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10 de setembro de 2011

CONFLITO PELA ESCASSEZ DE ÁGUA NO ORIENTE MÉDIO



A água como arma de guerra 

Enviado pela colaboradora Dra. Ana Echevenguá, advogada, ambientalista e jornalista, presidente do Instituto Eco&ação e da academia Livre das Águas
www.ecoeacao.com.br - ana@ecoeacao.com.br

Muito além das questões religiosas, os conflitos no Oriente Médio fulcram-se na escassez de água regional. Apesar do inconcebível silêncio a respeito do tema, o mundo sabe que são os recursos hídricos que provocam e/ou contribuem para o acirramento dos conflitos. O exemplo clássico é a invasão por Israel das colinas de Golã, na Jordânia, onde está a nascente do rio Jordão.
É sabido que israelenses, palestinos e jordanianos disputam os recursos hídricos do rio Jordão. Então, toda vez que pensarmos em invasão de terras no Oriente Médio, devemos relacioná-la com invasão de terras com água - superficial ou subterrânea. 
Desde 1948, Israel prioriza projetos, inclusive bélicos, para garantir o controle de água na região. Dentre estes:
- a construção do Aqueduto Nacional (National Water Carrier); 
- nos anos 60, anexou os territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia e tomou da Síria as Colinas do Golã, para controlar os afluentes do Rio Jordão.
- em 2002, a construção do ‘Muro de Segurança’ viabilizou o controle israelense do Aqüífero de Basin, um dos três maiores da Cisjordânia, que fornece 362 milhões de metros cúbicos de água por ano. Antes do muro, o Aqüífero fornecia metade da água para os assentamentos israelenses. A destruição de 996 quilômetros de tubulação de água deixou a população palestina do entorno do muro sem água para beber;

- antes de devolver (apenas simbolicamente) a Faixa de Gaza, Israel destruiu os recursos hídricos da região. A  Faixa  - o que foi estipulado como território palestino 
– conta com 1,5 milhão de habitantes para uma área de 360 km², sem água.
Por que a água nunca aparece de forma explícita 
nas discussões e negociações políticas da região
?
A água, na região, é vendida para o consumo humano e animal. É mercadoria vital: ou se compra água do vizinho ou se morre de sede. Imagino que não seja conveniente trazer este assunto à tona. Principalmente porque, ali, os rios ultrapassam fronteiras. A água sempre foi um bem precioso naquela região. Hoje, ela é mais preciosa do que petróleo. É questão de segurança nacional. Daí a disputa pela posse de território que possua recurso hídrico.
As regras internacionais para o uso compartilhado dessas  águas, que são chamadas de transfronteiriças, não são cumpridas porque os tratados existentes não prevêem mecanismos de coação ou de coerção. Assim, os tratados que obrigam Israel a fornecer água potável aos palestinos. O Acordo de Paz de Oslo de 1993, por exemplo, estipulou que os palestinos deveriam ter mais controle e acesso à água da região. Mas tais regramentos – lex partibus - não são cumpridos.
E o Tribunal Internacional de Justiça, até hoje, condenou apenas um caso relacionado com águas internacionais.
 
