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1 de setembro de 2014

OS PROBLEMAS DA SECA NA AGRICULTURA DA REGIÃO SUDESTE


Os problemas causados pela seca, na agricultura da região Sudeste

João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife

As reportagens (abaixo) bem refletem a situação de penúria hídrica pela qual passa o Rio São Francisco. Essa situação é agravada, ainda, pelas expectativas dos especialistas, em relação aos níveis dos reservatórios da região. Estão muito baixos e, segundo eles, a sua recuperação se dará  em período mínimo de 3 anos. Esse período é demasiadamente longo se levada em consideração a necessidade, urgente, de se abastecer boa parte da população do Sudeste do País.

O que nos deixa perplexos com tudo isso, é o descaso das autoridades do Setor Elétrico, em relação aos conflituosos usos das águas do rio São Francisco. Se perguntarem a qualquer técnico da Chesf, por exemplo, a sua opinião em relação às demandas volumétrica do rio, para o atendimento das necessidades do projeto da transposição, tem-se como resposta, que não há problema algum, tendo em vista os irrisórios volumes que serão dele retirados (fala-se em cerca de 1,4% da vazão média que chega na foz do rio). Ora, isso é tapar o sol com a peneira. Vai-se retirar realmente muito pouco, mas de um rio que está praticamente seco.

O Velho Chico, como se tem visto, não tem a mínima condição de suprir os volumes que serão demandados pelo projeto, sem antes se por em risco todos os investimentos feitos em sua bacia hidrográfica. Aqui cabe uma indagação: A Superintendência de Regulação, da Agência Nacional de Águas (ANA), pode restringir os usos das águas nacionais, inclusive suspendendo os fornecimentos. Pode, também, alocar volumes entre usuários, suspendendo aqueles previstos na irrigação, em detrimento do abastecimento das cidades.

Diante desse poder deliberativo da ANA, caberia saber, dela, o seu posicionamento em relação à atual situação do rio São Francisco, principalmente no tocante às demandas previstas na transposição, lembrando que na região de Pirapora (MG), a montante da represa de Sobradinho, a população local vem atravessando o rio São Francisco de bicicleta. Com a palavra a ANA.

Globo Rural - Edição de 31/08/2014

 

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PRESIDENTE DA AHOMAR (RJ) DENUNCIA EM BERLIM ABANDONO DA PESCA ARTESANAL NO BRASIL



Alexandre Anderson, presidente da AHOMAR, faz palestra em Berlin denunciando o abandono da pesca artesanal pelo governo brasileiro


Alexandre Anderson* (Associação Homens e Mulheres do Mar -AHOMAR) participou da Conferencia Internacional (Neo-)Extractivismo y el Futuro de la Democracia en América Latina, de 13 a 14 de Maio de 2014, em Berlin – Alemanha, promovido pelo Departamento de América Latina de la Fundación Heinrich Böll.

A programação apresentou os seguintes painéis:
  •  (Neo-)Extractivismo y Democracia en América Latina –  Tendencias actuales y retos
  • “Territorios” y conflictos sobre participación y democracia en el contexto del (Neo-Extractivismo)
  • Casos ejemplares: “Territorios” y conflictos sobre participación y democracia en el contexto del (Neo-Extractivismo)
  • Gobernanza local de materias primas - Industrias extractivas, conflictos sociales y desafíos institucionales
  • Casos ejemplares: Transferencia de impuestos y política local en Perú
  • Gobernanza global de materias primas – ¿Cómo garantizar políticas ecológicas, sociales y orientadas a los derechos humanos?
  • Democracia y gobernanza de materias primas: alternativas al modelo de desarrollo extractivista


Anderson participou do painel:
Casos ejemplares: "Territorios“ y conflictos sobre participación y democracia en el contexto del (Neo-)Extractivismo
Famatina/Argentina - Ana Di Pangracio, Fundación Ambiente y Recursos Naturales (FARN)
Magé, Estado de Río de Janeiro, Brasil - Alexandre Anderson, Associação dos Homens e Mulheres do Mar (AHOMAR)
San Miguel El Progeso /México - María Luisa Aguilar, Centro de DDHH de la Montaña Tlachinollán
Moderación: Annette von Schönfeld, Heinrich-Böll-Stiftung, México und Dawid Bartelt, Heinrich-Böll-Stiftung, Brasil.


Veja mais fotos aqui
 
 

*Alexandre Anderson é ativista ambiental e pescador. Desde 2007 luta pelos direitos dos pescadores artesanais em Magé, na Baía de Guanabará, Rio de Janeiro. Como Presidente da Associação de Homens e Mulheres do Mar (AHOMAR) é comprometido com a campanha contra a expansão da indústria de petróleo que avança na região. AHOMAR e outras organizações da sociedade civil criticam por exemplo a construção de um grande complexo petroquímico, mais plataformas de petróleo e oleodutos na baía, que ameaçam o meio ambiente e, portanto, os meios de subsistência dos pescadores locais. Reinvidica o esclarecimento dos assassinatos de quatro membros da Associação. Até hoje, nenhum caso foi levado ao tribunal.

