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12 de novembro de 2013

Pesquisadores anunciam a extinção inexorável do Rio São Francisco



A região do São Francisco, que já foi considerado um dos rios mais abundantes em relação a pescado no país, precisa lidar com a importação em larga escala de peixes, sobretudo os amazônicos, para suprir o que não consegue mais fornecer. Uma das espécies mais comercializadas na Praça do Peixe, a 700 metros do rio, é o cachara (surubim) do Maranhão ou do Pará. Nos restaurantes instalados nas margens do Rio São Francisco, o cardápio oferece tilápias cultivadas ou tambaquis importados da Argentina.
A mudança provocada pelo homem tanto nas águas do Velho Chico quanto na vegetação que o circunda foi drástica e rápida. Tendo como base documentos históricos disponíveis, entre eles ilustrações de expedições de naturalistas importantes, como as do alemão Carl Friedrich Philipp von Martius, é possível ver a exuberância do passado. Um desenho feito há 195 anos mostra os especialistas da época deslumbrados com árvores de grande porte, lagoas temporárias, pássaros em abundância. Ou seja, uma enorme biodiversidade, que hoje não existe mais.
Menos de dois séculos depois, restam apenas 4% da vegetação das margens do Rio São Francisco. Desprovidas de cobertura verde, elas sofrem mais com a erosão, que assoreia o rio em ritmo acelerado. Os solos apresentam altos índices de salinização e os açudes ficam com a água salobra. Aumentam as áreas de desertificação. O Velho Chico está praticamente inviável como como hidrovia. Espécies foram extintas e ecossistemas estão profundamente alterados.

Fonte: Conselho Nacional das Fundações de Amparo às Pesquisas

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5 de maio de 2013

UNESCO- HidroEX lança e-book que conta a história do rio São Francisco


Edição do livro eletrônico faz parte das comemorações do Dia Mundial da Água

O Velho Chico: na levada da serra; nas malhas do sertão e na pancada do mar. Estes são os três temas que titulam o e-book que será lançado pelo UNESCO-HidroEX nesta sexta-feira (22), em Frutal, durante as comemorações do Dia Mundial da Água. O livro eletrônico conta a história do rio São Francisco.
Com o conceito de um livro interativo, o trabalho traz em sua essência uma panorâmica percorrendo a trajetória do rio São Francisco, pontuando em suas paisagens mais significativas.
A sua primeira parte, denominada “O Velho Chico: na levada da serra”, abrange a nascente do rio até o seu percurso em todo estado de Minas Gerais.




A segunda parte da trilogia, intitulada “O Velho Chico: nas malhas do sertão”, descreve a trajetória de transição entre a caatinga mineira e o sertão da Bahia.




O trabalho é finalizado com o tema “O Velho Chico: na pancada do mar”, com a narração do trajeto final do rio até a sua foz, que deságua no Oceano Atlântico, em Alagoas.




Utilizando os recursos técnicos dos dispositivos móveis, o e-book, que é rico em elementos animados, músicas e sons temáticos, apresenta diversas formas de interação. A aplicação é bilíngue (português/inglês) e apresenta melhor experiência visual em tablets, funcionando, contudo, em smartphones, sendo indicada para todos os públicos e idades. O trabalho foi desenvolvido pelo artista visual Demóstenes Vargas, que já recebeu o prêmio Jabuti de ilustração infantil. Conta com poema de Raimundo de Carvalho e trilha sonora de Marku Ribas e Matheus Braga.

