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30 de agosto de 2013

Prefeitura debate reciclagem com população – São Paulo, SP

Giovana Girardi - O Estado de S.Paulo
 
A Prefeitura de São Paulo realiza de hoje a domingo a 4.ª Conferência Municipal do Meio Ambiente, em que vai colocar à discussão da população, representada por 800 delegados da sociedade civil e do governo, uma proposta para a cidade lidar com seus resíduos sólidos.

O Plano Municipal de Gestão dos Resíduos, que deve ser apresentado até o final do ano, será voltado para ações em um período de 20 anos, mas trará algumas metas já para o curto prazo. Ao Estado, o secretário de Serviços, Simão Pedro, adiantou alguns detalhes.

Segundo ele, a ideia é agir em duas frentes: de um lado, melhorar a coleta seletiva e a reciclagem dos secos (que respondem por 35% do total de resíduos da cidade); e de outro, manejar a parte orgânica (51% do total).

Ao final dos 20 anos, o plano, em concordância com o que preconiza a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), estima que somente os rejeitos - o que não é passível de nenhum tipo de reaproveitamento, seja com reciclagem, compostagem ou biodigestão (fermentação dos orgânicos para produzir biogás) - seguirão para os aterros sanitários. Hoje eles são 14% dos resíduos da capital.

Até 2016, último ano da gestão Fernando Haddad, "a coleta seletiva - que hoje ocorre uma vez por semana em 70 dos 96 distritos da cidade e atinge somente 1,6% do lixo seco - deverá atingir toda a cidade e alcançar 10% dos resíduos secos", promete Pedro.

Para promover sua reutilização, explica, serão instaladas quatro grandes centrais mecanizadas de reciclagem no município, que vão trabalhar com cooperativas de coletores. Já antes da Copa, diz o secretário, duas centrais deverão estar em funcionamento - uma em Santo Amaro (zona sul) e outra na Ponte Pequena (zona norte). A fim de alimentá-las, ele planeja aumentar a coleta de resíduos secos para 6% até lá.

Em relação ao orgânico, a ideia é por em prática, ainda em 2014, um projeto-piloto de colocação de composteiras pequenas em 2 mil residências da cidade, ao longo de seis meses. Elas serão escolhidas para ter uma representatividade dos domicílios paulistanos e servir para testar o funcionamento da ideia. Se der certo, eles esperaram ampliar para condomínios para que parte dos resíduos nem precise ser coletada.

Feiras livres. Outro alvo de compostagem devem ser as feiras, em um plano de fazer com que 1/3 tenha seus resíduos levados para composteiras até 2016. Já existe um piloto disso em uma feira de São Mateus.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,prefeitura-debate-reciclagem-com-populacao-,1069367,0.htm

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Campanha em favor dos Golfinhos de Laguna, SC

campanha_ecossistema_lagunar

A Campanha visa uma série de matérias enfocando a conscientização e preservação do ecossistema lagunar – merece ser muito divulgada e apoiada !

(divulgada pela amiga Maria de Fátima Barreto Michels)


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EM SANTA CATARINA O "DIA MUNDIAL DE LIMPEZA DE PRAIAS" ACONTECE NO BALNEÁRIO, ITAJAÍ E NAVEGA


Universitários preparam mó faxinão pro Dia Mundial da Limpeza

26/08/2013 

Nesta edição do programa "Clean up the World", estudantes pretendem deixar Itajaí, Balneário e Navega nos trinques

No dia 14 de setembro, vai rolar o projeto "Univali Limpando o Mundo". A garibada chega a 8ª edição e acontece no Balneário, Itajaí e Navega. 
Na city peixeira, a garibada vai acontecer nas praias do Morcego, Amores e Brava. Na Maravilha do Atlântico, a limpeza acontecerá na praia central e no rio Camboriú. Já em Navega, o trampo será realizado na praia Central.


Limpando o Mundo


A ação, conhecida como "Univali Limpando o Mundo", pretende sensibilizar a população pras questões ambientais. Ela integra o programa "Clean up the World", uma ação mundial que simboliza a união em prol de um mundo mais limpo, saudável e consciente pra todas as comunidades. 

Em Itajaí e região o programa é organizado pelo laboratório de Gestão e Valoração de Resíduos do curso de Engenharia Ambiental da Univali. A ação terá início às 8h30, em diversos pontos. Quem quer trampar como voluntário pode se inscrever até o dia 8 de setembro, pelo site  www.univali.br/eventos.

SAIBA MAIS:  CLEAN UP THE WORLD NO MUNDO

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MACEIÓ (AL) E O SESI ADERINDO AO DIA MUNDIAL DE LIMPEZA DE RIOS E PRAIAS 2013

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CONHEÇA A ORLA DA JATIÚCA  À PONTA VERDE, NA MARAVILHOSA MACEIÓ (AL)


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ARACAJU (SE) ATRAVÉS DO SETRANSP PARTICIPANDO DO DIA MUNDIAL DA LIMPEZA DE RIOS E MARES




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Logo Setransp

26/08/2013 
Seja um voluntário e participe do 

Dia Mundial da Limpeza

No dia 21 de setembro, a partir das 09h às 12h, na orla de Atalaia, o Setransp realiza mais uma edição do projeto Clean up the world, o Dia Mundial da Limpeza. 

Pelo terceiro ano consecutivo, Aracaju é a única cidade do Nordeste brasileiro a integrar o projeto que reúne mais de 125 países simultaneamente para um grande mutirão de limpeza das praias. 

Junte-se ao Setransp e seja um voluntário dessa causa. Empresas, escolas, associações ou mesmo grupo de amigos podem participar. Os telefones de contato para informações são 3045-2577 e 3045-2589. 