Conheça mais sobre a luta dos pescadores e pescadoras da Baía de Guanabara na entrevista com Alexandre Anderson 

VEJA A LUTA DE ALEXANDRE ANDERSON:


VEJA O QUE JÁ PUBLICAMOS DA LUTA DA AHOMAR PELA BAÍA DE GUANABARA:
ASSOCIAÇÃO HOMENS DO MAR DA BAÍA DE GUANABARA CONSEGUE DEFESA CONTRA CRIMES AMBIENTAIS

SOS PESCADORES QUE DEFENDEM A BAÍA DE GUANABARA - AHOMAR

OAB, ONGs E PESCADORES DENUNCIAM MILICIAS CONTRATADAS PARA AMEAÇAR A PESCA NA BAÍA DE GUANABARA

O LADO OBSCURO DO DESENVOLVIMENTO DO PETRÓLEO

Pescadores artesanais protestam no Rio exigindo a paralisação das obras do Comperj e da CSA

POLUIÇÃO DA PETROBRAS NA BAIA DE GUANABARA É DETECTADA PELA POLÍCIA FEDERAL

"BAÍA NOSSA DE GUANABARA" É LANÇADO COM REGATA - ÁGUA DOS RIOS SERÃO MONITORADAS

PETROBRAS DENUNCIADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL POR PREJUDICAR PESCADORES DA BAÍA DE GUANABARA

1 de Junho de 2009
- GRUPO HOMENS DO MAR, DA BAÍA DA GUANABARA, PEDE AJUDA 


30 de Maio de 2009
- 
PROTESTO DOS PESCADORES DA BAÍA DE GUANABARA POR POLUIÇÃO DE OBRAS DA PETROBRAS

23 de Maio de 2009
OBRA DA PETROBRAS INTERDITADA EM MAGÉ (RJ) POR PROBLEMA AMBIENTAL, INFORMA ONG HOMENS DO MAR

13 de Abril de 2009
PROTESTO DE PESCADORES ARTESANAIS CONTRA OBRAS DA PETROBRAS
28 de Agosto de 2008
PESCADORES DA BAÍA DE GUANABARA EM ALERTA

 


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GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS PODERÁ MELHORAR NO PAÍS

Inclusão da água entre direitos sociais poderá melhorar gestão de recursos hídricos
A inclusão da água entre os direitos sociais está em análise na Câmara dos Deputados. Duas propostas (PECs 39/07 e 213/12) que tramitam juntas sobre este tema já foram aprovadas na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e serão analisadas por uma comissão especial.
A reportagem é de José Carlos Oliveira, publicada pela Agência Câmara, 28-08-2014.

As duas PECs alteram a Constituição para incluir o acesso à água entre os demais direitos sociais: educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância e assistência aos desamparados.

A proposta mais recente (PEC 213/12) é da deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP). Além de ampliar direitos, Pietá quer contribuir para o Brasil assegurar água potável ao maior número possível de pessoas, conforme previsto em uma das Metas do Milênio da Organização das Nações Unidas (ONU).
“Nós queremos a conscientização de que a água é um direito, de que existe escassez de água no mundo, de que nós precisamos preservá-la e, muito mais, de que todo gestor político deve saber gerenciar esse bem finito para que toda a população seja beneficiada por ela, porque água é sinônimo de vida”, diz a deputada.

Ações de preservação
A outra proposta (PEC 39/07) é do deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE). Para ele, a medida vai estimular ações integradas de preservação dos mananciais. “A nossa proposta não visa só a obrigatoriedade do gestor de dar acesso à água potável: é para fazer programas de conscientização, de revitalização do meio ambiente e de garantia de que possamos ter investimentos paralelos na questão dos resíduos sólidos – que, muitas vezes, poluem essas águas – e do saneamento. São coisas interligadas.”
As duas propostas refletem a atual preocupação do País com a escassez de água. O Brasil possui cerca de 12% da água doce do mundo, mas, mesmo assim, convive com dramas de desabastecimento crônico no Nordeste e, agora, também no Sudeste.

Melhorias na gestão
Especializado em recursos hídricos, o professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Antônio Venturi cita o ciclo hidrológico natural para rebater as previsões pessimistas quanto ao esgotamento da água no mundo.

