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5 de outubro de 2008

ESCASSES HÍDRICA - POLUIÇÃO - MAU USO DE MANANCIAIS

Líquido precioso
A poluição e o mau uso de mananciais ampliam a escasses hídrica e fazem do acesso à água potável um foco de tensão em diversas partes do globo

Por Sérgio Adeodato

O corpo humano é composto de mais de dois terços de água. Para manter a saúde, precisamos bebê-la várias vezes ao dia. É condição básica para a existência da vida; faz parte da rotina de todos. Com ela, escovamos os dentes, tomamos banho, lavamos roupa e louça e ainda geramos energia elétrica, produzimos alimentos, movemos indústrias, transportamos mercadorias e aproveitamos o lazer.



O planeta, fornecedor dessa fonte vital, também precisa dela para manter-se saudável – e garantir o equilíbrio do clima e dos ambientes naturais. Não é por acaso que a água simboliza a vida.



O problema é que se torna um bem cada vez mais escasso. Mais que isso. Disputada como um tesouro raro e precioso, ela pode se transformar em motivo de violência e guerra, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).



Hoje, calcula-se que 2,2 bilhões de habitantes, quase um terço da humanidade, sofre com a falta de água potável. Em 20 anos, serão 3,9 bilhões com sede.




Estima-se que a principal disputa no planeta nos próximos 50 anos não será por petróleo, ouro ou carvão – mas por água. O alerta consta do relatório divulgado pela ONU no Dia Mundial da Água. Dentro de um cenário de crise, aumenta a briga pela posse e pelo uso desse recurso. A questão preocupa, porque a desigualdade e a escassez tendem a aumentar os conflitos. Além de atritos entre grupos rivais em um mesmo país, há embates diplomáticos entre nações e outras desavenças que podem culminar nas próximas décadas em confrontos armados pelo controle de mananciais.


O relatório identifica 46 países nos quais há risco de essa crise provocar brigas. O perigo é maior entre nações que vivem escassez e compartilham o uso de rios e lagos. Existem no planeta263 bacias hidrográficas transnacionais, abrangendo 145 países.


Mais de 40%da população mundial habita essas áreas, como o mar Cáspio e o mar de Aral, na Ásia; o lago Chade e o lago Vitória, na África, e os Grandes Lagos da América do Norte. Em alguns casos, as fontes são disputadas litro a litro, como no Oriente Médio, onde dominar a água é estopim de guerras desde a Antiguidade.


Israelenses e palestinos lideram as disputas. Sob o solo do deserto, estão os lençóis da Cisjordânia. Até 1967, os palestinos usavam essa água à vontade, mas a ocupação israelense, após a Guerra dos Seis Dias, acabou com isso. Os poços são controlados por militares israelenses. E qualquer acordo de paz para a Faixa de Gaza exigirá um capítulo especial para a água.


CRESCE A BRIGA


Israelenses e palestinos, por sua vez, confrontam a Síria e a Jordânia pelo controle do vale do rio Jordão, a principal fonte de água da região. Exaurido pela mineração, pela irrigação e até pela manutenção de campos de golfe no deserto, o Jordão está minguando. Apenas um terço do volume original chega ao mar Morto, que pode sumir até 2050 e se resume a um lago sem vida, seis vezes mais salgado que o oceano.


Não muito longe dali, a Síria briga com a Turquia e o Iraque pelo uso da bacia que envolve os rios Tigre e Eufrates. Dona das nascentes, a Turquia represou o Eufrates para gerar energia e irrigar cultivos e diminuiu a água que chega aos países vizinhos. O maior foco de conflito foi a represa de Ataturk, construída pelos turcos na década de 1990, mas novos projetos colocam em risco a paz. Na Ásia Central, a tensão também é crescente.


O Tadjiquistão e o Quirguistão controlam 90% das reservas da região. Mas o Uzbequistão é o maior usuário e pede acesso facilitado. Mais de 400 tratados internacionais envolveram o uso compartilhado de recursos hídricos desde 1820 – sem contar os acordos sobre navegação, pesca e demarcação de fronteiras. Um dos exemplos acorreu na Ásia, depois que Bangladesh passou 20 anos de escassez porque a Índia construiu a enorme represa de Farakka no curso do rio Ganges, para conseguir a maior quantidade de água antes do rio atingir o território de Bangladesh. O conflito só cessou após aassinatura de um tratado em 1996 para uso compartilhado da água.


Mas o potencial de discórdia continua latente no percurso do rio Ganges, que nasce no Himalaia, atravessa a Índia e desemboca na baía de Bengala, em Bangladesh. Essa bacia reúne mais de 30 barragens e desvios que reduzirama vazão do rio em 60% na estação seca, prejudicando os bengaleses.


Há também disputas na África, onde a ONU estima que o acesso às fontes hídricas seja a causa número 1 de guerras até 2030. Na região do Nilo, nove países dependem desse rio para abastecer a população. O Egito faz pressão econômica e militar sobre a Etiópia e o Sudão, situados nas cabeceiras do rio, para que não construam barragens e diminuam o volume de água no trecho egípcio. Em Darfur, oeste do Sudão, a guerrilha é acusada de envenenar reservatórios para forçar a população mulçumana a abandonar a região.