Rio Jordão
Das principais fontes de obtenção de água no Oriente Médio - as bacias dos rios Jordão, Tigre e Eufrates -, o foco principal é o rio Jordão, disputado por Israel, Líbano, Síria e Jordânia. Um rio, afetado pela seca e poluição, que supre em torno de 1/3 da água consumida por Israel, além do consumo da Jordânia, Síria, Cisjordânia e da Faixa de Gaza.
A falta de saneamento básico e o despejo de resíduos já poluiu o rio Jordão de tal modo que os rituais de batismo serão impedidos ali, conforme relatou a jornalista Jess Leber. 
E, embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, tornou-se - com as sucessivas invasões -, o detentor do controle dos suprimentos de água; tanto seu como da Palestina.
O detentor da água detém o poder
Além de restringir o uso d’água, Israel luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural. São suas as águas superficiais: bacia do rio Jordão (incluindo o alto Jordão e seus tributários), o mar da Galiléia, o rio Yarmuk e o baixo Jordão; e as  águas subterrâneas: 2 grandes sistemas de aqüíferos: o aqüífero da Montanha (totalmente sob o solo da Cisjordânia, com uma pequena porção sob o Estado de Israel), aqüífero de Basin e o aqüífero Costeiro que se estende por quase toda faixa litorânea israelense, até Gaza.
Não obstante, Israel possui a maior usina de dessalinização por osmose reversa do mundo, inaugurada no ano passado. A expectativa é produzir 127 milhões de metros cúbicos de água por ano, para abastecer 1/6 da população israelense.
E está investindo também na reciclagem de águas servidas e poluídas. Há também a produção artificial de chuva (com bombardeio de nuvens). Creio que cerca de 15% das chuvas no norte de Israel são produzidas desta forma.
A importação de água também é uma das práticas da região. E, isso, particularmente, me assusta ao pensar que vivemos no Brasil das águas e que eu moro sobre o Aqüifero Guarani.  
 
Eufrates e Tigre
As nascentes do Eufrates e do Tigre – que se situam na Turquia – também são alvo de problemas hídricos com a Síria e Iraque.
A Turquia construiu várias represas, ao longo do Eufrates, Tigre e afluentes, destinadas à irrigação ou à produção de energia.
É óbvio que a Síria e o Iraque - que também são atravessados pelo Tigre e Eufrates – não concordam com essa situação. Aliás, há quase trinta anos, as águas da antiga Mesopotâmia são objeto de uma batalha diplomática entre a Turquia (que detém as fontes) e seus vizinhos, que brigam por um “tratado internacional de gestão compartilhada”  para o Tigre e o Eufrates.
Em Israel, o consumo médio diário de água por pessoal é de 350 litros.  A Jordânia, pouco menos do que isso. Agora, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, o uso representa 1/10 da quantidade utilizada na Jordânia. São dados constantes do Relatório do Conselho Nacional e Pesquisa dos Estados Unidos (NRC). 
 
O crescimento das populações locais pode agravar o problema? 
 