SAIBA MAIS:  CLEAN UP THE WORLD NO MUNDO

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RESENDE (RJ) PARTICIPANDO DO DIA MUNDIAL DE LIMPEZA DE RIOS E PRAIAS 2013

Resende adere ao Dia Mundial de Limpeza

Resende adere ao Dia Mundial de Limpeza

CLEAN UP THE WORLD 2013


27/8/2013
   A Prefeitura, através da Agência do Meio Ambiente (AMAR), formalizou, na última semana, a participação de Resende nas atividades do Dia Mundial de Limpeza 2013, organizado pelo Instituto Aqualung. A adesão do Município foi definida durante a Conferência Clean Up The World, realizada no Rio de Janeiro, com a presença do prefeito José Rechuan e do presidente da AMAR, Wilson Moura.


   - Nosso Município por intermédio de projetos socioeducacionais, anualmente, realiza eventos tratando da preservação do Meio Ambiente, e agora, estamos ampliando este trabalho com a adesão aos trabalhos do Dia Mundial de Limpeza - comenta o prefeito Rechuan.

   Durante a conferência - que contou com a participação de representantes de diversas cidades do estado e também do Maranhão para discussão de ações de limpeza de rios, praias e lagoas -, o presidente da AMAR, Wilson Moura, fez a apresentação da programação prevista para Resende, durante o Dia Mundial, que acontece no dia 21 de setembro.

   - Contando com a participação de voluntários, vamos realizar a limpeza das lagoas nos bairros Morada da Barra e Mirante das Agulhas, e também, com um grupo de ciclistas, contaremos com a limpeza da estrada rural que dá acesso ao balneário da Boca do Rêgo - destacou Moura, ressaltando que somado a este projeto, e ainda em comemoração ao Dia da Árvore, será realizado o plantio de mudas em vários pontos da cidade.

   O presidente Wilson Moura também destacou alguns projetos importantes que estão sendo trabalhados pela AMAR, como a demarcação das Áreas de Proteção Ambiental (APA) da Serrinha do Alambari, Engenheiro Passos, Rio Pomba e Cachoeira da Fumaça. Além disso, Moura destacou o trabalho que vem sendo feito em defesa da Lagoa da Turfeira.

   - Estamos acompanhando de perto a situação da lagoa, que deverá ser transformada numa Área de Proteção Ambiental. Agora em setembro, acontece uma Audiência Pública, a ser promovida pelo Ministério Público Federal, onde a Nissan apresentará um projeto para o local - comentou o presidente da AMAR.

   VOLUNTÁRIOS - Para a participação no Dia Mundial de Limpeza, a Agência do Meio Ambiente receberá a inscrição de voluntários. Os interessados deverão entrar em contato com a agência, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas, no Parque das Águas, no Jardim Jalisco.

   - É com muita alegria que recebemos Resende nesta ação, a primeira do Sul do Estado a aderir ao projeto. No dia 2 de setembro, vamos realizar a capacitação de coordenadores e voluntários da cidade, repassando as informações sobre as normas que deverão ser seguidas - destaca o coordenador do Instituto Aqualung, Hildon Carrapito.

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29 de agosto de 2013

S.O.S Florestas !!! – charge de Ivan Cabral

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http://www.ivancabral.com/

https://www.facebook.com/ChargistaIvanCabral

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SOS RIBEIRÃO JACARÉ ITATIBA/SP - UMA COMUNIDADE LUTANDO PARA RESGATAR SEU RIBEIRÃO



PROJETO JAPPA
JACARÉ RIBEIRÃO VIVO – Associação para Preservação Ambiental 

JAPPA - Jacaré Ribeirão Vivo Associação para Preservação Ambiental é uma ONG sem fins lucrativos e apartidário, que tem como objetivo levar Itatiba/SP a fazer o melhor possível no resgate, tratamento e conservação do Ribeirão Jacaré, que nasce no Município e o cruza desaguando no Rio Atibaia.

Fundada em maio de 2007, em outubro de 2008 conta com cerca de 1.500 associados e simpatizantes registrados.

Um grupo de pessoas de Itatiba, e mesmo de fora dela, simpatizantes e/ou atuantes do ideal de influir sobre a realidade ambiental imediatamente ao alcançe de seus esforços.

É a materialização do conceito de se PENSAR GLOBALMENTE E ATUAR LOCALMENTE.

O resgate do Ribeirão Jacaré é antes de mais nada um símbolo, que implica o desenvolvimento da educação/concientização ambiental e da busca da sustentabilidade.

                                       Ribeirão Jacaré - ITATIBA - SP


Este vídeo mostra a situacao do rio em 2008. Muito já foi feito, mas partes do problema ainda persistem. Apoie a vida, apoie água limpa!!



Arthur Guidi


Adote um Zé do Rio e ajude a JAPPA

CLIQUE E CONHEÇA O PROJETO JAPPA  


e no Facebook:  Jacaré Ribeirão Vivo - Jappa

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A CAPTAÇÃO EXCESSIVA DE ÁGUA DOS MANANCIAIS PARA IRRIGAÇÃO PREOCUPA AMBIENTALISTAS



A manutenção de áreas agrícolas consome cerca de 70% da água doce do mundo


Mais eficiência no uso da água na agricultura


Segundo pesquisa, o setor que mais gasta água precisa aperfeiçoar os métodos de irrigação