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5 de março de 2013

Dilma diz que transposição do Rio São Francisco será concluída em 2015



Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (4), na Paraíba, que o governo vai concluir as obras da transposição do Rio São Francisco até 2015. Segundo Dilma, a obra vai resolver o histórico problema de oferta de água no Semiárido nordestino.
“Não só assumo aqui o compromisso de que nós iremos, até 2014, entregar uma parte dessa interligação, como ela estará concluída até 2015. Assumo em meu nome e em nome do ministro Fernando Bezerra Coelho [ministro da Integração Nacional]”, disse a presidenta em discurso após visitar as obras da 1ª etapa do Sistema Adutor das Vertentes Litorâneas da Paraíba, no município de Itatuba.
Segundo Dilma, apesar de ser considerada uma obra estratégica e representar o maior investimento do governo em infraestrutura hídrica, a transposição do São Francisco sozinha não vai assegurar o abastecimento de municípios atingidos pela seca, por isso a necessidade de obras como o canal visitado hoje, que levam água até as populações mais atingidas. A presidenta comparou o conjunto de empreendimentos a um sistema circulatório, em que a transposição é a “veia maior” e os canais são as “veias menores”.
“Por isso para cada R$ 1 que colocamos na interligação [do Rio São Francisco], temos que colocar R$ 2 nas outras obras estruturantes articuladas com a obra da interligação”, disse.
A presidenta rebateu as críticas de que o governo federal só investe em obras emergenciais de combate à seca e disse que os recursos são direcionados tanto para ações pontuais como para obras estruturantes.
“Aqueles que dizem que não fazemos obras estruturantes, só emergenciais, estão errados. Nós fazemos sim. Agora, tem uma coisa: nós temos responsabilidade com o povo, então fazemos obras emergenciais também. Porque o governo federal e os governadores não vão ficar de braços cruzados vendo a seca surgir. Não queremos que o Nordeste seja abastecido com carros-pipa, queremos que aqui tenham obras estruturantes, mas enquanto elas não ficam prontas, vamos garantir carros-pipa sim”, declarou.
Ao comparar números de investimentos em obras de infraestrutura hídrica no Nordeste nos últimos anos, Dilma disse que resolver o problema de abastecimento de água na região é “o desafio de uma geração” e que o governo quer fortalecer parcerias com estados, municípios para chegar a esse objetivo. “Ficamos 500 anos sem resolver o problema da água, mas a nossa geração vai resolver o problema aqui no Nordeste”. Segundo a presidenta, o que falta para resolver o problema da seca são projetos, e não recursos.
Após visitar as obras da 1ª etapa, Dilma assinou a ordem de serviço para a etapa 2 do Canal Acauã-Araçagi.
Edição: Aécio Amado


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4 de março de 2013

Cardumes são dizimados à margem da fiscalização em Minas – Rio São Francisco


Em pleno período de proibição da pesca para reprodução dos peixes, EM percorre as águas do São Francisco e constata que infratores manejam tranquilamente redes e anzóis, capturando espécies ameaçadas na época em que estão mais vulneráveis

Publicação: 01/03/2013 06:00 Atualização: 01/03/2013 09:34
Pescador lança tarrafa em trecho do velho chico, durante a piracema, sem ser incomodado pela fiscalização: estação e técnica proibidas (Leandro Couri/EM/D.A Press)
Pescador lança tarrafa em trecho do velho chico, durante a piracema, sem ser incomodado pela fiscalização: estação e técnica proibidas


Buritizeiro, Pirapora, São Gonçalo do Rio Abaixo e Três Marias – A proibição da pesca durante a piracema, como é conhecida a estação de reprodução dos peixes, terminou ontem, mas, depois de quatro meses, o que deveria significar uma trégua para a renovação dos cardumes se revelou uma reedição da farra de capturas na época em que os animais se encontram mais vulneráveis. Redes estendidas nos remansos, tarrafas atiradas nas corredeiras, anzóis fisgando exemplares em plena desova encenaram um ritual que se repete ano a ano, à margem de qualquer fiscalização, dizimando espécies ameaçadas de extinção como dourados, surubins e matrinchãs. Foi o que constatou a equipe de reportagem do Estado de Minas ao percorrer, durante o período de restrição pesqueira, trechos do Alto Rio São Francisco. O histórico de pesca no manancial remonta à chegada dos europeus ao Brasil, naquela que ainda hoje é uma das mais importantes fontes de peixes de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Importância insuficiente para determinar uma fiscalização séria em suas águas.

Tanto que a pesca predatória nesta piracema foi especialmente devastadora, segundo o Centro de Transposição de Peixes (CTPeixes) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A rede de pesquisadores de diferentes instituições brasileiras e estrangeiras que forma o centro destaca que as populações de surubins, dourados e outras espécies ameaçadas chegam à época de seca resumidas a 25% do número total de indivíduos. “Um cenário gravíssimo, que deveria ter motivado maior fiscalização. Ainda mais porque a época reprodutiva coincide com as cheias. Mas, como tivemos seca prolongada, os cardumes reduzidos se tornaram alvos ainda mais fáceis da pesca predatória”, denuncia o coordenador do CTPeixes, o biólogo Alexandre Lima Godinho. Neste ano, a falta de precipitações nos meses da estação de cheia castigou o Velho Chico, fazendo reservatórios como o de Três Marias, na Região Central de Minas, chegarem a 30% de sua capacidade.