Venturi concorda, no entanto, que falta gestão correta desses recursos. “A água existe e deve ser gerida de forma planejada e eficiente. Há países com muito menos água do que o Brasil em que não há racionamento nem outro tipo de problema. São as medidas de gestão que vão assegurar ou não o abastecimento. Mesmo em áreas semiáridas, como no Nordeste, é possível garantir água para todo mundo”, afirma.

Interligação dos sistemas de captação de água, intensificação do uso de cisternas, transposição de rios e combate mais efetivo aos vazamentos, às ligações clandestinas e a outras formas de desperdício são alguns dos mecanismos que, segundo o especialista, precisam de melhor planejamento e gestão.

Se aprovadas em comissão especial, as propostas que incluem o acesso à agua entre os direitos sociais passarão, em seguida, por dois turnos de votação no Plenário da Câmara, antes de seguirem para a análise do Senado.

Íntegra da proposta:
PEC-39/2007
PEC-213/2012

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A DESPEDIDA DA VOLTA GRANDE DO RIO XINGU

 corredeira Canoada vai se despedir da Volta Grande do Xingu

                                  
Corredeira na Volta Grande do Rio Xingu
 
01/9/2014                

Canoada vai se despedir da Volta Grande do Xingu


por Leticia Leite, do ISA
Canoada Bye Bye Xingu irá percorrer trecho impactado por Belo Monte e promover diálogos sobre o futuro da Amazônia. Serão mais de 100 km em canoas tradicionais guiadas por indígenas e ribeirinhos

A Volta Grande, um trecho de 100 km de um dos mais belos e importantes rios brasileiros, o Rio Xingu, será barrada para abastecer a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Para despedir-se de uma paisagem que será definitivamente transformada quando Belo Monte entrar em operação, o ISA e a Associação Indígena Miratu Yudjá Xingu (Aimyx) programaram a canoada Bye Bye Xingu. Sem fins lucrativos, a canoada é ativista e irá reunir entre os dias 7 e 11 de setembro indígenas, pescadores, ribeirinhos e ativistas de várias regiões do Brasil. Promoverá assim, um encontro de pessoas com modos de vida distintos e que acreditam na importância da valorização da diversidade socioambiental do Brasil.

Instalada em uma região da Amazônia praticamente à margem do Estado, Belo Monte tem se tornado símbolo de inadimplência socioambiental. A canoada busca chamar a atenção para os problemas que os povos e comunidades do Xingu enfrentam há mais de 30 anos, quando a possibilidade de construção de uma usina na região foi anunciada. A proposta é promover um diálogo diferente com quem se dispuser a vir para Altamira e seguir em uma viagem pela cultura local e impactos da construção da terceira maior hidrelétrica do mundo.

O percurso
A preparação começa dia 7 de setembro, no Centro de Formação Bethânia, um espaço que pertence a Prelazia do Xingu e fica a 7 km do centro de Altamira. É lá que os participantes receberão as primeiras instruções dos guias locais e organizadores da expedição.
A largada será na manhã do dia 8 de setembro. A partir das 6h30 os participantes estarão reunidos no porto de Altamira. Serão três dias de remada, 112 km percorridos em canoas tradicionais da região, guiadas por indígenas, ribeirinhos e pescadores experientes na navegação no Xingu.
As canoas irão passar em frente a barragem principal do rio e ao sítio Pimental, canteiro de obra onde está sendo erguida a casa de força secundária da usina e ao lado do mecanismo de transposição terrestre de barcos, que tem sido avaliada como um transtorno para as comunidades afetadas.
A expedição vai beirar a TI Paquiçamba, território do povo Juruna e passará pela região da cachoeira Jeriquá, um dos mais belos trechos da Volta Grande, formado por cachoeiras, pedrais, bancos de areia e ilhas. Confira no mapa abaixo.
canoada c ti v2 Canoada vai se despedir da Volta Grande do Xingu
Rodas de conversa sobre impactos da hidrelétrica em Terras Indígenas, alternativas energéticas e o futuro da Amazônia vão acontecer todas as noites durante a expedição. A primeira delas vai contar com a presença do ambientalista do Greenpeace Ricardo Baitelo.
Os participantes da canoada
As pessoas que se interessaram em participar da canoada vêm de várias regiões do Brasil, preocupadas com o rio e os povos do Xingu, e com as decisões políticas que envolvem o futuro da Amazônia.
Para poderem participar, fizeram uma pré-inscrição no site do evento, que foi submetida à avaliação dos organizadores.
Cada participante pagou uma taxa de inscrição para cobrir os custos logísticos da atividade como locação e transporte das canoas, fabricação de remos, alimentação e hospedagem. Vale lembrar mais uma vez que a canoada não tem fins lucrativos.
Servico Canoada vai se despedir da Volta Grande do Xingu

