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11 de junho de 2014

Governo do Paraná decreta estado de emergência para mais 53 cidades

Foto aérea mostra União da Vitória tomada por enchente na segunda-feira (9) (Foto: Arnaldo Alves / ANPr)

Chuva que atingiu o estado prejudicou 445 mil pessoas, nove morreram.

Dos 135 municípios atingidos, cinco não estão em condição de emergência


 Governo do Paraná decretou na manhã desta terça-feira (10) situação de emergência em mais 53 cidades prejudicadas pela chuva intensa que atingiu todo o estado no sábado (7) e no domingo (8). Este é o segundo decreto de emergência assinado pelo governador Beto Richa (PSDB) - o primeiro atendia 77 municípios. Desta forma, praticamente todas as cidades atingidas estão atendidas. Apenas três ficaram de fora. Em São Miguel do Iguaçu e Ortigueira, os próprios prefeitos decretaram situação de emergência. Agora, Curitiba também foi colocada em situação de emergência já que mais de 16 mil pessoas foram afetadas pela chuva, e 174 estão desabrigadas. Na prática, os decretos permitem aos gestores públicos contratar serviços com menos burocracia para a recuperação das cidades.

De acordo com o boletim divulgado pela Defesa Civil às 18h desta terça-feira, o número de pessoas afetadas pela chuva no Paraná chegou a 445.876. Ao todo, 4.294 pessoas ficaram desabrigadas e nove morreram. Uma pessoa está desaparecida em Guarapuava, uma em Rebouças e outra em São João do Ivaí. Ainda de acordo com o boletim, 52 pessoas ficaram feridas. O temporal atingiu 135 municípios, que representam 33% do estado.

Segundo o capitão Eduardo Gomes Pinheiro, da Defesa Civil do Paraná, os reflexos da chuva não estão estabilizados porque alguns rios continuam a subir. Isso significa que as três cidades que ficaram de fora dos decretos ainda podem ter o estado de emergência decretado. "Nós vamos analisar os novos boletins, analisar a condição de outros municípios que possam informar danos e prejuízos e, se for necessário, ter um novo decreto". O mesmo é válido para novas cidades que informem novos danos e prejuízos.

O governo estadual adotou ainda outras medidas para auxiliar as pessoas prejudicadas pela chuva. A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) informou que todas as casas identificadas pela Defesa Civil como danificadas ou atingidas pagarão nos próximos três meses uma tarifa de R$ 1 pela água utilizada. Já a Companhia Paranaense de Energia (Copel) vai parcelar em seis vezes as contas dos próximos três meses para todas as casas, comércios e indústrias atingidas. A cobrança deste parcelamento também se dará só daqui a 90 dias. Pela Secretaria da Saúde foi feita liberação de mais de R$ 5 milhões para que os prefeitos possam contratar mais profissionais, pagar horas extras. Foram enviadas vacinas, remédios para gripe e inúmeros outros medicamentos para prevenir doenças comuns após enchentes.
Além dos transtornos nas cidades, as estradas do estado também foram danificadas pela chuva.  Nesta terça-feira, a situação da BR-277, que cruza todo o estado, melhorou. Conforme o levantamento divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), são nove interdições parciais em rodovias federais, e outros oito totalmente bloqueados. Quanto as rodovias estaduais, são mais de 40 pontos com problema.Em geral, as interdições foram provocadas por queda de barreira, porém, há também regiões onde a pista cedeu, ficou alagada ou houve erosão do acostamento
Fonte: G1 Paraná

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ÁGUA - QUEM PENSA, CUIDA!

17 de janeiro de 2013

O Rio de Piracicaba está quase a botar água pra fora


Se as chuvas não derem uma trégua, logo o Rio Piracicaba vai jogar água pra fora, como na música famosa!
Mas que é lindo vê-lo "bufando", isso é!


Fotos: Ivana

ÁGUA - QUEM PENSA, CUIDA!

