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27 de julho de 2012

Maior utilização de pesticidas no cinturão verde paulista nos últimos três meses

Chuva faz produtor de hortaliças usar mais agrotóxicos

Produtores e especialistas observam maior utilização de pesticidas no cinturão verde paulista nos últimos três meses

por Agência Estado - 27/07/2012
 Shutterstock
Os efeitos do atípico período chuvoso em São Paulo desde maio - o mais intenso em quase três décadas - já impactam os produtos agrícolas consumidos pelos paulistanos. Segundo técnicos e produtores, verduras e legumes têm sido cultivados com mais agrotóxicos para compensar o inesperado excesso de umidade. O excedente da chuva também dificulta o plantio de orgânicos, que já são encontrados em menor quantidade nas feiras.

Os números só serão conhecidos em agosto, quando oMinistério da Agricultura consolidar os dados que o Plano Nacional de Controle de Resíduos Contaminantes (PNCRC)coletou até o dia 30 de junho. Mesmo assim, produtores e especialistas afirmam que tem havido um maior uso de pesticidas no cinturão verde paulista nos últimos três meses, especialmente em folhosas (alface, rúcula e brócolis) e solanáceas (pimentão e tomate).

"O outono e o inverno estão prejudicando muito a agricultura paulista neste ano. O último grande período úmido assim havia sido em 1983", afirma o pesquisador Marcelo Bento Paes de Camargo, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). "Isso se reflete na necessidade do combate químico em produtos como laranjacana-de-açúcar e as hortaliças, que são mais frágeis."

produtor e agrônomo Gérson Saiki, que planta em Cotia e vende na Ceagesp, nega ter compensado o decréscimo de produtividade com agrotóxicos, mas relata que em sua região produtores têm usado do artifício. "O pessoal está descapitalizado por causa do verão pouco lucrativo que tivemos e tenta salvar a produção a qualquer custo", afirma.

O inverno com temperaturas brandas em São Paulo tampouco tem facilitado a vida dos agricultores. O clima frio, segundo especialistas, auxilia no controle das doenças fúngicas e bacterianas.

"É o motivo pelo qual o inverno seco é a estação mais propícia para o cultivo de hortaliças. Mas a alta umidade, com temperaturas amenas, aumenta o risco de doenças e, assim, o uso de agrotóxicos pode duplicar e até triplicar", explica o agrônomo Carlos Lopes, da Embrapa Hortaliças
Orgânicos 
Entre os produtores orgânicos, que evitam o uso de pesticidas sintéticos, o excesso de chuva tem inibido o plantio. Com isso, itens como alfacerúcula e brócolis têm tido menos oferta, e com qualidade inferior.

Sidnei Gomes, produtor de Mogi das Cruzes, afirma que perdeu até 30% da produção de hortaliças. "Com tanta água, nem adianta plantar porque não cresce", diz o agricultor, que vende vegetais nas feiras livres do Pacaembu, Água Branca e Ceagesp.

João Evangelista, que também comercializa seus produtos orgânicos no Parque da Água Branca, afirma que há dois meses não planta rúcula. "Em épocas boas, conseguia oferecer 800 caixas de verduras e legumes por mês. Atualmente, mal tenho conseguido produzir 600", afirma.

Os agricultores que menos sentem o impacto da chuva são os que plantam em solo coberto - e cobram mais caro por isso. O comerciante João Roberto Françolim, de 47 anos, que costuma fazer compras na feira da Ceagesp, reclama dos preços. "O tomate quase dobrou de valor. Além disso, a alface está muito menor. No saco plástico que ficava cheio com uma peça, hoje cabem duas com folgas."


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Ceagesp ignora quantidade de pesticidas


Ceagesp ignora quantidade de pesticidas

27 de julho de 2012 | 3h 02
O Estado de S.Paulo
Maior distribuidor de produtos agrícolas do País, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) desde outubro deixou de ter controle próprio sobre a quantidade de pesticidas presentes nas verduras e legumes que passam pelo local. O centro de armazenagem alega que não tem recursos para fazer a análise de resíduos de agrotóxicos após o fim do subsídio do Ministério da Agricultura, há nove meses.
Com a opção de fazer o controle diretamente entre os produtores, em diversas partes do País, o governo limitou o pagamento de análises laboratoriais de 410 amostras anuais para 230. "Consideramos que não seria uma avaliação representativa e optamos por não fazer", afirma Ossir Gorenstein, responsável pelo Centro de Qualidade Hortigranjeira da Ceagesp. "Hoje, é inviável o pagamento com recursos próprios, pois há outras prioridades. Cada amostra custa entre R$ 500 e R$ 600."
Segundo Gorenstein, o risco maior está na saúde dos agricultores, que lidam diretamente com os produtos químicos em alta dosagem. "Temos programas de incentivo à produção sem agrotóxicos, mas é importante haver nosso próprio banco de dados. Hoje, não sabemos o estado do uso de pesticidas dos produtos que chegam à Ceagesp."
Fábio Florêncio, coordenador-geral de qualidade vegetal do ministério, afirma que a decisão de expandir a análise ocorreu por causa da falta de rastreabilidade dos produtos que entravam na Ceagesp. "Mesmo com as notas fiscais, tínhamos problemas para identificar a origem dos produtos. Optamos por fazer o trabalho mais focado no produtor e, por isso, a Ceagesp teria um número de amostras mais reduzido", explica. / B.D.