Sim. Em Israel, a população que hoje é em torno de 7,7 milhões deve aumentar, até 2020, para 8,5 milhões.
A ONU, em 2009, já alertava que o crescimento da população mundial – com cerca de 80 milhões de nascimentos por ano – já exige políticas públicas para água. Esses números resultam num  acréscimo anual  de 64  bilhões de metros cúbicos na demanda dos recursos hídricos. E é afetado pelas mudanças dos hábitos alimentares, que também aumenta o consumo de água.. Para a produção de um quilo de carne, por exemplo, são necessários entre 800 e 4 mil litros de água.
Outra questão importante – e da qual ninguém fala – é do confinamento das pessoas. Quando Israel foi fundado em 1948, cerca de 750 mil palestinos foram expulsos de suas terras. Hoje, seus descendentes chegam a 4,5 milhões de pessoas, que sobrevivem precariamente em acampamentos de refugiados. Só na Cisjordânia e Faixa de Gaza, por exemplo, vivem mais de 2 milhões de refugiados. Não podem ocupar outros territórios devido à diáspora imposta pelo Estado de Israel.
Como a questão palestina se coloca nesse aspecto?
Em um documento apresentado na Assembléia Geral das Nações Unidas, em 2010, o observador permanente da Palestina para a ONU, Riyad H. Mansour, disse que, durante 42 anos, os territórios ocupados sofreram “todo tipo de crueldade, destruição e abuso nas mãos de Israel, a potência ocupante, que foi contra a vida, o sustento e os recursos dos palestinos”. Inclusive a violação ao direito dos palestinos de acesso à água, desde a ocupação, em 1967, quando Israel assumiu o controle de todos os recursos hídricos.
Freqüentemente, surgem notícias sobre destruição e bombardeio de poços de água dos palestinos, na luta diária pela posse da água. Os israelenses bombardeiam tanques d'água, grandes ou pequenos (muitas vezes construídos nos telhados de suas casas), confiscam as bombas d’água, destroem poços... Estes, para serem abertos, precisam de autorização da administração militar de Israel. Na  Cisjordânia (território palestino ocupado desde 1967), por exemplo, são raras as licenças para este tipo de exploração. Em 2003, contava com cerca de 250 fontes ilegais e a Faixa de Gaza, com mais de 2 mil). 
Israel irriga 50% das terras cultivadas, mas a agricultura na Palestina exige prévia autorização. Então, furto de água das adutoras de Israel é comum naquela região.
A proposta do novo Estado palestino independente –que está na ONU e poderá ser decidida este ano– prevê, para este novo estado, menos de 20 % da área da Palestina histórica. Com isso, Israel se livrará de 3,5 milhões de palestinos. Ou seja, a Autoridade Palestina terá uma superpopulação de palestinos em um território minúsculo. E, repito, sem água.
Alerta final
Foi importante a participação de Shaddad Attili, diretor da Autoridade de Água Palestina, na Semana Mundial da Água, em Estocolmo, ocorrida em agosto de 2011. Ele confirmou o que todos já sabem: a água é usada como arma de guerra.
E Attili foi corajoso ao lançar o seguinte alerta: “Não se enganem, pois não haverá um Estado palestino viável sem que possa acessar, controlar e administrar suficientes recursos hídricos para cobrir suas necessidades internas, presentes e futuras, agrícolas e industriais”.
Para ele, os desafios dos palestinos em relação à água são os mesmos, ou similares, aos que enfrentam muitas outras nações.
Por isso, devemos dar atenção especial aos recursos hídricos brasileiros, que são abundantes. E alvo de interesses econômicos de muitos.
Parabéns cara Dra. Ana Echevenguá,
Suas abalizadas considerações, suas importantes informações e suas seguras opiniões, expressas neste artigo, nos dão uma noção muito clara e de fácil percepção do que realmente ocorre no oriente médio.
Muitas vezes, nos jornais ou na internet os especialistas em econômia e política exterior tratam do assunto, mas numa linguagem mais específica que nem sempre fica claro para todos, mormente para nossos estudantes e povos ribeirinhos, que também demonstram muito interesse para as questões relacionadas ao uso da água.
Ao nos brindar com este artigo tão importante e escrito de forma tão esclarecedora, a amiga que é uma ferrenha ambientalista, defensora de nossas praias, rios e cursos d'água, nos dá uma lição do que pode acontecer em qualquer uma de nossas bacias hidrográficas por esse Brasil afora, se não procurarmos conhecer, preservar, defender e valorizar as águas do nosso pedaço, da bacia onde vivemos.
A melhor maneira de fazermos isso, e assim garantirmos a preservação de nossos mananciais, a manutenção de nossas preciosas e imprescindíveis matas ciliares e mantermos a saúde ambiental de nossas águas é participarmos dos movimentos ambientalistas, das ONGs e OSCIPs, dos grupos comunitários, dos comitês de bacias hidrográficas e sempre que sentirmos que nossos recursos hídricos forem ameaçados, degrados ou poluídos, buscarmos ajuda imediatamente junto aos poderes públicos, mídia e em especial nas promotorias públicas das comarcas.
Constantemente nossas águas são ameaçadas por interesses de empresas, pessoas inescrupulosas, grandes proprietários de terra, criadores de gado, produtores agrícolas ou outros, que se acham os únicos que precisam do precioso líquido para atender seus interesses pessoais, mesmo que prejudiquem grandes comunidades. Pior ainda são aqueles que por ignorância e irresponsabilidade poluem e contaminam as águas de superfície e subterrâneas, incluindo aqui, vergonhosamente, muitos administradores municipais, indústrias de grande porte e até mesmo, concessionárias de serviços de água e esgoto.
Cada um de nós tem a responsabilidade de zelar pela água e garantir sua preservação e qualidade para evitar poluição, escassez e conflitos futuros. Cada qual fazendo a sua parte vamos garantir a nossa água de amanhã!
Prof. Jarmuth Andrade
BLOG SOS RIOS DO BRASIL
ÁGUA - QUEM PENSA, CUIDA!