Saiba mais
Quem são os Juruna
Juruna é o nome pelo qual o povo Yudjá da Volta Grande ficou conhecido nos contatos com os brancos. Os Yudjá, conhecidos por serem exímios navegadores, canoeiros, são também chamados de “os donos do rio”, pelo fato de, no passado, terem cruzado da foz as cabeceiras do Rio Xingu. Ao lado dos Arara da Volta Grande, são os grupos indígenas que vivem mais próximos dos canteiros de obras. Além de já conviverem com os impactos da obra há pouco mais de 10 km de suas terras, também terão de conviver com cerca de 80% de redução do fluxo de água após o barramento do rio. Será um grande teste de resistência da biodiversidade e dos povos que vivem neste trecho da Amazônia.
História
Imaginem um povo cuja população era de 2 mil pessoas em 1842 e em 2010 soma 348. Uma história marcada por aprisionamento, escravização, guerra e deslocamentos progressivos por conta das frentes de expansão econômica que marcam o processo de colonização da Amazônia.
Os Yudjá que hoje habitam o norte do Parque Indígena do Xingu (PIX) são descendentes dos índios que fugiram desta invasão. Os Juruna da Volta Grande do Xingu são o povo que resistiu, que permaneceu em seu território, mas foi absorvido pelo ciclo da borracha na região a partir do final do século XIX. Resistiram também aos mais diversos impactos da construção da rodovia Transamazônica e as pressões ao longo das últimas décadas devido a intensa grilagem e roubo de madeira em suas terras.
Com Belo Monte, os Juruna se veem, mais uma vez, ameaçados. As famílias dependem da pesca artesanal e ornamental para alimentação e geração de renda. Os estudos de impacto ambiental da Volta Grande do Xingu são inconclusivos. Nem os cientistas e nem os indígenas sabem, neste momento, as dimensões do impacto que a usina poderá causar no rio, com a possível extinção de espécies endêmicas, que só existem nesta região do planeta.
Sobre o ISA e Belo Monte
Hoje, Belo Monte é uma obra sub judice, e mais de 20 ações sem decisão final tramitam no Judiciário a respeito de violações às populações da região afetadas pela usina.
O ISA denuncia permanentemente as irregularidades do processo de Belo Monte desde que o governo autorizou o leilão da usina, em 2010. E publicou análises de todos os pareceres do Ibama sobre as condicionantes da usina. (Clique para ver o infográfico que mostra condicionantes não cumpridas).
As denúncias apontam que as mais graves inadimplências estão relacionadas aos povos indígenas. Os programas de prevenção ou diminuição dos impactos relacionados à saúde indígena e à proteção territorial e dos recursos naturais dos índios, por exemplo, só saíram do papel mais de dois anos após o início da instalação da usina. O resultado já se reflete na saúde destes povos. Em 2012, nove em cada 10 crianças das aldeias atingidas por Belo Monte apresentaram diarreia aguda por mais de uma vez.
* Publicado originalmente no site Instituto Socioambiental. 

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ÁGUA: COMO SERÁ O AMANHÃ ?



aguaAltodoTiete Água: Como será o amanhã?
Alto Tietê, que também abastece região metropolitana. Foto: Reprodução/Tijolaço

01/9/2014

Água: Como será o amanhã?