30 de agosto de 2012

SÃO PAULO PRECISA DIZER NÃO ÀS ENCHENTES



Campanha Permanente do SOSRiosBr para evitar tragédias e mortes
no período das chuvas em nossas comunidades

Obras de Alckmin contra cheias estão paradas ou atrasadas

CAROLINA LEAL | EDUARDO GERAQUE | FOLHA DE SÃO PAULO

Obras de contenção de enchentes na Grande São Paulo anunciadas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em março do ano passado estão paradas ou atrasadas, a pouco mais de três meses do início da temporada de chuvas.
Há problemas com a construção de três piscinões, quatro diques perto de pontes do Tietê e o desassoreamento do rio e de córregos afluentes.
Parte das obras está com problemas porque o dinheiro previsto no Orçamento acabou -caso da limpeza do Tietê- e outra parte por causa de problemas na execução.
No caso dos diques, a previsão era que ficassem prontos até dezembro de 2011, mas só um está sendo feito, segundo o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica).
Adriano Vizoni - 24.ago.12/Folhapress
Mesmo que todos os diques começassem a ser construídos hoje, a operação deles só seria possível em, no mínimo, um ano.
Outro conjunto de obras tido como fundamental por especialistas -de dentro e de fora do governo- é a construção de piscinões, que também sofre atrasos.
O piscinão Olaria, em Campo Limpo (zona sul de São Paulo), deveria ter sido entregue em novembro de 2011, mas a fragilidade do solo na área atrasou a execução.
Outros reservatórios anunciados, o Guamiranga e o Jaboticabal, que represariam as águas vindas do ABC, nem começaram a sair do papel.
O primeiro, em área contaminada, não tem as licenças necessárias e passa por recuperação ambiental; o segundo teve a licitação suspensa e terá o projeto revisado.
Editoria de arte/Folhapress
Piscinão Olaria na bacia de Pirajussara; deveria ter sido entregue em 2011, mas não há prazo para inauguração
Piscinão Olaria na bacia de Pirajussara; deveria ter sido entregue em 2011, mas não há prazo para inauguração
LIMPEZA

Folha apurou que o trabalho de desassoreamento do rio Tietê vem acontecendo em ritmo lento há algumas semanas, chegando a parar ontem.
Por falta de pagamento, a limpeza de córregos que deságuam no rio também não está sendo realizada no ritmo adequado. Para especialistas, é preciso que o trabalho seja feito de maneira contínua.

A questão não é, segundo fontes ouvidas pela Folha, a falta de dinheiro, mas o esgotamento da verba que havia sido colocada pelo Estado no Orçamento -para especialistas, ela foi subdimensionada.
Para moradores de áreas tradicionalmente alagadas à margem do Tietê, o atraso preocupa. "Todo fim de ano o bairro alaga, não tem como escapar. É uma vergonha passar por essa humilhação", diz Mario Gomes de Sousa, 24, do Jardim Helena, na zona leste.

OUTRO LADO

O governo do Estado nega que o ritmo de desassoreamento do rio Tietê esteja lento e afirma que a "intensificação dos trabalhos" no início do ano permite dizer que a situação está sob controle.
Diz, ainda, que o volume de material retirado do rio superará o de 2011. Segundo o Daee, "o cronograma de desassoreamento não é linear: em certas épocas, os serviços são intensificados e, em outras, é possível abrandá-los".
Afirma ainda que, embora o dinheiro previsto para este ano já tenha sido utilizado, o Orçamento será complementado e que "suplementações orçamentárias são rotina".

Sobre as obras dos diques, o governo afirma que terminou as escavações de apenas um deles, na ponte da Vila Maria, e que agora aguarda a licença ambiental para cortar árvores e finalizar a obra.
O Daee ainda relativizou a importância dos diques. "São obras redundantes, que oferecem uma condição adicional contra enchentes nas partes mais baixas da marginal."

Sobre os piscinões, o governo admite problemas. No Olaria, o atraso, diz, se deu pela fragilidade do solo, que gerou perigo para moradores da área e operários. Mas, afirma o Daee, tudo foi resolvido e as obras estão aceleradas.
A área do piscinão Guamiranga está contaminada e, por isso, as obras não começaram. O governo diz que faz a descontaminação do solo.
Em relação ao Jaboticabal, o projeto está sendo revisado, depois de o governo concluir que o custo das desapropriações era muito alto.  FOLHA EXPRESSBLOG SOS RIOS DO BRASIL
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18 de agosto de 2012

