da pobreza.
IHU On-Line – As crianças trabalham por necessidade?
Isa Maria de Oliveira – Exatamente! E aí você não pode reduzir a necessidade à sobrevivência somente. Há outros bens que estão disponíveis na sociedade e que são privilégios de poucas crianças e adolescentes. Por um lado, essa questão do consumo é muito forte entre os adolescentes, e eles são os que mais abandonam a escola.
IHU On-Line – É possível constatar se o trabalho infantil é mais recorrente nas cidades ou na zona rural?
Isa Maria de Oliveira – Se dividir por faixas etárias, sim. A faixa etária de 13 e 14 anos tem maior incidência de trabalho infantil na área rural. A faixa etária de 15 a 17 anos tem maior incidência urbana. Não há dúvidas. Isso está se confirmando. Quando se olha, por exemplo, nessa faixa de 15 a 17 anos, no Brasil e em todas as regiões, a maior incidência é urbana. Quando se pega nessa faixa até 14 anos, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Sul, é na área rural.
IHU On-Line – Apesar das suas críticas aos programas de distribuição de renda, é possível fazer uma avaliação de como eles incidiram no sentido de prevenir o trabalho infantil?
Isa Maria de Oliveira – Quando se faz um acompanhamento das famílias que recebem transferência de renda, faz-se o acompanhamento de duas condicionalidades. Entre elas estão a condicionalidade da frequência à escola – e volto a dizer que frequência à escola não é rendimento escolar. Sem dúvida, porém, nenhum programa de transferência de renda contribuiu para a maior frequência escolar, até porque, se a criança não tiver 85% de frequência, a família corre o risco de receber uma advertência e até de perder a bolsa.
De todo modo, não podemos aceitar que 571 mil crianças estejam fora da escola. Percentualmente esse valor é “pequeno”, mas, quando se vê o universo de crianças fora da escola, o número é inaceitável, sobre tudo nessa faixa de 6 a 14 anos. Já é de longa data que está posto na Constituição e no Plano Nacional de Educação que a escola é obrigatória, tem que ser ofertada e tem de se garantir a frequência e o sucesso escolar. Então, é inaceitável que se registrem números tão elevados.
Programa de Transferência de Renda impactou na frequência escolar e no melhor acompanhamento da saúde da criança. Mas temos muitos depoimentos de quem trabalha nos municípios segundo os quais é comum que famílias recebam o benefício, a criança frequente a escola, a criança cumpre o calendário vacinal, faça o acompanhamento de saúde e, ainda assim, trabalhe. Então, para o trabalho infantil o impacto do programa de distribuição de renda não foi o desejável e nem o esperado. Em nossa avaliação, há uma coisa mais grave: o Programa de Transferência de Renda não contribuiu para que as famílias tivessem uma compreensão sobre o trabalho infantil, e o poder municipal também se omite em relação a ele. A família pode receber a transferência de renda por uma situação de pobreza e manter a criança no trabalho infantil. E o município não precisa cofinanciar, porque existe o financiamento do governo federal para os chamados serviços socioeducativos. Então, o governo municipal não identifica e não reconhece que há trabalho infantil, ou seja, não faz esse cofinanciamento. Enquanto isso, o Programa de Transferência de Renda está aí, cobrindo mais de 14 milhões de famílias. É muito preocupante, porque esse programa deveria impactar diferentemente no dia a dia das crianças.

IHU On-Line – Em que estados é possível perceber o predomínio do trabalho infantil?
Isa Maria de Oliveira – Nos três estados do Sul os percentuais de trabalho infantil são elevados, estão acima da média nacional. As regiões Sul e Norte, de acordo com os dados do último censo, são as que têm maior incidência do trabalho infantil. Então, o Nordeste apresentou realmente resultados positivos, embora a situação ainda seja grave, mas a diferença de percentual da região Norte para a região Sul é de 0,1%.
Como se tem uma densidade populacional muito maior no Sul, o percentual fica mais elevado do que no Norte. No Sul essa situação precisa ser ressaltada, porque se têm mais desenvolvimento econômico, mais escolas e os percentuais de trabalho infantil são muito elevados.