Os conflitos têm o potencialde expandir seus efeitos por outras regiões. A União Européia adverte que a falta de água vai acirrar a corrida de imigrantes para o continente europeu. A escassez hídrica, segundo previsões, deverá fazer perto de 100 milhões de refugiados ambientais no planeta nos próximos 20 anos.


MÁ DISTRIBUIÇÃO


Tudo isso acontece dentro de um planeta com muita água, mas pouco disponível para o consumo. Dois terços da Terra são cobertos por água, mas 97,5% desse volume é salgado. Dos 2,5% da água que é doce, quase dois terços estão congelados nas calotas polares. A maior parte do que sobra se esconde no subsolo e não tem acesso fácil. O que está pronto para uso humano fica nos rios e lagos, que significa 0,4% de toda a água do planeta. Mas nem essa porção está totalmente disponível. Para que não se esgotem os recursos, é preciso usar no máximo a mesma quantidade de água renovada pelas chuvas, dentro de um ciclo natural do qual participam os oceanos, a atmosfera, as florestas e as demais coberturas vegetais do planeta. A conta limita a 0,002% a água utilizável da Terra.


Precisamos de metade desse estoque.


Se o padrão atual de consumo se mantiver, em 30 anos as necessidades humanas vão empatar com a capacidade da natureza de repor a água. Depois disso, ou racionamos o uso das torneiras ou vamos secar rios e lagos até exaurir totalmente as fontes.


A ameaça é real, porque a população global não pára de crescer e precisará de mais água para se manter. Recentes relatórios internacionais afirmam que a falta de alimentos já é uma realidade global. No futuro, a situação poderá ser ainda mais crítica, se não houver água. A escassez coloca em risco as metas da Declaração do Milênio, assinada em 2000,sob a coordenação da ONU, para reduzir a pobreza, a fome e a mortalidade infantile no mundo até 2015. Para nutrir a população mundial crescente, será necessário duplicar a atual produção de comida. Isso exigirá um aumento de pelo menos 14% na retirada de água para irrigar lavouras. Além do uso intensivo de água, há o risco de impactos negativos, como a ameaça de mais desmatamento, poluição por agrotóxicos e erosão dos solos.


CONFLITO ENTRE USOS


Atualmente, a agricultura é a atividade que mais consome recursos hídricos no planeta. Sozinha, representa 69% do consumo de toda a água doce. O aumento desse percentual pode provocar conflitos com os demais usuários. As indústrias utilizam 21% da água disponível na crosta terrestre e deverão usar mais para crescer e sustentar o desenvolvimento econômico. Os outros 10% vão para o consumo doméstico – e há necessidade de maior volume para abastecer a população não atendida.


A atual crise mundial dos recursos hídricos possui várias causas. Uma das principais, segundo a ONU, são as dificuldades de governo – ou seja, a incapacidade dos países de gerir a água de maneira eqüitativa, por fatores como a corrupção, a falta de financiamento para o setor e o despreparo técnico. O assunto preocupa: até 2025, o consumo total de água para os diversos fins aumentará 50% nos países em desenvolvimento e 18% no mundo desenvolvido. Esse crescimento poderá ser intolerável em várias partes do planeta, diz o relatório Global Environment Outlook, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, 20 anos após a publicação do famoso documento Nosso Futuro Comum.


Elaborado pela Comissão Brundtland, em 1987, foi o primeiro que alertou o mundo sobre a necessidade de aliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental. A última edição do relatório diz que é necessário mudar padrões de produção e consumo. Para produzir um carro, gastam-se 400 mil litros de água. Um quilo de carne bovina consome 15 mil litros. Os especialistas dizem que também é preciso reduzir o consumo e melhorar a distribuição, tornando mais justo o acesso às fontes hídricas. O ser humano necessita de, no mínimo, 50 litros de água por dia para atender suas necessidades.


Enquanto um norte-americano gasta, em média, 600 litros diariamente, um africano não tem mais de 20 litros para usar no mesmo período. Além do consumo exagerado, há desperdício. Nos plantios, dois quintos da água são perdidos com sistemas de irrigação ineficientes e, nas residências, um terço do consumo atual poderia ser economizado com medidas simples como não deixar a torneira pingando. No caso das indústrias, aplicando-se novas tecnologias, é possível reduzir em até 90% o consumo de água sem prejudicar a produção.


DESASTRE DA AÇÃO HUMANA


A desigualdade chama atenção. Existem muitas reservas de água em regiões desabitadas e poucas nas mais populosas, nas quais os impactos causados pela ação humana pioram o problema. Barrar os rios para gerar energia ou acumular água para abastecimento é uma dessas causas. Calcula-se que 60% dos 227 maiores rios do mundo sejam bloqueados por barragens ou desviados por canais, com impactos para os ecossistemas, para a pesca e para a população. Essas obras reduzem o fluxo natural de sedimentos carregados para os oceanos, causando salinização do solo, inundações e outros estragos nas zonas costeiras.


