Primeira Travessia a nado no Rio Tietê em 1924 (Crédito de imagem: Acervo do Clube Esperia)
Projeto enfrenta problemas como descontinuidade e uso político
ESPECIAL PARA A FOLHA
Passadas duas décadas desde que o jacaré Teimoso - como foi apelidado pelos paulistanos - apareceu nas águas poluídas do Tietê, na capital, e despertou a atenção da sociedade para a necessidade de despoluir o maior rio do Estado, persistimos engajados nessa luta.
A descontinuidade das obras do projeto Tietê durante as sucessões administrativas, o descaso com o saneamento básico, a falta de entendimento da sociedade de que os investimentos em saneamento resultam em saúde pública e, sobretudo, a transparência na gestão do programa ainda são os principais desafios a serem vencidos.
A falta de transparência e a ausência de um pacto para gestão integrada da bacia hidrográfica do Alto Tietê - que engloba os 34 municípios da região metropolitana - durante a primeira etapa do projeto, associada a seu uso político, com a divulgação em ano eleitoral de que, em curto espaço de tempo seria possível beber água do rio, por pouco não fizeram com que ele caísse em descrédito.
Desde 1993, a SOS Mata Atlântica faz a coleta e a análise da qualidade da água do rio, ao longo dos seus 1.100 km.
Durante a segunda etapa, realizamos análises mensais de qualidade da água em 350 pontos de coleta e conseguimos comprovar que o Tietê está "saindo da UTI" na medida em que o volume do esgoto coletado e tratado aumenta na região metropolitana e que a carga de poluição exportada para outras regiões recua.
A meta divulgada para 2015 é exequível. A sociedade pode priorizar o projeto Tietê e pressionar para que obras e ações planejadas para a quarta etapa sejam antecipadas e executadas conjuntamente com as metas desta fase atual.
A Sabesp tem capacidade técnica, financeira e política para isso. Assim como para trazer outros atores para promover ações conjuntas de recuperação de matas ciliares, para aumentar a eficiência na coleta e reciclagem de resíduos sólidos, promover o replanejamento integrado da bacia e a desmarginalização de rios urbanos, entre outras ações, como educação ambiental.
Esses esforços podem contribuir, em muito, para os avanços esperados e para que o cidadão possa voltar a usar o rio.
MALU RIBEIRO é coordenadora da Rede de Águas da Fundação SOS Mata Atlântica
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Jacaré do rio Tietê agora vive em parque ecológico
Muita gente não se lembra, mas o poluído rio Tietê, em São Paulo, já teve um morador inusitado: um jacaré-de-papo-amarelo.
Ele morava em uma área bastante urbanizada e com poucas chances de vida. Mesmo assim, sempre escapava das tentativas de captura feitas pelos biólogos. A teimosia do bicho era tão grande que ele até recebeu um nome: "Teimoso".
Essa história aconteceu há 20 anos, em 1992. E, na época, Teimoso se tornou um símbolo da luta pela despoluição do rio Tietê.
Mas onde está Teimoso agora?
Pois o bicho segue vivo e mora atualmente no PET (Parque Ecológico do Tietê), na zona leste da capital. Mas, desta vez, em uma área tranquila e livre de poluentes, com mais de 15 milhões de m².
Quem quiser visitá-lo deve entrar em contato com o parque, que promove atividades ecológicas como trilhas.
| Divulgação | ||
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| Jacaré "Teimoso", em parque ecológico em São Paulo |
PARA VISITAR
Parque Ecológico do Tietê
Horário: das 8h às 17h
Onde: r. Guira Acangatara, 70; agendamentos pelo telefone 0/xx/11/2958-1477
Quanto: grátis
Parque Ecológico do Tietê
Horário: das 8h às 17h
Onde: r. Guira Acangatara, 70; agendamentos pelo telefone 0/xx/11/2958-1477
Quanto: grátis
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