por Decio Tubbs Filho*

O Brasil, reconhecidamente, é um país de imensas reservas hídricas, detentor de 12% da água doce do Planeta e, certamente, seríamos um país sem problemas neste setor, mas, infelizmente, as reservas não são distribuídas uniformemente em nosso território e tampouco seu uso é planejado e gerenciado de forma adequada.
O ano de 2014 ficará marcado, na gestão hídrica, não por qualquer grande avanço, mas por nos ter apresentado uma nova realidade: a escassez hídrica na região mais desenvolvida do país. Apregoada por tantos estudiosos do tema, finalmente ela chegou às duas maiores regiões metropolitanas brasileiras, originada na maior estiagem já observada na Bacia do Rio Paraíba do Sul, a crise da água, agora, passou a fazer parte do nosso cotidiano e as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo descobriram-se interdependentes deste rio.
Além destas áreas metropolitanas, outras cidades da região Sudeste também foram impactadas pela escassez, resultando numa crise inédita que, entretanto, foi pontuada mais pelo embate político do que pelas propostas concretas para evitar sua repetição futura.
Descontando o mau humor do clima e seus efeitos hidrológicos críticos, parte dessa crise poderia ter sido amenizada caso fossem consideradas as estratégias apontadas pelos gestores e a construção de uma agenda objetivando a intervenção positiva no ciclo hidrológico para atenuar os efeitos climáticos.
Embora inúmeros alertas tenham sido emitidos, ainda são discretas as ações significativas, concretas, em grande escala e permanentes para esclarecer a população sobre a necessidade do uso racional da água e o mais grave: crescemos iludidos por uma cultura perdulária fundamentada na ideia da abundância hídrica.
Significa dizer que a atual crise pode ser vitrine anunciadora de situações futuras, podendo se repetir, ainda que relacionada somente às incertezas climáticas.
Um outro obstáculo identificado neste cenário é a ausência do tema água no cotidiano do cidadão comum, da classe política e em muitos programas governamentais. Exceção feita às situações críticas como as vivenciadas atualmente pelo Rio de Janeiro e São Paulo, e, mesmo assim, por conta da perspectiva de racionamento.
Até hoje fomos inábeis para demonstrar ao cidadão comum a importância da gestão hídrica. Pouco é conhecido sobre os avanços e conquistas desse sistema, por exemplo, com relação à importância da participação nos Comitês de Bacia, corresponsáveis pelas decisões na gestão hídrica e onde as decisões podem ser compartilhadas. Portanto, atrair a sociedade civil para essa discussão é um desafio a ser enfrentado.
Por outro lado, jamais houve, por parte dos nossos governantes em geral, um compromisso sério e duradouro para com o tema da água (e por que não incluir a questão ambiental também?), e vem de muito tempo, das favelas cariocas ao Semiárido nordestino, a estratégia de abordar a “gestão hídrica” atenuando as situações críticas com ações pontuais e demagógicas, tais como a inauguração de uma bica d’água ou um chafariz.
Diante destes fatos, é pouco provável que os recursos hídricos sejam protagonistas ou ganhem destaque nas campanhas eleitorais que ora se iniciam. No entanto, diversas regiões brasileiras apresentam ou irão apresentar dificuldades relacionadas à disponibilidade de água, quer devido à quantidade ou à qualidade.
Apesar de contarmos com planos de recursos hídricos em diferentes escalas, do Plano Nacional de Recursos Hídricos aos inúmeros Planos Regionais de Bacia Hidrográfica, instrumentos orientadores da gestão das águas e construídos a partir de um amplo processo de discussão com a sociedade, a realidade dos recursos hídricos é outra e aquém das ações preconizadas por esses documentos.
Ainda que se possa avaliar que parte destes planos é de difícil implementação, a maioria estabelece ações orientadoras factíveis. No entanto, mesmo considerando o Estado do Rio de Janeiro, onde há a cobrança pelo uso dos recursos hídricos, superficiais e subterrâneos, os recursos arrecadados pela cobrança são reduzidos para realizar as ações necessárias, notadamente quando se fala em saneamento ambiental.
Assim, é nossa obrigação, mais uma vez, tentar clamar aos nossos futuros governantes a necessidade de incluir em seus programas de governo a gestão hídrica como ferramenta essencial para o desenvolvimento social e econômico do Estado do Rio e dos outros Estados do Brasil.
Por fim, não nos basta permanecer apenas na pergunta, como no clássico samba enredo da escola de samba do Rio de Janeiro, União da Ilha do Governador (1978), que indaga: “Como será o amanhã? Responda quem puder…”! Conhecemos muitas das respostas e devemos aprender com a atual crise, incluindo a gestão dos recursos hídricos no cotidiano da sociedade e na agenda política, de modo que não seja mais ignorada ou postergada.
* Decio Tubbs Filho é professor do Departamento de Geociências da UFRural RJ e Diretor-Geral do Comitê Guandu.
** Publicado originalmente no site Eco21.

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PARA SALVAR O PANTANAL, PRESERVE OS PANTANEIROS


Vista da cidade de Cáceres, no Mato Grosso (Foto: Divulgação/ Projeto Bichos do Pantanal/Douglas Trent e Juliana Arini)
 