IHU On-Line – Como avalia o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA?
Isa Maria de Oliveira – Este Estatuto é um marco, apesar de ainda não estar plenamente implementado. Defendemos que um dos artigos – o de n. 248 – seja imediatamente revogado. Ele trata da vinda de adolescentes de outras comarcas, e a família que busca ou que recebe esse adolescente tem um prazo de cinco dias para informar a autoridade legal sobre a guarda dessa criança, que irá prestar serviços domésticos. Esse artigo é um claro incentivador do trabalho infantil, e isso se agrava mais porque o Brasil, em 2008, aprovou um decreto que define o trabalho infantil doméstico como uma das piores formas de trabalho.
Esse artigo está na contramão, sobretudo porque o trabalho infantil doméstico, como todos sabem, é oculto, de difícil fiscalização. Essa é uma das formas de trabalho que mais traz prejuízos para o rendimento escolar, porque a jornada é atenuante; muitos não têm nenhum descanso semanal; em muitos casos a jornada se estende, porque o trabalho é quase que ininterrupto. Em alguns o adolescente frequenta a escola, mas ele chega exausto para acompanhar as aulas; ele não tem como preparar as tarefas.
(Ecodebate, 26/10/2012) publicado pela IHU On-line, parceira estratégica do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

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Manual do IPAM alerta sobre uso de defensivos agrícolas e traz recomendações práticas a produtores


Defensivos agrícolas: Como evitar danos à saúde e ao meio ambiente


Apesar de importantes no controle de pragas agrícolas, defensivos podem causar danos ao homem, animais e meio ambiente. Manual que orienta sobre o uso e riscos, pode ser baixado gratuitamente.
O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) acaba de lançar mais um volume da série “Boas Práticas”, em colaboração com pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade de Medicina Veterinária de Viena, Áustria. Desta vez, a publicação lida com a importante questão de como reduzir o risco do uso de agrotóxicos para a saúde humana e para o meio ambiente.
O dano causado ao homem pelo uso indevido de agrotóxicos, segundo Luis Schiesari, professor de Gestão Ambiental da USP e um dos autores do estudo, varia de irritação na pele, náusea e dor de cabeça podendo chegar até a morte, passando por câncer e danos ao sistema reprodutivo, nervoso, hormonal e desenvolvimento fetal.  “Por isso devem ser usados apenas quando estritamente necessário, nas formulações e doses corretas, e cercando-se de todos os cuidados”, diz.
O manual destaca a importância da consulta a profissionais especializados e receituário na escolha e aplicação do produto, já que o próprio produto traz informações indispensáveis sobre sua toxicidade, armazenamento e manuseio, e procedimentos em caso de vazamento e intoxicação.
A publicação, disponível gratuitamente para download no site do IPAM, traz também recomendações acerca das condições climáticas adequadas para a aplicação e o procedimento indicado para a lavagem, armazenamento e devolução das embalagens vazias. Finalmente, o manual traz uma seção com instituições, telefones e links úteis no caso de dúvidas. Oswaldo Carvalho Jr., pesquisador do IPAM, ressalta a importância da consulta a esse manual por todos os agricultores e a necessidade da consulta ao profissional especializado. “Esses produtos estão amplamente disponíveis no mercado e são extremamente atrativos pelos resultados. No entanto, por conterem substâncias que podem causar danos a saúde, exigem um cuidado especial na sua aplicação e manuseio”, diz Carvalho. 
O Brasil é, desde 2008, o maior consumidor global de insumos químicos para agricultura.  Sendo que substâncias já proibidas em vários países encontram mercado fértil em terras brasileiras. (Fonte: Ciência Hoje)
Os outros volumes da série “Boas Práticas” tratam de assuntos que vão desde manejo e recuperação de mata ciliar em regiões florestais da Amazônia até identificação de mamíferos por pegadas deixadas no solo.  Todas as publicações são gratuitas e podem ser acessadas pelo site do IPAM (Série Boas Práticas).
Defensivos agrícolas: Como evitar danos à saúde e ao meio ambiente
Manual alerta sobre uso de defensivos agrícolas e traz recomendações práticas a produtores. Volume 8 da Série Boas Práticas, a publicação tem  a colaboração de pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade de Medicina Veterinária de Viena, Áustria.
Defensivos agrícolas: Como evitar danos à saúde e ao meio ambiente.
Luis Schiesari. Série Boas Práticas – Volume 8. 2012.
  • Categoria: Publicações
  • Formato: PDF
  • Tamanho: 1.43 MB
EcoDebate, 26/10/2012 
Foto da Capa. Imagem: Comunitexto


