Seguidores do Blog SOS Rios do Brasil

Mostrando postagens com marcador rio Níger. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rio Níger. Mostrar todas as postagens

19 de agosto de 2014

O governo da Nigéria e a Shell continuam ignorando a terrível contaminação no rio Níger

.
A sistemática falta de ação do governo nigeriano e da gigante petroleira Shell na hora de limpar a terrível contaminação por petróleo no delta do Níger foi qualificada como vergonhosa no dia 4 de agosto por um grupo de organizações nigerianas e internacionais.
.
Um relatório crítico publicado no mesmo dia por Amigos da Terra - Europa, Anistia Internacional, Ação pró Direitos Ambientais, Platform e Centro para o Meio Ambiente, os Direitos Humanos e o Desenvolvimento (CEHRD), joga luz sobre uma alarmante falta de ação por parte da Shell e do governo da Nigéria para limpar a contaminação em Ogoniland, apesar das recomendações formuladas por um importante estudo da ONU publicado há três anos.
.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) publicou em 2011 um estudo científico sobre a região de Ogoniland, no delta do Níger, que debatia a contaminação generalizada por petróleo, os graves riscos sanitários para a população – inclusive a contaminação da água potável, desconhecida até então – e as profundas deficiências nos processos da Shell para limpar o vazamento de petróleo.
.
Godwin Ojo, da Amigos da Terra Nigéria, afirmou: “Passaram-se três anos e o governo e a Shell fizeram pouco mais do que estabelecer processos que parecem ações, mas que não são mais que... folhas de figueira para que tudo continue igual. A falta de ações significativas ante os irrefutáveis dados científicos é exasperante. O governo da Nigéria e a Shell estão simplesmente se esquivando de sua responsabilidade pelos abusos contra o meio ambiente e os direitos humanos no delta do Níger.”
.
O estudo da ONU, realizado a pedido do governo da Nigéria e pago pela Shell, destacou a grave inação do governo da Nigéria quanto a regular e controlar empresas como a Shell. O informe revelou também a sistemática falta de ação da Shell na hora de abordar os vazamentos de petróleo que remontam há muitos anos. A ONU descreveu como os peritos da ONU descobriram que lugares que a Shell afirmava que haviam sido limpos continuavam contaminados.
.
Audrey Gaughran, da Anistia Internacional, afirmou: “Por muitos testes decorrentes da sua má prática, a Shell até agora tem escapado da necessidade de limpar os danos que causou. O relatório do PNUMA foi claro: a Shell não limpou adequadamente os derramamentos de petróleo. Seu sistema de limpeza apresenta deficiências substanciais, e a consequência foi a exposição em longo prazo de dezenas de milhares de pessoas à poluição e riscos para a saúde ".
.
Depois do estudo da ONU de 2011, a Shell defendeu, e continua usando, métodos para limpar os derramamentos de petróleo que o informe da ONU declarava ineficazes. O relatório publicado no último dia 4, intitulado 'No Progress' (Sem progresso), destaca também a manipulação da informação por parte da Shell para escapar da prestação de contas pelos oleodutos antigos e com vazamentos, oleodutos tão velhos que a empresa não revela sua idade nem seu estado.
.
Paul de Clerk, da Amigos da Terra Europa, afirmou: “Três anos depois de descobrir-se que suas atividades expuseram praticamente cada homem, mulher, menino e menina em Ogoniland – além de dezenas de milhares de pessoas em outras áreas do delta do Níger – a uma contaminação para toda a vida, a Shell continua mais preocupada em se proteger. Os governos da Nigéria e dos países de origem da Shell, Países Baixos e Reino Unido, devem se assegurar que a gigante do petróleo inicie uma limpeza adequada e de que indenize pelos danos”.
.
O estudo da ONU recomendava também, entre outras medidas, o estabelecimento de uma Autoridade para a Recuperação Ambiental de Ogoniland e o estabelecimento de um Fundo para a Recuperação Ambiental com um capital inicial de US$ 1 bilhão. Nem a Autoridade nem o Fundo foram estabelecidos.
.
O governo da Nigéria, a Shell e os governos de seus países de origem – Reino Unido e Países Baixos – se beneficiaram da extração de petróleo do delta do Níger, e agora devem apoiar um processo de reabilitação social e ambiental e a aplicação em sua integridade do estudo da ONU, segundo as organizações que publicaram o informe do dia 4 de agosto.

http://anistia.org.br/direitos-humanos/blog/o-governo-da-nig%C3%A9ria-e-shell-continuam-ignorando-terr%C3%ADvel-contamina%C3%A7%C3%A3o-no-rio-?linkId=9279952

http://www.amnesty.org/en/library/info/AFR44/013/2014/en


BLOG SOS RIOS DO BRASIL
ÁGUA - QUEM PENSA, CUIDA!