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3 de dezembro de 2013

Biólogo denuncia destruição de manguezal em Duque de Caxias, RJ



O aterro clandestino avança sobre o manguezal, em Caxias Foto: Terceiro / Mario Moscatelli


O aterro clandestino avança sobre o manguezal, em Caxias Terceiro / Mario Moscatelli
 
Inea afirma que fará inspeção no terreno, às margens de uma rodovia
 
 - Emanuel Alencar  

Obras de terraplanagem num terreno onde já funcionou um lixão estão colocando em risco uma área de mangue no bairro Jardim Gramacho, em Duque de Caxias. A denúncia é do biólogo Mario Moscatelli, que atua em programas de reflorestamento na região há quase 20 anos.

Em sobrevoo feito no dia 19 de novembro, o biólogo flagrou a ação de retroescavadeiras nas proximidades do manguezal, às margens da Rodovia Washington Luiz. De acordo com Moscatelli, embora a maior parte do terreno já estivesse degradada, as obras estão avançando numa Área de Preservação Permanente (APP), próxima ao fundo da Baía de Guanabara.

O chefe da Coordenadoria estadual de Combate a Crimes Ambientais (Cicca), José Maurício Padrone, informou que fiscais do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) farão uma inspeção da área hoje. Moscatelli afirma que o Inea precisa ficar mais atento aos crimes ambientais:

— Um novo aterro está avançando pelo mangue.

Região se beneficiou com fim do lixão

José Maurício Padrone, da Coordenadoria de Combate a Crimes Ambientais (Cicca), afirma que a região onde foi constatado o crime ambiental é alvo de uma desenfreada especulação imobiliária. Com o fechamento do aterro de Jardim Gramacho, em junho de 2012, os terrenos ganharam valor, diz o chefe da Cicca, ligada à Secretaria Estadual do Ambiente.

— Áreas que não valiam nada agora passaram a valer rios de dinheiro. Vamos amanhã (hoje) ao local verificar se retiraram nossa cerca de segurança e avançaram manguezal adentro — afirma Padrone.
Considerados Áreas de Preservação Permanente (APP) pelo Código Florestal, os manguezais constituem um ecossistema costeiro de transição entre os ambientes terrestre e marinho. A riqueza biológica faz com que essas áreas sejam berçários naturais de várias espécies.

A taxa de desmatamento anual dos manguezais é três a cinco vezes maior que a média global de perda das florestas no geral, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). No Estado do Rio, o maior bosque de mangue está concentrado na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim.

http://oglobo.globo.com/rio/biologo-denuncia-destruicao-de-manguezal-em-duque-de-caxias-10949889


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