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25 de outubro de 2012

Lixo na Praia – Quem é irracional ?... (charge)



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Finning: Ibama apreende mais de 5 toneladas de barbatanas de tubarão no RN


barbatanas de tubarão

A Superintendência Estadual do Ibama no Rio Grande do Norte apreendeu, no último domingo (21) um quantitativo de 5.385 kg de barbatanas de tubarão, onde foi lavrado um auto de infração no valor de R$ 137 mil. Essa ação merece uma atenção especial do Ibama/RN, uma vez que o instituto, no final de 2011, já tinha efetuado outra operação em conjunto com a Receita Federal e Ministério da Agricultura, com autuação e apreensão de barbatanas, em um lote de 6.387 kg.
As barbatanas de tubarão são iguarias consumidas pelos países asiáticos, usados como afrodisíaco, e consumidos na forma de sopas, em especial na China, Taiwan e Japão. São comercializadas pelos pescadores por elevados valores, que podem atingir até 15 vezes o valor da carne do tubarão, apenas na primeira comercialização. Esse elevado valor acaba por gerar um interesse elevado nas barbatanas, em detrimento das carcaças dos animais, o que vem disparando uma corrida por esse produto para exportação. As espécies tubarão azul e tubarão cavala são as mais procuradas por serem as mais apropriadas para elaboração das iguarias, devido ao grande tamanho e textura.
Nesse contexto, surge o finning, que é uma prática de pesca ilegal de tubarões. No finning, os pescadores retiram as barbatanas descartam a carcaça no mar, desprezando a carne do pescado.
Esta prática, além de constituir em um grande desperdício de pescado, vem sendo responsável pela redução dos estoques de tubarões em todos os oceanos do planeta. O Brasil foi o primeiro país no âmbito da ICCAT – Comissão internacional para a Conservação do Atum Atlântico, a propor uma medida de controle sobre essa atividade ilegal, por meio da publicação da Portaria Ibama n.o 121-N/1998. Por meio dessa medida, somente está autorizada a comercialização de barbatanas em percentual máximo de 5% do peso das carcaças, a fim de controlar o limite que corresponde à proporção aceitável de barbatanas com relação às carcaças desembarcadas, que indiquem a origem legal do produto.
Conforme o coordenador de Operações da Fiscalização do Ibama/RN, Marcelo Lira, a continuidade da prática do finning nas águas jurisdicionais brasileiras tem contribuído para a sobrepesca de praticamente todas as espécies de tubarões. “Diante disso, o Ministério do Meio Ambiente encontra-se em fase de elaboração de revisão da referida legislação, a fim de estabelecer controles mais efetivos, em especial no desembarque e exportação de tubarões e suas barbatanas”, frisou o coordenador.
Homero Henrique Medeiros
Ascom Ibama/RN
EcoDebate, 25/10/2012
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Edição n° 41 da revista Cidadania & Meio Ambiente está disponível para acesso e/ou download