Da Redação da Revista Cyan

A agricultura é o setor que mais demanda água no mundo. Segundo os especialistas, a manutenção de culturas agrícolas é responsável por 70% da água doce consumida globalmente.
A captação excessiva de água dos mananciais para irrigação tem alarmado os ambientalistas. Em alguns casos, está colocando em risco a existência de rios, lagos e outros corpos d'água.
É o que ocorre, por exemplo com o Mar de Aral, na Ásia Central. A construção de canais para levar suas águas a campos de algodão, trigo, legumes e frutas está condenando o lago à morte.
Aperfeiçoar os métodos de irrigação é uma das 19 recomendações para solucionar a crise de água no mundo, segundo pesquisa feita pelas empresas Globescan e SustainAbility.
Mais de 1.200 especialistas foram consultados na formulação das 19 propostas, que vêm sendo divulgadas semanalmente pela Revista Cyan.
Uma forma de tornar realidade essa recomendação é usar efluentes industriais e domésticos tratados na irrigação de lavouras.
Um estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), revela que isso é possível. Antes de chegar ao campo, o esgoto precisa passar por uma desinfecção com radiação ultravioleta ou cloro, para evitar que organismos patogênicos presentes no efluente contaminem a área irrigada.
Outra técnica inovadora que visa à redução do gasto de água na agricultura está sendo testada na Califórnia (EUA). Produtores de amêndoas manejam a irrigação com um sistema inteligente, que diminuiu o gasto de água nos campos em cerca de 20%.
O método se baseia em dados de estações meteorológicas, de sondas no solo e de um aparelho que mede a captação de água pelas plantas.
A massificação de tecnologias como essas é um passo fundamental para tornar mais eficiente o consumo de água no campo e reduzir a pressão sobre as fontes de água doce do planeta.
Crédito foto: Inga Spence/Getty Images
CONHEÇA A REVISTA CYAN

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O Brasil pode ter sua matriz energética majoritariamente limpa até 2050 – se quiser


Energia limpa para revolucionar o futuro
O Brasil pode ter sua matriz energética majoritariamente limpa até 2050 – se quiser. É o que mostra a 3ª edição do relatório [R]evolução Energética, elaborado pelo Greenpeace


A participação das fontes renováveis pode ser 47% maior na matriz energética brasileira, nos próximos 40 anos, do que o projetado pela política atual do governo. Segundo o relatório [R]evolução Energética, divulgado hoje pelo Greenpeace,  a matriz pode contar com 66,5% de fontes como vento, sol e biomassa para alimentar os setores elétrico, industrial e de transportes em 2050.

Ao considerar apenas a matriz elétrica, a projeção é ainda mais dramática: 92% da eletricidade que alimentará o Brasil em quatro décadas pode ser limpa. Atualmente, esse cenário e a tradição nacional de renováveis neste setor estão em risco devido a decisões equivocadas da administração federal, que tem abraçado fontes sujas, como o carvão.

Em sua 3a edição no Brasil, o [R]evolução Energética propõe uma matriz energética limpa e sustentável com base nos recursos disponíveis e tecnologias atuais. Este cenário atende à necessidade futura de energia para o país e concilia crescimento econômico com preservação ambiental.
O estudo também demonstra como o uso racional e eficiente de energia em edifícios, indústrias e meios de transporte pode reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. Pelo cenário [R]evolução Energética, a demanda de energia é 25% menor em 2050 quando comparada com o cenário de referência, mesmo se o PIB crescer anualmente entre 2,5% e 3,7%.

O documento também indica caminhos para reduzir as emissões de CO2 do país. O conjunto de medidas proposto contribuiria para um corte de 60% dessas emissões até 2050 – de 777 milhões de toneladas por ano pelo cenário de referência para 312 milhões de toneladas pelo cenário proposto.
Até 2040, é possível abdicar da energia produzida pelas usinas nucleares, térmicas movidas a óleo combustível e carvão mineral, e evitar a construção de novas grandes hidrelétricas na Amazônia. Também é possível crescer sem explorar reservas não convencionais de gás e óleo, como o gás de xisto ou o pré-sal.

Para tornar isso realidade, o [R]evolução Energética prevê um significativo aumento do uso de fontes renováveis – serão 396 gigawatts de eletricidade em 2050 instalados, principalmente, por meio das fontes eólica, solar fotovoltaica, solar heliotérmica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas.
Em termos de investimento, a construção de menos termelétricas e a maior participação de renováveis poupará R$ 1,11 trilhão até 2050. Isso porque, apesar de um investimento maior – R$ 2,39 trilhões até 2050, R$ 690 bilhões a mais do que o governo pretende despender no mesmo período – as vantagens econômicas ficam evidentes ao se colocar na conta os altos gastos com combustíveis fósseis previstos no cenário de referência. Afinal, vento e sol são de graça, ao contrário de gás e óleo combustível.

Para o setor de transporte, o cenário prevê a necessidade que uma radical mudança do modal – hoje muito centrada no uso rodoviário e no automóvel – para o transporte por trilhos e coletivo. Também a indústria precisa adotar padrões mais rígidos de eficiência, com veículos menores e motores que consomem menos combustível. As energias renováveis responderão por 40% do consumo de combustíveis no setor de transporte até 2050. A participação da eletricidade chegará a 7% no mesmo ano.

“É técnica e economicamente possível atender à crescente demanda de energia do país de modo limpo e sustentável. E, neste sentido, o Revolução Energética é uma provocação pública pois tudo depende de vontade e visão política”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace no Brasil.

“A iminência de uma crise climática coloca desafios sem precedentes a todas as nações. Há um forte movimento mundial para se reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e aumentar a participação das energias renováveis”, diz Sven Teske, diretor de energias renováveis do Greenpeace Internacional. “O Brasil tem recursos naturais de sobra para se tornar uma potência energética limpa. Ao contrário do que acontecia no passado, as energias renováveis – em especial a solar fotovoltaica e eólica – são mais competitivas que o carvão e ainda utilizam recursos locais e criam mais empregos. Utilizar mais renováveis agora é mais uma vantagem econômica que um fardo e reduz a dependência de combustíveis importados”, conclui Teske.