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24 de janeiro de 2012

CAMPANHA PERMANENTE CONTRA OS AGROTÓXICOS E PELA VIDA

Os Agrotóxicos no Brasil
O Brasil é o líder do ranking mundial de consumo de agrotóxicos. O uso excessivo dos agrotóxicos está diretamente relacionado à atual política agrícola do país, adotada desde a década de 1960. Com o avanço do agronegócio, cresce um modelo de produção que concentra a terra e utiliza altas quantidades de venenos para garantir a produção em escala industrial. O campo passou por uma “modernização” que impulsionou o aumento da produção, no entanto de forma extremamente dependente do uso dos pacotes agroquímicos (adubos, sementes melhoradas e venenos). Assim, mais de um milhão de toneladas de venenos foram jogados nas lavouras somente em 2010, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), na última safra foram comercializados mais de 7 bilhões de dólares em agrotóxicos. Todo este mercado está concentrado em apenas seis grandes empresas transnacionais, que controlam mais de 80% do mercado dos venenos. São elas: Monsanto; Syngenta; Bayer; Dupont; DowAgrosciens e Basf. Nesse quadro, os agrotóxicos já ocupam o quarto lugar no ranking de intoxicações. Ficam atrás apenas dos medicamentos, acidentes com animais peçonhentos e produtos de limpeza.
Os ingredientes ativos presentes nos agrotóxicos podem causar esterilidade masculina, formação de cataratas, evidências de mutagenicidade, reações alérgicas, distúrbios neurológicos, respiratórios, cardíacos, pulmonares, no sistema imunológico e no sistema endócrino, ou seja, na produção de hormônios, desenvolvimento de câncer, dentre outros agravos à saúde. O uso de agrotóxicos está deixando de ser uma questão relacionada especificamente à produção agrícola e se transformando em um problema de saúde pública e preservação da natureza.
A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
A Campanha é um esforço coletivo, assumido por um conjunto de organizações e pessoas, que visa combater a utilização de agrotóxicos e a ação de suas empresas (produtoras e comercializadoras), explicitando as contradições geradas pelo modelo de produção imposto pelo agronegócio.
Objetivos da Campanha
• Construir um processo de conscientização na sociedade sobre a ameaça que representam os agrotóxicos, denunciando os seus efeitos degradantes à saúde (tanto dos trabalhadores rurais como dos consumidores nas cidades) e ao meio ambiente (contaminação dos solos e das águas)
• Fazer da campanha um espaço de construção de unidade entre ambientalistas, camponeses, trabalhadores urbanos, estudantes, consumidores e todos aqueles que prezam pela produção de um alimento saudável que respeite ao meio ambiente;
• Denunciar e responsabilizar as empresas que produzem e comercializam agrotóxicos. Criar formas de restringir o uso de venenos e de impedir sua expansão, propondo projetos de lei, portarias e outras iniciativas legais.
• Pautar na sociedade a necessidade de mudança do atual modelo agrícola que produz comida envenenada para um modelo baseado na agricultura camponesa e agroecológica


As principais exigências da Campanha
• Exigir que o MDA e Banco Central determinem a que seja proibido a utilização dos Créditos oriundos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF para a aquisição de agrotóxicos, incentivando a aquisição/utilização de insumos orgânicos e a produção de alimentos saudáveis;
• Exigir da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – a reavaliação periódica de todos os agrotóxicos autorizados no país, além de aprofundar o processo de avaliação e fiscalização à contaminação de água para consumo público;
• Que os governos estaduais e assembleias legislativas proibam a pulverização aérea (feita pela aviação agricola) de agrotóxicos em seus estados;
• Que o Ministério da Saúde organize um novo padrão de registro, notificação e monitoramento no âmbito do Sistema Único de Saúde dos casos de contaminações, seja no manuseio de agrotóxico, seja na contaminaçãopor água, meio ambiente ou alimentos, orientando a todos profissionais de saúde para esses procedimentos;
• Que haja fiscalização para que se cumpra o código do consumidor e todos os produtos alimentícios tragam no rótulo se foi usado agrotóxico na produção, dando opção ao consumidor de optar por produtos saudáveis;
• Aumentar a fiscalização das condições de trabalho dos trabalhadores expostos aos agrotóxicos, desde a fabricação na indústria química até a utilização na lavoura e o manuseio no transporte;
• Exigir que o Ministério Público Estadual e Federal, e organismos de fiscalização do meio ambiente, fiscalizem com maior rigor  o uso de agrotóxicos e as contaminações decorrentes no meio ambiente, no lençol freático e nos cursos d’água.

* Conheça o site : http://www.contraosagrotoxicos.org/index.php/campanha

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