Para salvar o Pantanal, preserve os pantaneiros

JUSSARA UTSCH*
21/08/2014

Jorge Pedroso de Almeida, 59 anos, conhecido como Poconé, passa quase metade do mês fora de casa. Ele enfrenta mosquitos, cobras, um sol escaldante, o iminente ataque de onças e o desconforto de viver em uma barraca de nylon para poder exercer uma das profissões mais ameaçadas do planeta, seja pelas mudanças climáticas ou pela poluição dos rios: sobreviver da pesca em cursos fluviais.
Como grande parte dos outros mil pescadores da região de Cáceres, no Mato Grosso, Poconé passa semanas em um barranco às margens do Paraguai, distante até 200 quilômetros da cidade mais próxima.  Eles representam uma classe local que sobrevive entre as brechas de dois mundos. Não são considerados povos tradicionais, porque muitos vivem também nas cidades e não completamente isolados nas comunidades ribeirinhas. Prém também estão proibidos de usarem de técnicas de manejo de pesca mais produtivas e que aumentariam a rentabilidade da atividade. Por lei, os pescadores profissionais de Cáceres só podem trabalhar de forma tradicional, ou seja: apenas com o anzol e sem redes.
Muitos dos pescadores que acampam com Poconé são descendentes dos índios Guatós, povo indígena conhecido como canoeiros, dizimados do Pantanal pela chegada dos colonizadores europeus. Outros, como Jorge que carrega o nome de sua cidade Poconé como apelido, vieram de outras regiões pantaneiras.  “Quem comeu cabeça de pacu não deixa o rio”, diz Almeida entre risadas. “Eu cresci no Pantanal de Poconé, sempre com essa relação com o rio. Quando fiquei moço, vim pra cá para servir o exército, depois fui conhecendo a abundância do rio Paraguai e nunca mais deixei esse lugar”, afirma.
Poconé conta já perceber os impactos das novas atividades humanas no Pantanal. “Tudo mudou. Os bichos, a abundância até as águas. Estamos aqui em cima de um outro mundo, diferente de tudo que estávamos acostumados.  Agora o pescador vai ter que saber se adaptar” diz.
A lufada, saída dos peixes da grandes baías do Pantanal, é um dos eventos  que Poconé afirmar estar diferente. “O normal é vermos aquela barulheira toda seguida de uma onda de peixe. É tanta bicharada que muda até a cor das águas. Quem nunca viu, não acredita ser possível ver uma onda de peixes daquela batendo nas praias, com um monte de jacaré e outros animais correndo atrás”, afirma Poconé. “Mas, esse ano está tão diferente, que nem lufada teve. Os peixes parecem que estão vindo pelo fundo do rio, não sei. Choveu muito no Pantanal. Está tudo diferente. Tudo mudado”.
Conviver com as onças é outra das mudanças que os pescadores precisam enfrentar. Em dez anos, os registros de grandes felinos aumentaram muito no Pantanal de Cáceres. Para os pescadores que passam semanas isolados nos barrancos de rio, o risco de estar ao lado de um predador de topo de cadeia é alto. “Eu acampava sozinho com a esposa. Mas, teve uma onça que cismou com a mulher. Ela não dava bola para mim, não me olhava. Agora quando a minha mulher aparecia, a onça até sentava para olhar. Acho que cismou que queria comer a mulher, não tinha jeito. A solução foi pararmos de acampar sozinhos e nos juntarmos ao grupo do Jatobazinho, onde tem mais 15 pescadores rio abaixo.”, diz.
Mas as onças também rondam o grupo desse acampamento. Agora, os pescadores querem construir uma espécie de cercado gigante de tela em torno da área onde dormem. A ideia é evitar a chegada inesperada das onças. “De dia elas passam o tempo todo circulando a área, mas estamos acordados e podemos nos defender. A noite é um problema”, afirma Poconé.
Outro obstáculo é o gelo para manter o pescado fresco. A maioria dos pescadores dos acampamentos do rio Paraguai ainda possuem canoas rudimentares, as chamadas rabetas. O custo com gasolina para comprar o gelo na cidade inviabiliza que eles possam subir o rio com frequência. Muitos acabam até perdendo os peixes que conseguem pescar.
A solução veio de um apoio solidário proposto por Douglas Trent, pesquisador-chefe do Projeto Bichos do Pantanal, realizado pelo Instituto Sustentar. O capitão do barco do projeto, Vagno Pereira Pires, é o responsável por fazer o transporte do gelo para os pescadores dos acampamentos próximos à Cáceres. “Ao todo levamos umas 60 barras de 12 quilos. Todo mês descemos até onde eles acampam para ajudá-los”, afirma Pires.
Para Douglas Trent, essa ajuda aos pescadores é uma forma de garantir que um precioso conhecimento sobre os ecossistemas da região sejam preservados. “Eles guardam uma sabedoria desse biomas que poucos possuem. Sabem, inclusive, muito sobre as espécies de plantas necessárias para que certos peixes sobrevivam”, afirma Trent. “Não há chances de preservar o Pantanal, sem salvar os pantaneiros também. Tudo está conectado”.
*Jussara Utsch é diretora do Instituto Sustentar e coordenadora-geral do Projeto Bichos do Pantanal, patrocinado pela Petrobras. Especialista em sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, foi diretora de comunicação do Conselho Empresarial Bras. para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), foi ponto focal do  Comitê Brasileiro da Avaliação do Millennium Ecosystem Assessment, da ONU. Criou o programa de TV Brasil Sustentável na TV Cultura de São Paulo e na TV Educativa do Rio de Janeiro.
Outros artigos de Jussara Utsch

Pescador em acampamento às margens do rio Paraguai (Foto: Divulgação/ Projeto Bichos do Pantanal/Douglas Trent e Juliana Arini)

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A CRISE DA ÁGUA EM SP: QUANTO FALTA PARA O DESASTRE?