Acesse aqui o relatório [R]evolução Energética: http://issuu.com/greenpeacebrasil/docs/sumario_relatorio
Informe do Greenpeace, publicado pelo EcoDebate, 29/08/2013
http://www.ecodebate.com.br/2013/08/29/o-brasil-pode-ter-sua-matriz-energetica-majoritariamente-limpa-ate-2050-se-quiser/

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Greenpeace protesta contra leilão de energia que prevê volta de usinas térmicas a carvão

Brasília, 28/08/2013 - Em protesto contra o retorno das térmicas a carvão, ativistas do Greenpeace despejaram carvão em frente ao Ministério de Minas e Energia
Brasília, 28/08/2013 – Em protesto contra o retorno das térmicas a carvão, ativistas do Greenpeace despejaram carvão em frente ao Ministério de Minas e Energia. Foto de Elza Fiúza/ABr.

Ativistas da organização não governamental Greenpeace fizeram na manhã desta quarta-feira (28) um protesto contra o retorno das usinas termelétricas a carvão no Leilão de Energia A-5, marcado para esta quinta-feira (29). Ativistas fantasiados de mineiros despejaram 1,5 tonelada de carvão em frente a uma das portarias do Ministério de Minas e Energia.

Um ativista caracterizado como o ministro Edison Lobão encenou um leilão de energia e protocolou uma carta da ONG endereçada ao titular da pasta contra a participação das usinas térmicas a carvão no leilão de energia. Em uma faixa lia-se a mensagem: Lobão, carvão no leilão não!

O leilão A-5 prevê a contratação antecipada de energia elétrica que só começará a ser produzida em cinco anos. As distribuidoras tentarão comprar, em 2013, energia que será entregue em 2018. Trinta e seis projetos serão ofertados no leilão: uma usina hidrelétrica, três usinas termelétricas a carvão, 16 termelétricas a biomassa e 16 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

Os três projetos de usina a carvão representam 52% da capacidade total do leilão, de 3.535 megawatts (MW). O Rio Grande do Sul concentra a maior oferta de geração cadastrada para o leilão, com 1.250 MW em dois projetos termelétricos movidos a carvão. O Rio de Janeiro tem um empreendimento de térmica a carvão habilitado com capacidade de 590 MW.

A coordenadora da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace, Renata Nitta, considera um retrocesso a liberação da entrada de térmicas a carvão no leilão de amanhã. “O governo insiste em retroceder na nossa política energética ao permitir a entrada de uma fonte tão poluente quanto o carvão, quando o Brasil tem um enorme potencial de energia eólica, solar e de biomassa, que são fontes renováveis e limpas e estão esperando a oportunidade de serem aproveitadas”, disse Renata.
Segundo ela, em 2009, o governo havia banido a participação de térmica a carvão em leilões de energia por ser uma fonte poluidora e pelos compromissos que assumiu voluntariamente de redução de emissões de gases do efeito estufa. “O governo diz que é necessário garantir a segurança energética. Isso é verdade porque nossa matriz é muito dependente da energia hidráulica. Mas falta planejamento para, no período da seca, quando o nível dos reservatórios está mais baixo, investir na geração de energia eólica e de biomassa,” afirmou a ativista.

No início de julho, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que considerava o retorno das usinas movidas a carvão mineral nos leilões um paradoxo ambiental. A volta do carvão aos leilões, explicou ele, ocorre em razão das restrições socioambientais à construção de hidrelétricas com grandes reservatórios na Bacia Amazônica. Outra razão são os preços ainda pouco competitivos do gás natural, menos poluente que o carvão.

Usinas eólicas e hidrelétricas sem reservatório são ecologicamente mais sustentáveis. No entanto, por dependerem de condições naturais estáveis (ventos e chuvas), enfrentam também dificuldades para serem implementadas. Segundo a EPE, a permanência do carvão nos próximos leilões vai depender das descobertas de gás natural que podem ocorrer nos próximos anos e dos investimentos para tornar o gás natural liquefeito mais barato.

Até a publicação desta reportagem, a assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia ainda não havia se pronunciado sobre o protesto do Greenpeace.

Edição: Denise Griesinger
Reportagem de Ana Cristina Campos, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 29/08/2013
http://www.ecodebate.com.br/2013/08/29/greenpeace-protesta-contra-leilao-de-energia-que-preve-volta-de-usinas-termicas-a-carvao/

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A SECA E AS INDÚSTRIAS SEDENTAS - ÁGUA PRA VER, MAS NÃO PARA BEBER

Nos arredores do Castanhão, o maior açude cearense, tem água pra ver, mas não pra beber

Matéria publicada no site do EcoDebate

Nos arredores do maior açude do Ceará, moradores de assentamentos, cidadezinhas e vilas sofrem com a seca enquanto a água passa diante dos seus olhos para abastecer o agronegócio, a indústria, e a capital, Fortaleza.






A Seca e as indústrias sedentas #MICROBOLSAS

 Reportagem do coletivo Nigéria, de Fortaleza, sobre o Eixão das Águas, uma das maiores obras de distribuição dos recursos hídricos do Ceará. À beira do canal de transposição, comunidades têm dificuldades de acesso à agua, enquanto o setor industrial tem subsídios e demanda 4 mil litros por segundo.

Leva-se uma hora para chegar da nova à velha Jaguaribara em um barco de alumínio com um motor de popa de 25 HP. A extensão do Castanhão, o maior açude cearense, impressiona, mas o nível d’água baixou tanto nos últimos dois anos que a antiga sede do município, inundada há uma década pela própria barragem, emergiu. A seca reduziu à metade a capacidade de 6,7 bilhões de metros cúbicos do Castanhão, que perde 22 mil litros de água por segundo, quase metade deles conduzidos pelo Eixão das Águas, o canal de transposição, à região metropolitana de Fortaleza. O sistema Castanhão-Eixão das Água responde por 37% da capacidade de armazenamento de água do Ceará.