Prezadas(os) Leitoras(es) do EcoDebate e da revista Cidadania & Meio Ambiente
Informamos que a edição n° 41 da revista Cidadania & Meio Ambiente, ISSN 2177-630X, já está disponível para acesso e/ou download na página do Portal EcoDebate.
Capa da Edição n° 41 da revista Cidadania & Meio Ambiente
Capa da edição n° 41
Vejam, abaixo, o sumário da edição:
A crise da água: como lidar com a escassez
Confira nesta introdução do relatório Coping with waterscarcity a relevância do desafio, as ações e as estratégias passíveis de equacionar a gestão dos recursos aquíferos. Por FAO
Rios: o desafio da sustentabilidade
A má qualidade da água nas cidades é consequência da desnaturalização das bacias hidrográficas, do passivo ambiental e de outros fatores apontados por Gerôncio Rocha. Por IHU On-line
Aquecimento global e geobiossistemas
O sensoriamento remoto da Terra por satélite analisa de forma abrangente e confiável a integração entre os fatores naturais e antrópicos responsáveis pela atual configuração geoclimática. Por Roberto Naime
Ártico 2012: o que sinaliza o degelo recorde?
O derretimento da cobertura de gelo do mar do Ártico neste verão pulveriza para pior o recorde anterior, e indica que a mudança climática está em processo acelerado. Por Bill Chameides
Mudanças climáticas e crise alimentar
Os desastres ambientais já provocam uma crise alimentar e surpreende quem pensava ser o aquecimento global fenômeno que só afetaria as futuras gerações. Por José Eustáquio Diniz Alves
Svalbard: banco de sementes para o futuro
O bunker Svalbard para conservação de sementes é um projeto de segurança agrícola que poderá resgatar a humanidade da fome. Por Eleanor Fausold
Não há economia sem sistema ecológico
A Economia Ecológica postula que o sistema econômico “gira” em torno do mundo biofísico, devendo promover a interface entre os ecossistemas naturais e o sistema produtivo. Por Marcus Eduardo de Oliveira
Amazônia: desenvolvimento insustentável
A Amazônia Legal e internacional passa por processo de destruição que visa expandir o modelo primário exportador, vetor de impactos ambientais e de degradação do modo de vida. Por Elder Andrade de Paula
Terras desmatadas: a subutilização faz “absurdo” exigir mais
Para analisar sem paixão as implicações do novo Código Florestal deve-se examinar a fonte primária dos dados sobre a questão, que têm origem essencialmente no Censo Agropecuário do IBGE. Por Ladislau Dowbor
Destruir a natureza libera doenças infecciosas
Especialistas em doenças tropicais e natureza explicam porque a saúde humana está interligada à saúde animal e ambiental – mix que precisa ser estudado e gerido de forma holística. Por Jim Robbins
Fauna, ecossistema e cadeia alimentar
A fauna representa todo o conjunto de espécies animais com funções reguladoras de suma importância nos ecossistemas, especialmente na cadeia alimentar. Por Roberto Naime
Floresta urbana: os benefícios psicossociais
Em razão de grande parte da população mundial viver hoje em áreas urbanas, as plantas, florestas e ecossistemas se tornam vitais para bem-estar físico e a saúde emocional. Por Center for Urban Horticulture
Inclusão social via soluções estruturais ou via mercado?
Confira com analistas do cenário socioeconômico os fatores responsáveis pela “década da inclusão” que, mesmo com avanços, não consegue acabar com o passivo de desigualdades. Por Conjuntura da Semana
Previsões para a Terra
Esta série de previsões elenca as ameaças que podem levar nosso Planeta para a UTI caso não sejam revisados os fatores que acarretam as mudanças climáticas e o aquecimento global. Por The Futurist
Ética e mudança climática global
Num mundo de calamidades sem precedentes, a bioética é necessária para que organizações, corporações e instituições possam dialogar sem polarizações políticas e ideológicas. Por Claris Zwareva
As edições da revista, na versão on-line, também estão disponíveis, no formato do Acrobat Reader, para livre acesso ou download gratuito na página da revista no EcoDebate.
Desejamos a todas(os) uma proveitosa leitura.
Um abraço fraterno,
Henrique Cortez
coordenador editorial do Portal EcoDebate
EcoDebate, 25/10/2012

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23 de outubro de 2012

SALVAR OS GUARANI-KAIOWÁ? – Elaine Tavares



                                                                                                       Por Elaine Tavares - jornalista

Aprendi com meu irmão, há muitos anos, que não há nada pior no humano do que a hipócrita (por vezes não intencional) musculação de consciência. E isso é coisa que acontece muito no meio daqueles que estão no topo ou no meio da pirâmide social. Olham para o sofrimento dos pobres - a comunidade das vítimas do sistema - como se fossem coitadinhos, e sentem pena. Podem até chorar diante de uma foto ou de uma dada situação. E desde sua pena, buscam ajudar, musculando a consciência. Um quilo de arroz numa campanha para vítimas da enchente, um agasalho para as entidades filantrópicas, uma doação ao “criança esperança”. Depois, consciência musculada, voltam a vida normal, certas de que fizeram tudo que podiam fazer. Arrisco dizer: isso não é suficiente. Apazigua a consciência, mas não muda as coisas.

Detectei essa reação nesses dias em que se resolveu prestar atenção ao sofrimento indígena. Um grupo de índios Guarani, do Mato Grosso do Sul, que desde há 500 anos vêm observando a estranha mania dos cristãos – seus dominadores - em se purificar no sacrifício, resolveu expor a chaga aberta do sofrimento de sua gente numa concreta vivência sacrificial. Ou lhes deixam viver nas suas terras, ou se matam, em grupo. Ato extremo, sofrimento extremo, decisão extrema. Então, como que atiçados pelo sempre excitante momento do sacrifício, as gentes brasileiras decidiram começar a falar do “absurdo” que é essa desesperada decisão. Assim, terminada a novela das oito, que segundo algumas vozes “parou o país”, agora as redes sociais e todos os que têm espaço de voz nos meios começaram a discutir a questão dos Guarani que estão prometendo se matar. Sinto aí certo cheiro de musculação de consciência.