O baixo nível das águas do São Francisco logo depois da barragem de Três Marias, a 276 quilômetros de Belo Horizonte, prejudica até o tráfego de embarcações. Bancos de lodo invisíveis na superfície barrenta grudam nas hélices de barcos menores, que precisam ser limpas, levando a primeira incursão da reportagem a levar quase uma hora e meia para percorrer 10 quilômetros. O destino era a chamada “cachoeira”, na altura do município de São Gonçalo do Abaeté, uma área de corredeiras de espuma branca entre pedras no meio do curso do rio. O CTPeixes aponta o local como ideal para a reprodução de espécies como o dourado. É em locais como esse que os peixes se reúnem em grandes quantidades para desovar, ficando expostos à captura.

Corredeiras são áreas onde não se pode capturar peixes. De acordo com a Portaria 50/2007 do Ibama, é proibido qualquer tipo de pesca “a menos de 1.000 metros de barragens de reservatórios, usinas hidrelétricas, cachoeiras e corredeiras”. No entanto, já de longe é possível identificar uma dupla de pescadores em uma canoa. Atiravam uma tarrafa entre as pedras e as águas rápidas, sem qualquer preocupação ou incômodo. A armadilha tem chumbadas pesadas na borda, o que a permite se abrir no ar e se fechar rapidamente na água, embrulhando os peixes que encontra encurralados, em plena reprodução. A atividade seguiu ininterrupta, no meio da tarde, sem interferências. Como a área não permite a navegação de barcos movidos a hélice, por causa das rochas, não foi possível uma aproximação com os infratores, que estavam em canoa a remo. Mesma dificuldade têm a polícia e os órgãos de meio ambiente, que só conseguem inibir pescadores por ali usando motos aquáticas.

Outro ponto importante para a desova na piracema, segundo o CTPeixes, é a área de corredeiras de pedras entre as cidades de Pirapora e Buritizeiro, no Norte de Minas. Nesse trecho o Rio São Francisco chega a 680 metros de largura. No meio do leito despontam obstáculos como ilhas de mato alto e pedras escuras capazes de esconder pescadores dispostos a burlar a fiscalização. Para chegar até lá, só mesmo se embrenhando no matagal alto das margens, abrindo caminho por em trilhas bem conhecidas pelos pescadores, mas aparentemente ignoradas pela fiscalização.

Foi em uma dessas incursões nas margens do lado de Buritizeiro que o vigilante A.H., de 34 anos, apareceu no meio da água, atravessando a correnteza entre as pedras, enquanto atirava uma tarrafa. Ele concordou em falar, com a condição de se manter no anonimato. “Estamos na época de proibição (da pesca). Venho pegar peixes, mas não vivo disso. Agora, tem gente que vive, que é profissional e precisa de lançar as tarrafas, por isso não quero prejudicar eles”, justificou. De acordo com A., praticamente não há fiscalização naquele ponto do Velho Chico, embora esteja longe ser uma região remota – a área fica entre duas cidades conhecidas pela procura de turistas e pescadores. “Nem na piracema, nem em outra época”, acrescenta. O homem ainda encontrou uma desculpa para continuar pescando. “Não estou pegando quase nada mesmo. O rio está ruim de peixes. Assim, não vou prejudicar a reprodução deles.”

Nas redes da ilegalidade
Desde ontem, série do Estado de Minas mostra os frágeis instrumentos de proteção à fauna aquática no estado e as fraudes sistemáticas contra os mecanismos criados para evitar a pesca no período conhecido como piracema, dedicado à reprodução das espécies. A primeira reportagem revelou que a principal política oficial para evitar capturas predatórias sustenta uma verdadeira rede de corrupção. A bolsa-pesca, espécie de seguro desemprego que deveria manter pescadores artesanais impedidos de capturar espécimes durante o período de defeso, acaba engordando os bolsos de comerciantes, empresários, políticos e até religiosos, enquanto não chega para muitos dos que realmente necessitam. O EM mostrou que nos últimos dois anos houve 90 mil benefícios suspensos no Brasil e 98.336 carteiras de pesca cassadas por suspeitas de fraudes. Em Minas, 3.757 carteiras foram suspensas, mas nenhuma delas devido a desvios do seguro para o pescador artesanal.