A reaparição da antiga Jaguaribara, que jazia sob a obra de engenharia hidráulica que prometia reduzir drasticamente os efeitos da seca no Vale do Jaguaribe, tem um quê de fantasmagórica no período mais árido que o Ceará enfrenta nos últimos 50 anos. Dos 184 municípios do entorno do rio Jaguaribe, represado pela barragem, 175 estão em situação de emergência. A nova Jaguaribara, a cidade planejada que substituiu a que foi submersa pelo açude, está sendo abastecida por carros-pipa e seus moradores chegam a pagar R$ 8 o quilo do feijão, enquanto os pequenos agricultores às margens do Eixão, o canal que abastece Fortaleza, precisam repartir a água com os animais e vêem suas lavouras perdidas.

A mais de 200 quilômetros dali, porém, o Castanhão, via Eixão das Águas, garante a água na capital cearense e, em breve, vai suprir também a demanda hídrica do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, o maior projeto de infraestrutura para o desenvolvimento econômico do Ceará, localizado na região metropolitana da capital. Resta apenas concluir o quinto trecho do Eixão das Águas – que então terá 255 km de extensão – o que está previsto para setembro.
A água do Castanhão vai completar seu trajeto do sudeste do Estado, onde está o açude, ao litoral cearense. O objetivo é final é o complexo industrial conjugado ao porto, que vem registrando crescimentos anuais entre 20% e 30%, composto por uma siderúrgica da Vale, uma refinaria da Petrobrás e duas usinas termelétricas da empresa MPX,do grupo de Eike Batista – que já opera com uma das usinas e vai colocar a outra em funcionamentonos próximos meses. As duas usinas térmicas, planejadas para gerar 1.085 MW, vão consumir até 800 litros de água por segundo. A demanda total de água prevista para o complexo é de 5 mil l/s de “água bruta” – o termo técnico para a água doce não tratada.

Dez anos de promessas não cumpridas

Em um cenário em que 71 dos 143 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (COGERH) estão com níveis abaixo de 30%, o Castanhão, inaugurado em 2003, cumpre missão de seguir abastecendo Fortaleza, que concentra mais da metade da população do Estado, e de parte considerável do agronegócio no Estado, como a produção de frutas para exportação no perímetro irrigado da Chapada do Apodi, com altas taxas de crescimento. Mas, como mostra a situação dos moradores de Nova Jaguaribara, ainda não trouxe benefícios à população local, nem mesmo aos que perderam suas casas para a obra.

Dos 22 mil litros por segundo de vazão do Castanhão, 10 mil seguem pelo Eixão das Águas e 12 mil são despejados no leito do Rio Jaguaribe – o maior rio cearense, com cerca de 600 km de extensão, margeado por empreendimentos do agronegócio. Esse volume de água explica por que, ao contrário de Recife, por exemplo, nem a seca prolongada trouxe ameaça de racionamento à capital cearense, destaca o coordenador geral do Complexo do Castanhão, José Ulisses de Sousa, engenheiro do Departamento de Obras Contra as Secas (DNOCS).

Por outro lado, nem todos os 18 assentamentos planejados para receber as famílias desalojadas pela barragem foram concluídos. A maior parte dessas famílias era arrendatária de terras alheias e não recebeu indenização pelas casas perdidas. Na ponta final do Eixão das Águas, a obra atingiu os índios Anacé, que tiveram uma lagoa aterrada, riachos represados e perderam suas terras para grandes indústrias e para a infraestrutura do governo.

Houve esperança no início. Os primeiros assentamentos a serem construídos, como o Curupati Peixes, desenvolveram com sucesso a piscicultura em Jaguaribara, e hoje o Castanhão é pontilhado por gaiolas para a criação de peixes em cativeiro, principalmente tilápias. Segundo, o engenheiro Ulisses, “é o maior parque piscicultor do País”. Outros assentamentos foram destinados à pecuária leiteira, como o Mandacaru, em que cada família recebeu três hectares de terra para o cultivo do pasto. Mas as “matrizes” – as vacas leiteiras – que deveriam chegar de Minas Gerais, como prometido à época da inundação, uma década depois ainda não chegaram.

“Concordo que é um pouco tarde”, concede Ulisses. “É a questão da burocracia do sistema do governo brasileiro. Nós temos vários órgãos fiscalizadores, temos uma Lei de Licitações engessada, que proíbe a gente de correr. Não tem como. A gente fica engessado. Tem que esperar licitação, Procuradoria dar parecer, ai demora mesmo. Agora que é tarde, é”, reconhece o engenheiro. “Existe um débito do governo com essas comunidades, mas em nenhum momento parou-se de trabalhar em cima de alcançar o objetivo do projeto inicial do Castanhão”, afirma.
Ulisses também reconhece que é um “absurdo” que as comunidades às margens do Castanhão tenham que ser abastecidas através de carros-pipa. Dos 820 caminhões da Operação Carro-pipa no Ceará – coordenada pelo Exército e pela Defesa Civil e responsável por atender a 134 municípios do estado –, dois deles abastecem exclusivamente Jaguaribara, incluindo casas da sede do município.

“Essas coisas pretas são do pipa mesmo”

O dono e motorista de um destes caminhões é Fabiano Souza, de 33 anos, que encontramos despejando 8 mil litros de água na cisterna do agricultor Francisco Ferreira Sobrinho, o seu Zé Vital, a cerca de 300 metros de uma das margens do açude. A água é captada a alguns quilômetros dali, na estação de tratamento da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE), e não tem muito boa cara dentro da cisterna de seu Zé Vital.

“Essas coisas pretas assim são do pipa mesmo, ferrugem talvez. Não tem problema não porque a gente bota no filtro e bota na geladeira. A gente bebe dela aqui e nunca ninguém adoeceu, não”, confia seu Zé Vital.