24 de janeiro de 2010

AS MANIFESTAÇÕES DOS INTERNAUTAS SOBRE NOSSA ENQUETE

Nossa campanha permanente "DIGA NÃO ÀS ENCHENTES"

Em 14 de janeiro nós lançamos uma enquete sobre as enchentes, inundações e deslizamentos que acontecem, principalmente no verão, em muitas cidades do Brasil e convidamos nossos leitores para responder a mesma e enviar uma frase sobre o assunto. Vejam algumas frases que recebemos:



(Responda a enquete na coluna ao lado)


Veja o que foi publicado:

O POVO FALA...


Queremos saber a sua opinião, caro internauta sobre as possíveis causas que provocam ENCHENTES, INUNDAÇÕES OU DESLIZAMENTOS nas comunidades brasileiras, provocando catástrofes, muitas perdas materiais, DESABRIGADOS, muitas pessoas feridas e até mesmo mortes sob os escombros das casas destruídas, escorregamentos de encostas ou cheias das várzeas.

Os especialistas que têm enviado suas colaborações para o Blog, através dos artigos que escrevem e permitem as postagens, apresentam os vários fatores que provocam essas lamentáveis tragédias que abalam principalmente as populações de baixa renda, que constroem suas humildes casas e barracos nos piores e mais perigosos locais que encontram.

Agora queremos ouvir os nossos visitantes e amigos que podem escolher na enquete os itens que entendem ser realmente os causadores desses problemas que em todas as temporadas de chuvas voltam a repetir nos entornos das capitais e grandes cidades do Brasil.

Também queremos que deixem no comentário deste artigo, expresso em uma única frase, algum outro motivo que não esteja contemplado nos ítens disponíveis na enquete. Já recebemos alguns, que publicamos abaixo, para seu conhecimento.


ONDE TEM ENCHENTES, INUNDAÇÕES OU DESLIZAMENTOS...

1. Tem lixo fora das lixeiras e dos aterros. (Vilmar - Campinas - SP)

2. Tem falta de fiscalização municipal eficiente. (Hélio Pelegrine - Natal -RN)

3. Tem bueiros entupidos e rios sem limpeza. (Rosangela Brito - Lorena - SP)

4. Tem fiscal corrupto que deixa ocupar morro e beira de rios. (Wilson Fragoso)

5. Tem político burro que não sabe administrar sua cidade (Esther Vanzolline - Campo Grande - MS)

6. Tem população ignorante que joga lixo em qualquer lugar (Cristina Santos da Cruz - Santos - SP)

7. Tem falta de fiscal honesto nas Prefeituras. (Zelão - Taubaté - SP)

8. Tem povo ignorante, sem educação, sem cultura e sem vergonha na cara (Zelão - Taubaté - SP)

9. Tem falta de interesse da comunidade por seus rios e córregos (Prof. Jarmuth - SOS Rios do Brasil)

10. Tem Governo ignorante e omisso que prefere gastar com recuperação do que com prevenção de tragédias. Jornalista Clélia Moura - Brasília - DF

11. Tem povo porco e ignorante, que joga lixo prá todo lado, morando em lugares invadidos, com apoio de maus políticos. - Celso Nunes - Guarulhos - SP

12. Tem Promotor Público muito ocupado que não vê os problemas do meio ambiente de sua Comarca. - LUIZ SIQUEIRA VENTURINI - CAMPINAS - SP

13. Tem faculdade qaue não prepara bem seus engenheiros e administradores que vão fazer besteiras nas prefeituras....como tem incompetentes em cargos públicos. - Elizabeth Pinguelli - São Paulo

14. Não é só engenheiro despreparado. Tem falta de fiscalização do CREA, da Defesa Civil e da aplicação das Leis dos Códigos de Postura Municipal, nas cidades onde ocorrem as tragédias. - Engº Valdir Tavares - São Paulo


15. Tem político corrupto e sem vergonha que só quer se dar bem, bancar o bonzinho, distribuindo qualquer terreno, em qualquer lugar e o povo que se dane, depois... - Luiz Ferraz - Porto Alegre
16. Tem povo trouxa que só quer levar vantagens e acaba enganado e explorado por políticos desonestos e aproveitadores - Letícia Santos - Angra dos Reis RJ