                                                                                                 
                                               
CADÊ A ABUNDÂNCIA? Reservatório do Sistema Cantareira em Bragança Paulista. A crise mostra como o país precisa mudar  a forma como  lida com a água (Foto: Luis Moura/Estadão Conteúdo)
 

Crise da água em São Paulo: Quanto falta para o desastre?

O que acontecerá com as torneiras de São Paulo – e o que ensina a pior crise de água da maior metrópole do país

BRUNO CALIXTO E ALINE IMERCIO
 
 
 
Verão de 2015. As filas para pegar água se espalham por vários bairros. Famílias carregam baldes e aguardam a chegada dos caminhões-pipa. Nos canos e nas torneiras, nem uma gota. O rodízio no abastecimento força lugares com grandes aglomerações, como shopping centers e faculdades, a fechar. As chuvas abundantes da estação não vieram, as obras em andamento tardarão a ter efeito e o desperdício continuou alto. Por isso, São Paulo e várias cidades vizinhas, que formam a maior região metropolitana do país, entram na mais grave crise de falta d’água da história.
 
 O Brasil pede água
A cena não é um pesadelo distante. Trata-se de um cenário pessimista, mas possível, para o que ocorrerá a partir de novembro. Moradores de São Paulo sentem, hoje, o que já sofreram em anos anteriores cidadãos castigados pela seca em Estados tão distantes quanto Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Pernambuco. A mistura de falta de planejamento, administração ruim, eventos climáticos extremos e consumo excessivo ameaça o fornecimento de água em cidades pelo Brasil todo. O episódio ensina lições aos governos. E exige respostas para perguntas que todo cidadão deve fazer a si mesmo e aos candidatos nas próximas eleições.

COMO A CRISE SURGIU?
A crise em São Paulo é, em parte, consequência da falta de água nas cabeceiras de rios que abastecem o Sistema Cantareira. Trata-se de um conjunto de represas responsável por abastecer 9 milhões de habitantes na Grande São Paulo. Todo esse sistema depende das chuvas do verão. Em anos normais, nos meses secos e frios, de junho a agosto, a precipitação é de menos de 150 milímetros. Isso é, normalmente, compensado no primeiro trimestre, que soma cerca de 600 milímetros. Desde o ano passado, as chuvas não vêm no volume esperado. “A maioria dos meses de 2013 já havia registrado níveis de pluviosidade abaixo da média dos últimos 30 anos”, diz o meteorologista Marcelo Shneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). “A situação ficou pior a partir de outubro e novembro. Foi um clima anômalo em todo o Sudeste, não apenas na Cantareira.” Nos três primeiros meses de 2014, em vez dos esperados 600 milímetros, caíram menos de 300 milímetros.

O governo estadual põe a culpa na falta de chuva, mas ela não explica a história sozinha. A estiagem deste ano apenas tornou evidente quanto o sistema é frágil e quão escassa a água é, mesmo num país tropical. O Sistema Cantareira existe desde a década de 1970. Ele retira água das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Em 2004, a Sabesp (empresa de abastecimento da capital e de outras cidades) fez obras, aumentou o volume do Sistema Cantareira e renovou sua autorização para administrá-lo. O governo estadual permitiu a retirada de 36.000 litros de água por segundo, a maior parte destinada à Grande São Paulo. Esse volume de extração, segundo Antonio Carlos Zuffo, hidrólogo da Unicamp, supera o recomendável para a capacidade das represas. “Quando a outorga foi renovada, o governo subiu o volume de litros que poderia ser retirado com a condição de que fossem feitas mais obras para aumentar a capacidade de armazenamento das represas. E elas não ocorreram no ritmo previsto”, afirma.

 A renovação da outorga previa a revisão de estudos hidrológicos, a criação de um plano de contingência para situações emergenciais e ações para reduzir a dependência que São Paulo tem do Sistema Cantareira. Nem todas as ações planejadas foram colocadas em prática. O problema chamou a atenção do Ministério Público. A promotora Alexandra Martins acredita que o poder público não deu a devida atenção ao caso. “Detectamos uma série de problemas no cálculo da destinação de água a cada área. A população cresceu muito e o volume não foi ampliado nos últimos 30 anos”, diz. Questionada por ÉPOCA, a Sabesp respondeu que fez as obras necessárias.

LIÇÃO: não permitir que as obras parem. Para financiá-las, muitos países definem multas para quem polui ou consome em excesso. A Sabesp defende a isenção de impostos para empresas que invistam na manutenção e expansão do sistema de abastecimento. Parcerias público-privadas podem ser usadas para obras de esgoto e fornecimento de água.

