MEU
RIO QUE PASSA...
Maria Helena Aguiar
Corazza - presidente da Academia Piracicabana de Letras
Monotonia
deliciosa, magnificente, eis a natureza selvagem e virgem, descortinando à
beira de um rio que passa indolente, preguiçoso, majestoso...
E o rio passa...
Passa
absurdamente pacato e comovido, saudoso das belezas e paisagens que deixou lá
para o alto. E, passando, leva consigo o reflexo tão visível de um céu azul
refletindo deslumbrante nas águas transparentes do rio...
Quanta
doçura e quanta ternura o rio servir de espelho para o céu, e, o céu vaidoso
mirando-se no rio...
As
árvores na margem acariciando o seu curso parecem querer detê-lo, mas o rio
despreocupado e orgulhoso, passa, deixando a saudade e o pranto baixinho de
quem sofreu desenganos...
E o rio passa no silêncio de um cantar de pássaro, de uma nuvem de insetos, de
uma onda vazia que foi e não será mais...
Monotonia
suplicante de um tronco passando arrancado dos braços de alguma árvore bela, e,
passa choroso deixando chorosa quem lá ficou...
É
lindo esse rio, é linda essa tarde, é linda essa vida! Mas, de repente
quebrando esse encanto e essa solidão, um barco medíocre e volúvel corta este
rio, domina esta indolência, essa preguiça... Então, os reflexos se misturam,
as árvores exultam com o rio que as abraça...
Depois, novamente a calma e o
êxtase...
E o meu rio, continua passando...
(foto Daniel Damasceno)
ÁGUA - QUEM PENSA, CUIDA!