17. Tem falta de interesse das comunides e dos cidadãos por seus rios e córregos - Prof. Jarmuth Andrade - SOS Rios do Brasil

18. Tem gente fugindo da seca e se enfiando de qualquer jeito, em qulaquer morro ou beira de rio daí ficando à mercê dos deslizamentos e enchentes - Thelma Abujanra - São Bernardo do Campos - SP

19. Tem prefeitos e vereadores incompetentes e sem visão urbana, precisando se reciclar com urgência - Dr. Nelon Spíndola - Curitiba - PR

20. Tem Universidades produzindo altas teses, dissertações, mirabolantes projetos utópicos, sem aplicação prática nas comunidades carentes (Beatriz Schermann - Florianópolis - SC)

21. Tem povo ignorante, sem educação, sem cultura e sem vergonha na cara - Zelão de Taubaté - SP

22. Tem falta de planejamento urbano e cumprimento de legislação ambiental - Expedito Barelli - Recife - PE



As pessoas de menor poder aquisito são as mais afetadas nas tragédias

Numa postagem sobre enchentes em SP, um anônimo disse:

"SERÁ QUE SE A GENTE PEDIR SOCORRO PARA O PESSOAL DE ENGENHARIA DA ARGENTINA, DO CANADÁ, DO JAPÃO, DA EUROPA OU DOS USA, ALGUÉM PODERIA AJUDAR A RESOLVER OS PROBLEMAS DAS ENCHENTES E INUNDAÇÕES NAS CIDADES BRASILEIRAS?

PELO JEITO OS ENGENHEIROS DAQUI NÃO TÃO DANO CONTA DESSES PROBLEMAS DE ENCHENTES."


Nossa Opinião:

Nós entendemos que os problemas causados pelas chuvas de verão são realmente preocupantes, causam graves tragédias, muitos prejuízos materiais e ceifam preciosas vidas.
Não vamos entrar em detalhes sobre as manifestações de nossos internatutas, postadas acima. Embora possamos não concordar com algumas delas, respeitamos a livre expressão. Nosso objetivo já foi conseguido quando fizemos as pessoas pensarem no assunto e até se manifestarem.

Ouvindo a Rádio BandNews FM/SP, no sábado dia 23/01, um dos comentáristas dizia que na semana as fortes chuvas, só em SP, haviam causado um prejuízo de R$ 300 milhões com a paralização do trânsito nas principais vias, R$ 15 milhões de perdas de mercadorias na CEAGESP e causado a morte de 09 pessoas, em deslizamentos e arrastadas pelas correntezas; dezenas de pessoas feridas e milhares desabrigadas e desalojadas. Podemos imaginar os prejuízos que podem ser computados em todo o país.

Não acreditamos que nossos competentes ENGENHEIROS, GEÓLOGOS E ESPECIALISTAS EM HIDROLOGIA não estejam preparados para resolver os problemas das águas nos períodos das chuvas. Várias soluções foram buscadas em São Paulo, no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e outras capitais e cidades que enfrentam os problemas de moradias em áreas de risco, excesso de asfalto e concreto que impermeabilizam o solo e não permitem a infiltração das águas.

Galerias, piscinões, cisternas, barragens, túneis, drenos subterrâneos, macrodrenagens, poços, valões e canais, contenções de taludes e encostas, cortinas atirantadas, retirada de populações em áreas de alto risco, desassoreamentos, revitalização e dezenas de várias outras soluções são realizadas pelos engenheiros e especialistas brasileiros.

Discordamos plenamente de nosso internauta (infelizmente anônimo) que diz precisarmos buscar soluções de engenharia fora do Brasil , para resolver nossos problemas de enchentes e deslizamentos. Nossas Universidades, nossas Escolas Politécnicas (conheço as da USP e da UFRJ), nossos Institutos de Engenharia e Centros de Estudos e outras organizações que congregam nossos engenheiros, geólogos, meteorologistas, técnicos e especialistas estão plenamente capacitadas e preparadas para apresentar as melhores soluções para os problemas de nossas cidades. Muita gente desses países citados buscam soluções brasileiras e até levam nossos especialistas para atuarem lá fora. As empresas de engenharia do Brasil são as mais requisitadas para obras no exterior.