 "As pessoas só entenderão que a água é preciosa quando ela custar caro"

COMO A CRISE PODERIA SER EVITADA?

 São Paulo já passou por momentos climáticos extremos antes. Em 2004, o nível do reservatório do Sistema Cantareira ficou abaixo dos 30%. A Sabesp iniciou então um racionamento de água por rodízio de bairros. Fez obras para acessar o que era, até aquele momento, uma reserva de emergência. Trata-se da água que fica abaixo do ponto de captação nos reservatórios, conhecido pelo termo “volume morto”. Nos anos seguintes, por sorte, os reservatórios voltaram a encher.
Em 2011, experimentamos o extremo oposto. Fortes chuvas atingiram a região. As comportas dos reservatórios precisaram ser abertas para liberar o excesso de água. “Havia um nível superior a 100% no sistema, algo nunca antes registrado”, diz Francisco Lahóz, secretário executivo do consórcio PCJ (Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí).
LIÇÃO: não podemos mais desperdiçar chuvas como em 2011. As represas devem ser capazes de armazenar mais água nos anos de abundância. Os sistemas devem prever alternâncias mais extremas de chuvas e secas. Construtoras, fábricas e grandes edifícios têm de adotar coleta da água da chuva.

Para não faltar água, proteja a Mata Atlântica

COMO ENFRENTAMOS A ESCASSEZ?

 O consórcio de águas PCJ escreveu os “25 mandamentos da estiagem”, em fevereiro. O documento vem inspirando medidas de reação à seca. Duas cidades, Valinhos e Vinhedos, decretaram racionamento. As regiões de Campinas e Americana adotaram multas para os gastadores. Prefeituras têm cadastrado os caminhões-pipa.  “São Paulo ainda tem outras opções de reservatórios, caso o volume morto do Cantareira seque. A região do PCJ não tem”, diz Lahóz.

Em São Paulo, a Sabesp tomou quatro medidas emergenciais para evitar o racionamento: redução de tarifa para quem reduzir em 20% o consumo; obras que trazem águas de outras represas (do Sistema Alto Tietê e de Guarapiranga); a instalação de 17 bombas flutuantes, que extraem água do volume morto; e uma campanha nas rádios e TVs, para convencer a população a economizar água. A quantidade de água retirada dos reservatórios do Sistema Cantareira caiu de 31.000 litros de água por segundo, antes da crise, para 23.000 litros por segundo, em maio. De acordo com Ivanildo Hespanhol, diretor do Centro Internacional de Referência em Reúso da Água, as medidas emergenciais são boas, mas insuficientes para lidar com o problema no longo prazo.

LIÇÃO: crises de abastecimento de água envolvem várias cidades. Elas ocorrerão. Os comitês de gestão de bacias têm de funcionar de verdade. O “empréstimo” de água entre Estados, como o solicitado por São Paulo ao Rio em abril, tem de ser regulamentado. O Estado doador deve ser compensado.
Marcas da seca pelo Brasil (Foto: Reprodução)
 
O QUE ACONTECERÁ?

Os modelos de meteorologia não conseguem mostrar, com precisão, como será o próximo verão nas nascentes do Sistema Cantareira. O mais provável, pelos dados atuais, é que chova algo abaixo da média. Nesse cenário, o volume de água das represas se recupera um pouco, mas não passa dos 40%. Isso evitará a situação de emergência no próximo verão, mas não afastará o problema para os anos seguintes. A Sabesp precisará, portanto, manter os bônus para quem economizar água e talvez aplicar multas a quem desperdiçar. Há também cenários otimistas. A formação de um El Niño – um aquecimento cíclico das águas do Oceano Pacífico com efeitos no mundo todo – poderia trazer mais chuvas para a região. Isso já aconteceu no El Niño de 1982-1983. Mas é pequena a chance de isso se repetir. Segundo Zuffo, da Unicamp, o Sistema Cantareira tem condições de se recuperar da seca prolongada se o regime de chuvas normalizar nos próximos cinco a dez anos. “Se chover, e se o consumo não for maior do que o sistema aguenta, os reservatórios conseguem se recuperar a uma taxa de 10% a 20% ao ano”, diz. “Se não chover, o abastecimento será comprometido. Enfrentamos um risco grande.” E mais: no ritmo atual, em 30 anos São Paulo precisará de mais 25.000 litros de água por segundo – praticamente um novo Sistema Cantareira.

LIÇÃO: as autoridades podem tornar o consumo mais racional por meio de campanhas. É recomendável dar bônus e descontos que compensem a compra de equipamentos que economizem água. A conta d’água pode também mostrar aos perdulários que eles gastam mais que a média das famílias da mesma área ou do mesmo tamanho.




 

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