No centro comercial de Jaguaribara a revolta com a falta d’água na vizinhança do açude transborda na fala de Dona Jacinta Sousa, 48 anos. Para reforçar a dificuldade por que passa o município ela pega uma maletinha de ferramentas repleta de pequenos blocos de anotações, que registram os muitos débitos não saldados em seu comércio. “Eu tenho raiva quando pego nela!”, diz, fechando a valise e jogando-a mais uma vez para debaixo de seu birô.

Em Jaguaribara, quase todas as mercadorias vêm de fora. Segundo os entrevistados, o peixe, criado nos projetos de piscicultura, é a única opção de renda da cidade – além das aposentadorias, das bolsas governamentais e dos empregos na Prefeitura. Praticamente todas as frutas e verduras do comércio vêm de Fortaleza ou da Chapada do Apodi, com preços inflacionados pela seca. Ou seja, além do prejuízo na lavoura, os pequenos agricultores precisam pagar até duas vezes mais para comer.

As chuvas de abril, maio e junho, que amenizaram os impactos da estiagem, não significaram o fim da seca – especialmente porque o segundo semestre é naturalmente o período de estio no semiárido brasileiro. Também não alteraram consideravelmente os níveis dos açudes, apenas dois deles estão com mais de 90% de seus níveis máximos: Curral Velho e Gavião, ambos alimentados pelo Castanhão. O primeiro, localizado no município de Morada Nova, é o marco entre os trechos I e II do Eixão das Águas; o segundo, na região metropolitana de Fortaleza, fica na intersecção entre os trechos IV e V, de onde parte tanto a água da capital quanto a tubulação de 55 km  que leva ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP).

No percurso entre um e outro reservatório, porém, populações das margens do canal sofrem com a escassez de água – como os moradores do Assentamento Amazonas e da comunidade Piauí de Dentro, localizados na fronteira entre os municípios de Morada Nova e Russas.

No Assentamento Amazonas, que cobre uma faixa de terra de 3.700 hectares, cortada pelo Eixão, o ano passado e os primeiros três meses deste foram improdutivos, com água suficiente apenas para a sobrevivência. Além do abastecimento do carro-pipa, que enche as cisternas de uma a duas vezes por semana, uma outorga da COGERH autorizou retirar 15 mil litros de água por dia do canal. Mas, embora o assentamento exista há 15 anos, não há adutora instalada para abastecer as mais de 50 famílias. Eles têm que pagar um trator para transportar a água, por 25 a 30 reais a “carrada” (mil litros). Conforme o tamanho do rebanho e da família, isso significa desembolsar até R$ 150 por semana, retirados das bolsas governamentais e aposentadorias.

Os assentados Irmão Nem, presidente da associação dos assentados, e Antônio Porfírio, o Tonhão, que ocupava esse cargo quando foram feitas as negociações para que o canal cortasse a terra do assentamento, afirmam que até hoje as promessas da época da construção do Eixão das Águas não foram cumpridas.
“Na época, eles indenizaram essa parte aqui [a faixa de terra por onde hoje passa o canal]. Mas quando foi pra passar o pique, veio uma equipe do governo e prometeu que deixava áreas irrigadas aqui pra nós. No caso, ele prometeu 50 hectares, pelo menos meio hectare de irrigação pra cada um. Sendo 46 de irrigação e 4 hectares de tanque de peixe. Mas infelizmente já se passou o tempo e até hoje ninguém encontrou isso aí”, conta Irmão Nem.


Na Fazenda Melancias tem água

A poucos quilômetros dali, porém, uma adutora abastece a Fazenda Melancias, propriedade da Agropecuária Esperança que pertence a um dos maiores grupos econômicos do Ceará – o Grupo Edson Queiroz, dono de emissoras de televisão e rádio, jornal, universidade, fábricas de eletrodomésticos, distribuidoras de água mineral e gás butano etc. Dois grandes canos captam água do Eixão para irrigar a pastagem, que alimenta o rebanho de ovinos e caprinos. Entre 2003 e 2011, a empresa foi flagrada três vezes pelo Ministério Público do Trabalho pelo uso de trabalho escravo em outras de suas fazendas no Maranhão e no Piauí.

Na lista de outorgas para o Eixão, sete estão em nome da Agropecuária Esperança, totalizando uma vazão de 2.318 litros por segundo. Questionado sobre o assunto, o diretor de Planejamento da COGERH, João Lúcio, afirmou que a vazão para a fazenda foi reduzida para priorizar o abastecimento da grande Fortaleza na estiagem, e negou a existência de privilégios no acesso à água.

“Se houver disponibilidade, essa água vai atender o pequeno e vai atender o grande. Não desconhecemos a questão política, porque a gente sabe que a sociedade tem suas correlações de forças, mas nós temos nossa visão aqui na COGERH. Se tiver água, nós vamos atender os pequenos e vamos atender o grande”, insistiu.

De fato, a lista com 240 outorgas ao longo do canal é formada principalmente por pequenos usuários, que consomem volumes entre 0,4 e 10 l/s. Contudo, não é possível precisar quantos destes estão na mesma situação do Assentamento Amazonas, que possui a outorga, mas não a adutora. A instalação da adutora é de responsabilidade de quem solicita a outorga e os trabalhadores rurais não tem como bancar esse custo, o que prejudica toda a atividade econômica nas pequenas propriedades.

Mesmo quando já investimento do Estado para as adutoras, outros problemas podem inviabilizar o abastecimento das comunidades. A Secretária de Recursos Hídricos – órgão ao qual está subordinada a COGERH – investiu R$ 6,5 milhões em 23 sistemas de abastecimento que atendem a 32 comunidades localizadas a uma distância de até 2 km das margens dos trechos I, II e III do Eixão. Segundo a secretaria, foram construídas infraestrutura de captação, adução, reservação e chafariz para estas comunidades e outros 12 sistemas estão em fase de licitação. No entanto, ressalva feita pela própria assessoria do órgão, seis dos sistemas já instalados estão parados por falta de infraestrutura suficiente de energia elétrica, de responsabilidade da Companhia Energética do Ceará.