Enchente 1911 – um século depois – Urda Klueger


Traíra, peixe brasileiro de água doce 
Enchente 1911 – um século depois 

(Histórias da minha avó VI)
Urda Klueger – Blumenau/SC
Naqueles anos em que eu tinha oito, nove, dez anos, minha avó Emma Katzwinkel Klueger morou na nossa casa, à rua Antônio Zendron 668 – Garcia – Blumenau. Aquela foi a única avó que eu conheci e outras vezes já escrevi sobre ela, uma grande contadora de histórias, um grande achado para uma criança curiosa e ávida de novidades como eu era. Passava horas infindas ouvindo o que ela tinha para contar, e assim acabei aprendendo uma porção de coisas. É claro que naquela época e lugar usar a palavra “avó” ficaria uma coisa muito estranha – avós de origem alemã eram chamadas de Oma (os avôs era Opa) (apesar de a minha avó ser imigrante lituana) – já as avós e avôs de ascendência italiana eram nona e nono.
Pois bem, foi com a minha Oma Klueger que eu muito convivi naquele período em que estava aprendendo a minha própria vida, e agora que é o ano de 2011 e, portanto, já se passou um século desde a grande enchente de 1911, fico a me lembrar das coisas que ela contava a respeito.
Em 1911 minha Oma já era casada e tinha uma criança, tia Wanda. Tio Erich, seu segundo filho, nasceu durante a enchente, coisa tão marcante que acho que todo o mundo sabia – eu, pelo menos, nunca esqueci tal fato – se vivo, tio Erich Klueger estaria fazendo 100 anos neste mês de outubro. Com tanta chuva e umidade minha Oma tinha dificuldade de manter secas as fraldas do seu bebezinho e as punha a secar sobre o fogão de lenha. Não podemos esquecer que na casa já havia uma menininha que estava muito enciumada com a chegada daquela concorrência, e que já era esperta o suficiente para tentar fazer valer seus sentimentos: em pleno frio da enchente, pegou o irmãozinho recém nascido, desembrulhou-o e deixou-o abandonado sem as fraldas secadas com tanto trabalho! Coisas inolvidáveis que uma avó pode contar para uma criança!
Mas minha Oma tinha muitas outras coisas para contar sobre aquela enchente. Foi através dela que eu soube que o rio da cidade represara até a baixada da Rua Antônio Zendron, onde eu morava, chegando aos pés do Salão Hinkeldey, que pertencera a um tio do meu pai, casado com uma das moças Klueger irmã do meu avô. É claro que desde 1911 as coisas tinham mudado – quando eu era criança, o antigo Salão Hinkeldey se chamava Cine Garcia, onde vi muitos filmes de Tarzan e Elvis Presley – hoje, naquele lugar há a Igreja de Santo Antônio.
Havia mais curiosidades a aprender sobre aquela enchente, no entanto. Se o rio da cidade viera até ali na baixada da minha rua, tal significava que ele cobrira as terras de muitos moradores que eu conhecia, como as do seu Leo Deschamps. Bem no pasto do seu Leo Deschamps minha avó me mostrava uma pequena depressão no meio da grama onde, quando as águas refluíram, ficaram presas ali muitas traíras, peixe muito conhecido e apreciado lá nos tempos em que eu era criança.
– As pessoas mataram as traíras a facão – contava minha avó, e dava detalhes, sobre como as traíras estavam furiosas, tentando desesperadamente salvar suas vidas aprisionadas naquele pouco de água que o sol estava evaporando, e de como elas esbravejavam e tentavam escapar dos facões e, criança sensível que eu era, morria de pena das pobres traíras e como que via sua luta que fazia a pouca água espumejar e a morte sem piedade de todas elas.
Eu nunca esqueci daquele exato lugar no pasto do seu Leo Deschamps onde houvera aquela matança de traíras em 1911, nem nunca consegui passar lá sem me lembrar.
Recentemente, passei por lá de novo, e a baixada da rua Antônio Zendron já não tem mais nenhum pasto, e fica complicado se lembrar como era lá nos anos da minha infância. Foi-me fácil, no entanto, identificar o lugar onde aquelas traíras lá do passado morreram sob tanta selvageria: naquele lugar, exatamente naquele lugar, hoje, há uma pequena praça de esportes, toda de concreto, próxima da Associação Kolping. Talvez ninguém mais vivo, hoje, se lembre daquilo. Achei que era minha obrigação escrever a respeito.

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