O grito dos Guarani de Mato Grosso do Sul não é o primeiro nem será o último. Desde o momento em que os povos originários perceberam que a cruz e a espada que chegavam com os homens do além-mar eram armas de opressão, a luta pela manutenção do direito de viverem na sua terra, com seus deuses e do seu jeito, começou. Ao longo dos anos, com a colonização europeia, milhões de pessoas foram assassinadas, das formas mais cruéis, simplesmente porque atrapalhavam o caminho para o ouro e as riquezas do novo mundo. Essa gente desesperada que hoje grita em agonia por um naco de terra onde descansar a cabeça, é a mesma gente que antes da invasão aqui vivia em fartura, nas grandes cidades como Tenochtitlán, Cuzco, Tiuahanaco, maiores e mais populosas que Madrid, Lisboa ou Florença no mesmo tempo. Eram homens e mulheres que conheciam a astronomia, a matemática, a hidráulica, a engenharia. Eram os que experienciavam uma forma de vida comunitária, na qual ninguém passava fome, no mesmo tempo em que na Europa medieval as pessoas padeciam de fome crônica. E foram eles os considerados sem alma, os passíveis de todo o tipo de selvageria e escravidão, porque não falavam a língua espanhola ou portuguesa e professavam outra fé, na variedade dos deuses.

O grito dos Guarani de Mato Grosso do Sul é o mesmo grito do cacique da etnia Taíno, Hatuey, que, em 1511, poucos anos depois da invasão, ao descobrir que o deus verdadeiros daqueles homens era o ouro, viajou desde o Haiti até a ilha de Cuba, com 400 guerreiros, para avisar que o que chegava pelo mar era a destruição. Não foi escutado. Mesmo assim se dispôs a lutar contra os espanhóis e só parou quando foi capturado e morto na fogueira. Foi vencido pela força dos arcabuzes, tendo seu povo sido dizimado em castigo. Esse grito segue aí. Também continuam ressoando os gritos de Cuauhtemotzin, no México, quando em 1520 igualmente iniciou a resistência contra os espanhóis que haviam assassinado milhares na cidadela de Montezuma, e os de Ruminahuia, que na região de Quito também se levantou em rebelião contra os que queriam destruir seu mundo e o dos seus. E o que dizer dos Tamoios no Brasil de 1562, que chegaram a constituir uma confederação para enfrentar a vilania portuguesa?

Pois essa gente tem gritado, lutado, batalhado, peleado desde os primeiros momentos da invasão. E, desde sempre esses gritos foram abafados, porque os indígenas não eram vistos como seres capazes de gerir suas vidas. Eram homens e mulheres dominados que tinham de se render calados e servis. Só que nunca foi assim. A batalha pelo continente segue aí, desde então.

Mas, como sempre acontece, os vencedores impõem suas razões. Os povos indígenas foram dizimados em nome do progresso e do bem estar dos invasores. Os que valentemente sobraram acabaram confinados em reservas, ora como bichos raros, ora como coitadinhos e incapazes. Integrar o índio à sociedade passou a ser o mantra dos caridosos vencedores. E os que acreditaram no engodo já viram o que sucedeu. Incorporados a uma sociedade racista, patriarcal, capitalista, seguem sendo vistos como seres inferiores, mesmo os que chegaram aos mais altos postos da estrutura social. Índios, os seres sem alma.

Há poucos anos o país acompanhou a polêmica da reserva Raposa Terra do Sol, uma imensidão de terra indígena que os originários lograram garantir para si. Quem não se lembra dos ferozes argumentos da distinta sociedade pensante? “Para quê tanta terra para índios? O que eles vão fazer com isso? Vão destruir tudo e vender as madeiras.” Esse era o diapasão dos caridosos brasileiros. E as batalhas pela região do Xingu que estão aí, se arrastando há anos, sem que ninguém se apiede das almas das gentes que vão perder seus rios, seus deuses, seu território em nome de uma barragem para gerar energia aos estrangeiros. E os mesmos piedosos argumentam que “essa gente” (os índios) é o atraso, a decadência, o anacrônico, incapaz de ver a importância do progresso que virá com a devastação da Amazônia.