 Da varanda se vê, mas não chega na casa

Apesar de não ter sido citada pela secretaria, este parece ser o caso da comunidade de Piauí de Dentro – vizinhas ao Assentamento Amazonas –, em que as 60 famílias  continuam sem acesso à água do Eixão. A agricultora Maria Glécia, de 31 anos, conta que a adutora instalada pelo programa da SRH com recursos do Fundo de Combate à Pobreza funcionou durante uma hora e meia. Há mais de um ano está parada, assim como estão sem uso a caixa d’água e o chafariz construídos para distribuir a água.

“Agora tá até bom, tá chovendo um pouquinho… Mas foi ruim, viu? 2012 a gente vendo os bichos morrer… E a gente também. Tinha dia que não tinha água. A gente sabia que tinha aqui, mas como tirar?”, pergunta.

Glécia mora com a família a menos de 40 metros do canal. A varanda dá vista para o cânion de 30 metros de profundidade formado depois que o topo de serra foi dinamitado para a passagem da água, por gravidade, do Castanhão ao litoral. Mas, como não é possível manualmente puxar a água através do cânion, ela precisa percorrer 3 km até encontrar um trecho do Eixão ao nível do terreno. O motor que deveria bombear a água queimou logo após ser ligado. Nem o eletricista enviado pelo governo, nem as inúmeras visitas semanais que seu pai, líder comunitário, fez à sede do município de Russas, deram jeito na situação.

Glécia, o marido Josemberg, o irmão Wagner e o cunhado Getúlio não sabem dizer quantas cabeças de gado perderam pela falta de água ou mesmo por caírem dentro do canal ao escorregarem no desfiladeiro, que não possui qualquer proteção. Outras tantas foram furtadas depois que o trânsito de pessoas aumentou na área com a abertura da estrada que margeia o canal. Por isso, ninguém cria mais gado solto ali.

As obras do Eixão trouxeram outros impactos graves à comunidade. As pedras e sedimentos gerados pela obra, assim como a engenharia utilizada para o desvio do curso da água, acabaram por aterrar parte de uma lagoa e de um açude da comunidade, hoje água salobra. O cânion separou de um lado a vila de casas e do outro os lotes de terras dos moradores, o que transformaria um percurso original de poucos metros num jornada de 3 km cada trecho, não fosse a resistência. Foi preciso a comunidade se mobilizar e passar três dias inteiros deitada sobre dinamites até conseguir a garantia do governo de que seria construída uma ponte no local.

Para a indústria, água subsidiada

A lista de outorgas de uso de água para o CIPP já soma uma demanda de 3.860 l/s, incluindo empreendimentos que ainda serão instalados, como a Companhia Siderúrgica do Ceará. A CSP, um investimento da Vale em parceria com as multinacionais sul-coreanas Dongkuk e Posco, lidera a lista com uma demanda de 1,5 mil l/s, quando entrar em operação em 2017. Mas, no momento, a COGERH já fornece uma vazão de 55 l/s para a fase de terraplanagem. A demanda da CSP inclui o consumo de água a termelétrica que será construída para fornecer energia à siderúrgica.

As duas usinas termelétricas da MPX possuem duas outorgas no valor total de 800 l/s, volume que deverá ser usado na totalidade quando a segunda unidade entrar em operação, no segundo semestre. Não é tão grande se comparado ao utilizado pela agricultura irrigada, que representa cerca de 60% da demanda do estado, mas está entre os maiores da indústria. Além disso, ao contrário do que ocorre em projetos semelhantes da MPX no Chile e no Maranhão, as térmicas do Pecém não dessalinizam a água do mar, que fica a poucos quilômetros da usina.

No vídeo institucional das térmicas do Pecém, a empresa chega a se gabar da “abundância” de água: “Além do carvão mineral, outra matéria é necessária para a geração de energia: a água. Nessa região, ela é encontrada em abundância devido à proximidade com o reservatório da COGERH.”

O reservatório ao qual o vídeo se refere é o Açude Sítio Novos, com capacidade para 50 mil m³, ou seja, um açude de pequeno porte. Não por acaso, afora o Eixão das Águas, cinco outras cinco barragens de mesmo tamanho serão construídas para abastecer o pólo industrial – como mostra o documento “Cenário Atual do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (versão preliminar)”, produzido pelo Pacto pelo Pecém, uma articulação de várias instituições em torno do projeto do CIPP, capitaneada pelo Conselho de Altos Estudos da Assembleia Legislativa do Ceará, fortemente engajada na concretização do CIPP.

Alguns deputados estaduais chegaram a formar uma caravana para percorrer o Estado com o objetivo de pressionar a Petrobrás para iniciar a construção da Refinaria Premium II – que compõe com a siderúrgica da Vale os empreendimentos-âncora do complexo –, e as matérias de interesse do CIPP são tratadas com deferência na assembléia. Em junho de 2011, por exemplo, os deputados estaduais aprovaram um desconto de 50% no preço da água consumida pelas térmicas da MPX, o que foi contestado por parte da opinião pública cearense.

Os subsídios, uma tradição da política econômica do Nordeste desde pelo menos os primórdios da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) na década de 1960, são defendidos até hoje pelo secretário estadual de Recursos Hídricos, César Pinheiro: “Pra você trazer empresas pro Nordeste, você tem que fazer um incentivo. Então pra térmica nós demos um desconto de 50%, mas nós fizemos uma coisa que não é discutida. A térmica fica parada durante um período do ano e nesse período ela paga água. Quer use ou não, nós estamos cobrando dela e é um valor significativo. Então não é 50%, porque quando ela não está usando, nós estamos cobrando. Isso dá um balanço para que nós não tenhamos prejuízo”, diz Pinheiro.

