O ser humano resiste até quarenta dias sem comida, mas não
sobrevive três dias sem água. Nossa constituição física é formada, na sua quase
totalidade, por líquidos.
A Terra, um organismo vivo, também é constituída em sua
maior parte por líquidos, em suas diferentes formas: rios, lagos e oceanos.
O temido aquecimento global vem aos poucos minando as
fontes, minguando os rios e fazendo secar as lagoas. Enquanto uns desperdiçam
água potável, outros perecem por falta dela.
As guerras, no futuro, não serão por disputa de terras e
nem por petróleo, e sim pela água que, escassa, se tornará cada vez mais
preciosa, pois dela dependem todos os seres vivos. As nações que detiverem os
maiores redutos aquíferos terão o controle do planeta.
O “acordo de Paz” entre as nações será o “acordo da água”. Para
aniquilar o inimigo serão visados os poços de água. Os tanques, os aquedutos, serão
bombardeados para enfraquecer o inimigo.
Sem água não há agricultura, sem agricultura não há
alimento para o gado que morrerá de fome e sede. O homem, sem água, sem
agricultura e sem animais, também sucumbirá.
As novas regras do jogo serão: destruam os recursos hídricos
e obterão a vitória.
Do Fórum Mundial de Davos, na Suíça, resultou um relatório
alertando que o mundo corre o grave risco de sofrer a falta de água doce em
menos de vinte anos. Afirma que a escassez de água poderá fazer com que Índia e
EUA percam a quase totalidade de suas colheitas. O relatório calcula que no
atual ritmo de derretimento, em razão do aquecimento global, as geleiras do
Himalaia e do Tibet terão desaparecido até 2100 e setenta grandes rios do mundo
secarão. Sem contar que para ser o “frigorífico” do mundo, o Brasil vai
acabando com suas florestas e com os mananciais de água potável para manter as
criações de gado.
O impacto ambiental é imenso. Se nada for feito desde já,
as previsões sinistras se concretizarão.
A cultura do desperdício ainda impera e a grande maioria
dos seres humanos não está nem aí para o uso racional da água. Uns poucos já
acordaram para a gravidade do problema e é nessas pessoas que depositamos esperanças
de reverter ou segurar a situação para que o caos mundial não se instale.
Temo só em pensar na profecia do Grande Chefe Índio, ao
sentenciar com toda sabedoria herdada de sábios antepassados: “Quando o último
rio secar, a última árvore for derrubada e o último animal abatido, o
homem verá que não pode se alimentar de dinheiro, e então será tarde demais e a
única água que restará serão as lágrimas amargas de arrependimento”.
Que a espécie humana coloque as mãos na consciência.
Políticos, governantes, professores, pais, formadores de opinião, cidadãos, crianças,
todos trabalhem em conjunto para que nossos descendentes herdem um mundo habitável.
O planeta Terra pede água.
(texto de Ivana Maria França de Negri)