É que esses índios são os que, por estarem em grandes grupos e articulados com movimentos sociais, lutam. Travam a boa batalha contra a destruição do seu modo de vida. E como valentes guerreiros precisam enfrentar as armas inimigas que já não são só arcabuzes e cavalos. Vêm acompanhadas da mídia que fortalece pré-conceitos e visões pré-determinadas do poder. Esses, os “arruaceiros”, não são dignos de piedade por parte da sociedade que fica em frente à TV musculando sua consciência.

Então, das entranhas do cerrado mato-grossense, um pequeno grupo de Guarani-Kaiowá, que luta desde há anos por demarcação das terras, sofrendo violência, mortes, assassinatos, desaparição e o sistemático suicídio de seus jovens guerreiros, resolve usar a última arma que lhe resta: o próprio corpo, sua humanidade, o corpo coletivo de toda a gente. O drama dessas famílias vem sendo denunciado ano após ano pelos Cimi, por jornalistas, por estudiosos, por todos os que se importam, mas nunca tocou o coração das maiorias. O ataque diário dos fazendeiros, a violência da justiça local que não os escuta, o preconceito e o ódio dos que vivem na cidade, picados pela ideia de que os índios só atrapalham o progresso, tudo isso é tema de debate e denúncia nos fóruns de luta social. Mas, nunca houve piedade. As terras seguem sendo griladas, roubadas, subtraídas dos índios. A vida foi se extinguindo, o espaço se apequenando. Foi preciso um ato extremo, uma decisão de desespero, para que a nação se voltasse para esses que são os cordeiros de um novo sacrifício. Agora sim é a hora da compaixão. Os “atrasados” não estão armados, não estão em luta, não fazem arruaça. Eles desistiram. Não têm mais força. São muito poucos, estão sozinhos. Eles desistiram. Já não são mais “perigosos”. São apenas as ovelhas do sacrifício. Eles desistiram. Estão vencidos. Então, por esses sim, podemos rezar, chorar, nos apiedar. Sepulcros caiados. Sociedade apodrecida.

Arrisco dizer que os Guarani-Kaiowá sabem muito bem dessa hipocrisia ocidental, dessa pantomima que os piedosos gostam de fazer para parecerem bons. Ah, eles conhecem essa psicologia desde há 500 anos. E, agora, se valem disso para expor o seu drama e para testar a “bondade” branca. Mas, eles não estão brincando. Seu grito de agonia ecoa anos a fio. Nada nunca foi feito. Já basta. Não há sentido viver quando a vida não pode se fazer real. Diante de uma justiça que protege o rico, o grileiro, o ladrão; diante de uma sociedade que vê como normal a miséria e o abandono de famílias inteiras na beira da estrada; diante do opressivo preconceito que as pessoas da cidade manejam cotidianamente, o que fazer? Se vida não há, porque preservar um corpo? A lógica da simplicidade.

E os Guarani-Kaiowá colocam a sociedade brasileira diante de um dilema também. Salvá-los não basta. Definir uma terra para aquelas famílias não significa o fim do drama indígena no Brasil. O apressado movimento dos atletas de consciência em demarcar áreas para essas famílias em particular não acomodará as tensões que eclodem todos os dias nas áreas permanentemente em disputa entre indígenas e grileiros ou entre indígenas e Estado. Há que ultrapassar esse limite da resolução de um drama singular. Há que se colocar de frente com todos os conflitos. Há que se compreender a realidade indígena, conhecer seus costumes, seus deuses, seu modo de organizar a vida. Salvar os Guarani-Kaiowá de Mato Grosso do Sul não pode ser só um ato a mais de musculação de consciência, praticado numa situação específica, com um grupo específico. O drama indígena em “nuestra américa”, inaugurado com a valentia de Hatuey, atravessando perigosas ondas do Haiti até Cuba para anunciar a desgraça e conclamar a união na luta, não se esgota naquele grupo de homens, mulheres e crianças que hoje assumem a condição de cordeiros de sacrifício. Os indígenas não precisam de nossa pena, nem da nossa comiseração. Eles só precisam ser respeitados nos seus direitos e na sua vontade de ser quem são.

Os Guarani-Kaiowá estão a dar uma lição. Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça. E aprenda!


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