A lei que instituiu o desconto estabelece que a empresa deve consumir no mínimo 7.200.000 m³ por ano, o que representa aproximadamente 228 l/s. Se o número for confrontado com os 800 l/s previstos na outorga, portanto, em três meses e meio as térmicas atingem a cota mínima determinada. A reportagem da Pública entrou em contato com a assessoria da MPX para uma entrevista sobre as tecnologias de reuso de água e redução da emissão de gases poluentes das duas térmicas do Pecém. Mas foi informada de que a empresa não poderia se pronunciar por estar no “período de silêncio”, uma determinação da Comissão de Valores Mobiliários que tenta impedir que empresas envolvidas no momento em transações influencie o mercado.


ANÁLISE CRÍTICA DA PROBLEMÁTICA INTER-RELACIONADA

Em face do exposto o que pensarmos da malfadada transposição do Rio São Francisco. Obra estimada inicialmente para 4 bilhões e que agora vai em quase 20 bilhões sem se chegar à metade da obra? Será crível que a água conduzida num dos eixos em mais de 200 km será para as finalidades prioritárias de abastecimento ou vem na mesma esteira do que se configura no caso do Ceará (Castanhão) só para agronegócio insustentável e promotor de degradações sócio-hidroambientais de largo espectro? Como se pode admitir isso, tomando a água como bem público, supostamente inalienável, devendo ter como linha mestra os usos prioritários e múltiplos em uma suposta gestão descentralizada, participativa e integrada para atendimento primeiro para as necessidades mais essenciais seja subvertido por essa ótica nefasta de “mercadologia da água”? A água já foi “comoditizada” e já se apresentam as garras do poder hegemônico do grande capital para sua apropriação que começa com a partir mesmo das melhores águas “minerais” que são engarrafadas e valem mais que a gasolina, sendo vendidas em profusão por todos os cantos a peso de ouro.


A gestão democrática da água, nesta perspectiva, não passa de um sofisma de enganação muito bem urdido e consolidado pelos políticos nefastos que grassam também como pragas irremediáveis.  E pensar que as multinacionais também como “pragas invasoras” que são, chegam aqui com o apoio espúrio das instâncias governamentais, com o propósito de usar e abusar do bom e do melhor que o Brasil tem. Um povo já tão vilipendiado, sobretudo em região de Semiárido, encravada em região de Polígono da Seca, vulnerabilizada ao longo do decurso histórico pela ausência quase absoluta das políticas públicas (nas 3 esferas).


Segundo Roberto Malvezzi (Gogó) O olhar “sudestino” sobre o Semiárido costuma dizer que aqui nada muda e que hoje a nossa realidade ainda é a mesma denunciada por Graciliano Ramos em sua obra prima “Vidas Secas”, o que não deixa ser ser uma atroz realidade imodificável no tempo e no espaço do movimento do nordestino sofrido com a grande e mais terrível “seca de gestão” promovida pelos políticos nefastos que se apropriam do poder do Estado para se consorciarem com interesses espúrios e nefastos.

Isso porque o Sudeste sempre se valeu o Nordeste, sobretudo o São Francisco para impor seu interesse hegemônico de demanda de energia etc., sem nenhuma visão prioritária de universalização do acesso à água. Neste diapasão temos quase metade do território da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, numa extensão de 1.800 kmcom o povo ribeirinho morredno de sede e fome.

Então surgem os ádvenas para se aboletarem das água, dos recursos naturais, degradando e esterilizando o solo, adulterando as sementes, promovendo a escravidão branca por meio do subemprego (que não chega nem para as primeiras necessidades) deixando-os expostos a venenos que já foram abolidos em outros países, lançados indiscriminadamente e sem contenção contaminando as águas e o solo. E a parte final é que saem com os bolsos cheios de dinheiro e deixando um largo espectro de degradação em todas as dimensões sócio-hidroambientais.

E logo vem a mineração, que custeia a dívida interna do Brasil, com sua demanda de água para 2030, em grande quantidade, com o fito somente de degradar, amealhar toda a riqueza, concentrando todo o lucro e um passivo atirado nas costas da sociedade, que terá que arcar com a mais terrível destruição, que se torna irremediável, posto que não existe nenhum processo de recuperação de área minerada no Brasil. As mineradoras são as mais exigentes e vorazes saqueadoras de água, dando-se ao despropósito de exigir para reservações de longo prazo.

Neste contexto se afigura uma grande preocupação em nível alarmista mesmo, concernente à problemática que teremos que enfrentar, impostergavelmente, no que tange à questão da água, “causa causorum” de todos os conflitos emergentes que advirão em um crescente exponencial até os conflitos mais terríveis em escala local e global, consoante o que já foi previsto e alertado pelo ecólogo e limnólogo brasileiro José Galizia Tundisi. O palco já está montado para os conflitos e os atores já entraram em cena. Falta agora a contraposição necessária, adstrita aos movimentos das ruas, incorporando esta e outras demandas igualmente justas e necessárias, porém não só com muitas pernas, mas com uma boa cabeça que o possa conduzir correta e firmemente uma revolução determinada a obstar cada um e todos esses problemas que afligem o nosso país e o nosso povo, dominado pela má gestão e pela invasão de ádvenas que tudo querem, tudo podem e tudo conseguem do melhor que o Brasil tem, com o beneplácito dos governos “entreguistas” a expensas de nosso povo e de nossas riquezas, comprometendo o alcance intergeracional. Um “Acorda Brasil” de verdade, bem estruturado e definido, com delineamentos bem postos e disposto a sufocar e obstar todo intento contrário à libertação dessas mazelas desgraçadas a que o Brasil está exposto multissecularmente.

Luiz Dourado
Membro de Câmara Técnica do CBH São Francisco
membro do CBH Salitre


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