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18 de fevereiro de 2013

Rio São Francisco receberá mais 200 mil alevinos de curimatã no dia 24 – Sergipe


Cerca de 200 mil alevinos de curimatã (xira) produzidos no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Betume, em Neópolis, serão lançados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no Rio São Francisco durante um peixamento que vai movimentar o povoado Saúde, em Santana do São Francisco, no domingo (24). Com esta ação, a Codevasf irá somar 1 milhão de alevinos inseridos na margem sergipana do São Francisco somente este ano. 


Esse será o quarto peixamento realizado pela Codevasf em Sergipe em 2013. O último deles havia sido realizado durante a celebração dos festejos de Bom Jesus dos Navegantes em Propriá, no dia 27 de janeiro, quando 350 mil alevinos foram inseridos na bacia hidrográfica do São Francisco. Antes, os municípios de Neópolis e Santana do São Francisco haviam sido contemplados com peixamentos, recebendo respectivamente 250 mil e 200 mil juvenis de espécies nativas. 


A engenheira de pesca Ana Helena Gomes, chefe do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Betume explica que a inserção dos peixes na fauna aquática é importante tanto do ponto de vista ambiental como econômico. “Os peixamentos renovam os estoques de pescados. Sem essa ação, a produção pesqueira no Baixo São Francisco cairia bastante. Além disso, essa ação faz o repovoamento do rio com espécies nativas, que praticamente desapareceram do rio com a construção das barragens”, destaca. 


O objetivo do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Betume é ampliar a produção artificial de peixes e alcançar um volume de 4 milhões de alevinos lançados no Rio São Francisco por ano. Entre 2007 e 2010, o Centro Integrado de Betume recebeu investimentos da ordem de R$ 1,2 milhão para a compra de equipamentos. Paralelamente aos peixamentos, a unidade também desenvolve um trabalho de monitoramento da qualidade da água e da fauna aquática na bacia hidrográfica do São Francisco.


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Expansão econômica desordenada e poluição sufocam Rio São Francisco – Mateus Parreiras, Luiz Ribeiro


Agricultura, pecuária, indústrias, mineração, esgoto, erosão, algas, desvio de verba, desmobilização social e descaso político: saiba como eles estão matando o São Francisco, mais importante rio de Minas
Publicação: 17/02/2013 00:12 Atualização: 17/02/2013 07:55
Manilha lança poluentes sem qualquer tratamento nas altura de Pirapora, onde pescadores tentam tirar das águas seu sustento (Solon Queiroz/Esp. EM)
Manilha lança poluentes sem qualquer tratamento nas altura de Pirapora, onde pescadores tentam tirar das águas seu sustento
Os primeiros europeus a se impressionar com o rio que de tão vasto tingia o Oceano Atlântico com suas águas turvas chegaram com a tripulação do explorador florentino Américo Vespúcio. Um ano depois de o Brasil ser descoberto, o navegador destacou isso em carta ao rei de Portugal, referindo-se ao que os índios chamavam “Opará”, ou Rio-Mar. Era 4 de outubro de 1501, dia de São Francisco de Assis, e o navegador batizou o curso com o nome do padroeiro dos animais e da ecologia. Fundamental na conquista do sertão, ainda hoje o Velho Chico sustenta nas suas barrancas pescadores e fazendeiros, abastece cidades e indústrias e chega a ser considerado solução para tentar matar a sede do Nordeste, por meio de uma transposição que ainda não saiu do papel. Porém, passados mais de cinco séculos de exploração, a fartura se voltou contra o maior curso d’água que corre integralmente em território brasileiro. 

Vítima da expansão econômica desordenada, o leito que ajudou a integrar o país está mais envenenado que nunca. Em Minas, onde nasce e recebe mais água, é sufocado por índices cada vez piores de lançamento de esgotos, resíduos da atividade agropecuária, efluentes industriais e rejeitos de mineração. Sofre também com o descaso de cidadãos que optam por ligações clandestinas de esgoto e de autoridades, refletido em estações de tratamento de efluentes que jamais funcionaram, como mostra reportagem especial do Estado de Minas.

A qualidade das águas do São Francisco em Minas nunca esteve tão ruim, alertam especialistas. O último levantamento do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) aponta que, em 15 pontos de coleta, oito (57%) superam e muito a margem de tolerância estabelecida pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para indicadores de poluição. Nesses lugares, três amostras extrapolavam a tolerância para coliformes fecais, duas para fósforo, uma para clorofila e uma para sólidos em suspensão. Tudo causado por esgoto, mineração e agropecuária desenvolvidas de forma predatória. 