Resta saber se nossos especialistas são consultados, se suas opiniões são ouvidas, se seus estudos e propostas são levados em conta, se as experiências e dados coletados, em diversas pesquisas e trabalhos acadêmicos chegam até os setores de planejamento e engenharia de obras das Prefeituras e Secretaria de Governo. Será que não está precisando haver uma maior aproximação e interação entre os mesmos?

Talvez possa haver um maior empenho de organismos como o CREA, Institutos de Engenharia, Escolas Politécnicas, Conselhos, Associações, Comitês de Bacias Hidrográficas, Centros de Pesquisas, Concessionárias de água e esgoto e mesmos ONGs e OSCIPs na busca de soluções para esses problemas em suas regiões de atuação.

Podem organizar simpósios, seminários, fóruns de debates, concursos de projetos e outras atividades que possam ajudar as Prefeituras Municipais e Estados a encontrar soluções viáveis, plauzíveis e que caibam em seus limitados orçamentos para solucionar de vez com esses problemas que castigam as populações todos os anos.


Cremos que falta também muito planejamento e sérios investimentos dos Governos municipais (principalmente), na prevenção das tragédias, que no final exigem maiores gastos nas recuperações dos estragos, do que gastariam na sua prevenção. Muitos casos seriam resolvidos com uma "draglines" ou uma "escavadeira S-90" e dois caminhões basculantes, um caminhão tanque desentupidor ou ainda, com uma boa equipe de braçais, desassoreando os cursos d' água e desentupindo bueiros que provocam as enchentes e inundações. É claro que, antes do período das chuvas...

As pontes que são levadas, os asfaltos, galerias, calçadas, redes pluvias, de água e de esgoto, redes elétricas, serviços de jardinagem e paisagismo, pinturas e recuperação de espaços públicos, etc, têm um custo muito alto de recuperação, a cada tragédia provocada pelas águas. Para não falar dos gastos com os desabrigados, desalojados, machucados, que exigem cuidados e internações e ainda até os casos de mortes, que dinheiro algum pode reparar.


No vídeo abaixo, o meteorologista-chefe da USP fala de outros problemas que ocorrem, como a falta de entendimento por parte da Defesa Civil das previsões e alertas que são comunicados pelos setores competentes.

Já está na hora de nossos administradores públicos, principalmente os Chefes dos Executivos Municipais, levarem mais a sério e planejarem melhor as ações nas temporadas de chuvas em suas comunidades.
Aqueles que insistirem a permanecer insensíveis a tais problemas podem ser convencidos com a ajuda do Ministério Público, Ações Civis Públicas, pedidos de realização de CPIs nas Câmaras Municipais e até mesmo manifestações populares organizadas.

O que não pode é continuar acontecendo todos os anos, em todas as fortes chuvas os mesmos problemas e tragédias, com grandes danos e sem soluções.
Estamos fazendo uma consulta ao PROCON para saber se as populações prejudicadas com enchentes e deslizamentos podem cobrar responsabilidade e pedir ressarcimento dos prejuízos aos responsáveis (prefeituras, estados, concessionárias de serviços, etc). Daremos ampla divulgação da resposta que obtivermos.

Certamente prevenir e preparar para enfrentar as tragédias fica bem mais econômico do que recuperar os danos causados pelas mesmas!
Prof. Jarmuth Andrade
Físico e Ambientalista

Como prevenir os problemas com excesso de chuva - Jornal da Gazeta

AUGUSTO PEREIRA FILHO - METEOROLOGISTA-CHEFE DA USP



LEIA MAIS SOBRE NOSSA CAMPANHA PERMANENTE:
"DIGA NÃO ÀS ENCHENTES"

NÃO PERMITA QUE AS TRAGÉDIAS
SE REPITAM EM SUA CIDADE



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