Duas amostras estavam bem acima do limite de segurança para sulfetos e metais pesados, como cobre, indicando que a indústria também joga os tóxicos que já não lhe servem na água, o que afeta principalmente a saúde humana, além de contaminar e matar os peixes. Em São Francisco, no Norte do estado, é comum encontrar peixes boiando, o que pode indicar morte por contaminação.

“Não são adotadas soluções e a poluição, a cada dia, só aumenta. O rio vai ficando raso pelo assoreamento, sem peixes, que não sobrevivem em águas de qualidade muito ruim, e ainda há o perigo de doenças causadas pelas algas e pelo esgoto”, adverte o coordenador do laboratório de Ecologia de Peixes da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Paulo dos Santos Pompeu. Ameaça concreta a espécies aquáticas, pescadores, ribeirinhos e ao abastecimento dos 504 municípios da bacia que irriga Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.

Mas não são apenas as comunidades e empreendimentos nas 43 cidades banhadas diretamente pelo Velho Chico que degradam o rio. De acordo com o último levantamento do Igam, das 43 estações de coleta de dados espalhadas por afluentes da bacia, 16 (37,2%) denunciavam violações. Os piores resultados apareceram nos rios e ribeirões Marmelada (Abaeté), Borrachudo (Tiros), Vieiras (Montes Claros), Preto (Ilha de Baixo), São Miguel (Calciolândia), Sucuriú (Três Marias), Abaeté (São Gonçalo do Abaeté), Jequitaí (Guaicuí), Rico (Paracatu), Gorutuba (Janaúba) e Verde Grande (Glaucilândia, Capitão Enéas e Jaíba). “A bacia é integrada. O que é despejado em Montes Claros, em minutos chega ao Rio Verde Grande e em poucas horas ao São Francisco”, destaca a professora Yara Silveira, do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Montes Claros e integrante do comitê da bacia do Velho Chico.

Seguindo o mapeamento do Igam e o rastro dos poluidores, as equipes de reportagem do EM percorreram 1.500 quilômetros da extensão mineira do leito para mostrar de onde parte a destruição daquele que já foi chamado de Rio da Integração Nacional, mas cuja situação hoje destoa até mesmo do nome do santo que viveu para defender o meio ambiente.

O que sufoca o rio

Coliformes termorresistentes (fecais)Bactérias presentes no sistema digestório de mamíferos. Indicam a presença de esgoto na água. Por si só não causam danos à saúde, mas sua existência aumenta as chances de encontrar outros parasitas e vírus que provocam doenças, como febre tifoide, cólera, gastroenterite aguda, diarreia, hepatites A e B, poliomielite e disenteria amebiana.

Sólidos em suspensão


Presença de partículas (areia, silte, argila, algas, plâncton) na água. Pode ser causada por erosão das margens dos rios, esgoto sanitário, efluentes industriais e mineração. Provoca a formação de bancos de lodo e alterações no ecossistema aquático ao reduzir a enetração de luz na água.

Cobre

Pode acarretar lesões no fígado humano e é extremamente nocivo aos peixes, causando coagulação do muco das brânquias e matando os animais por asfixia.

Fósforo

Aparece principalmente devido a lançamento de esgotos, atividade agropecuária e erosão do solo. Como alimento de bactérias, sua grande concentração promove a proliferação dos micro-organismos que consomem o oxigênio da água, tornando-a imprópria à vida de outros organismos aquáticos.

Clorofila

Pigmento que possibilita a fotossíntese, é o principal indicador da proliferação de algas. Algumas espécies de algas em altas densidades comprometem a qualidade da água. Atenção especial é dada ao grupo das cianobactérias, que tem espécies potencialmente tóxicas relacionadas à mortandade de animais e a danos à saúde humana.

Sulfetos
Subproduto de minerais, aparece nas águas indicando contaminação por esgotos, quando em pequena quantidade, e por atividades industriais, se em grandes concentrações. Interfere na acidez da água e causa colapso em algumas funções celulares. Pode levar peixes e outros organismos aquáticos à morte e provocar intoxicação em
seres humanos.

(Fontes: Funasa, Igam, Semad, Cetesb)
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