Há mais de 45 mil grandes barragens, em 140 países. Só a China, para sustentar a economia em franca expansão, tem atualmente 105 obras dessa envergadura sendo planejadas ou em execução. As barragens, somadas à poluição dos rios e lagos, colocam mais de 3 mil espécies na lista das ameaçadas de extinção, segundo a organização internacional The World Conservation Union (IUNC). A escassez vai além da pouca quantidade – é também uma questão de má qualidade. A poluição por agrotóxicos das plantações, substâncias químicas das indústrias e esgoto doméstico das cidades faz com que se busque água cada vez mais longe das cidades, a um custo maior. Saudáveis, só os rios distantes dos grandes centros urbanos, como o Amazonas, na América do Sul, e o Congo, na África, citados pela ONU como os menos problemáticos.


Entre os mais poluídos estão o rio Amarelo, na China, e o Volga, na Rússia, onde a água potável se restringe a apenas 3% de sua bacia hidrográfica. No rio Colorado, nos Estados Unidos, a poluição transformou florestas em pântanos insalubres.


SANEAMENTO URGENTE


Uma das conseqüências é o aumento das doenças associadas à falta de água e à poluição dos mananciais, a maior causa de mortes no mundo. Cerca de 10 milhões de crianças morrem por ano acometidas de diarréia e outros males provocados pela água contaminada. Mais da metade das internações hospitalares no planeta resultam desses problemas, a um custo que supera 12 bilhões de dólares por ano. A urbanização contribui para agravar o quadro.


Atualmente, metade da população mundial vive em cidades, sem os serviços adequados de saneamento. No globo, uma em cada cinco pessoas não tem acesso à água nem a esgoto tratado. Para reduzir esse déficit, a ONU escolheu 2008 como o Ano Internacional do Saneamento Básico, para conscientizar os países a reduzir pela metade a população não atendida por esses serviços, até 2015. Para isso, é necessário investir nesse período 10 bilhões de dólares por ano – menos de 1% do total gasto em programas militares no mundo.


Hoje, nos países em desenvolvimento, 90% do esgoto é devolvido à natureza sem nenhum tratamento. Como 1 litro de sujeira contamina 10 litros de água, é possível imaginar o tamanho do estrago e seus reflexos. A poluição atinge, também, os oceanos, muitas vezes levada pelos rios que neles deságuam. As indústrias lançam no ambiente 500 toneladas por ano de produtos tóxicos. Diariamente, são despejados 2 bilhões de toneladas e lixo. Exemplo dessa contaminação é a “lixeira” do tamanho do estado norteamericano do Texas, no Pacífico Norte, onde pesquisadores encontraram quase 1 milhão de pedaços de plásticos por quilômetro quadrado, com efeitos nocivos à biodiversidade marinha.


Resultados da ação do homem na atmosfera, como a emissão de gases de efeito estufa, podem agravar a escassez de água. O aquecimento global aumenta a temperatura dos mares e altera as correntes oceânicas que regulam o clima, promovendo mudanças no padrão das chuvas, que recompõem naturalmente os mananciais.Pesquisadores do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) advertem que o mundo deve se preparar para os efeitos das mudanças climáticas na provisão de água no planeta.


EFICIÊNCIA E ECONOMIA


Segundo especialistas, dar maior valor à água é um caminho para reduzir desigualdades e conflitos. Os serviços de abastecimento precisam funcionar com eficiência, ser economicamente sustentáveis e ter preços justos. Atualmente, são os mais pobres que arcam com o maior custo da água. Em Dar es Salaam, na Tanzânia, os favelados pagam 8 dólares por mil litros de água comprada em latas, enquanto os mais ricos da cidade gastam 34 centavos pela mesma quantidade de água que chega às torneiras.


No Reino Unido, esse mesmo volume custa 1,62 dólar e, nos Estados Unidos, 68 centavos. Países europeus aumentam a conta de água para reduzir o consumo. O mercado de água já é bilionário. Em 2000, o Banco Mundial previa que, em alguns anos, esse comércio mundial movimentaria 1 trilhão de dólares. Parte desse lucro é auferida pela água engarrafada. Em dez anos, o consumo desse produto aumentou 145% no planeta, porque o consumidor não confia na qualidade da água que chega às torneiras e aceita pagar até dez vezes mais caro pela segurança. Seguindo essa tendência, é crescente a exportação de água para países que necessitam dela para manter indústrias e cultivos agrícolas. Empresas também planejam ter lucros com o tratamento de esgoto. Atualmente, só 5% desse serviço é prestado por companhias particulares, mas vários países têm planos de privatizar o saneamento básico, como forma de expandi-lo por um custo menor para o estado.



TOTAL DE ÁGUA NO PLANETA


Água salgada: 97%


Água doce: 2,5%


TOTAL DE ÁGUA DOCE


Subterrâneas: 30,1%


Geleiras: 68,7%


Permafrost (camada de subsolo na tundra congelada): 0,8%


Água atmosférica e de superfície: 0,4%


ÁGUA ATOMOSFÉRICA E DE SUPERFÍCIE


Umidade do solo: 12,2 %


Atmosfera: 9,5%


Pântanos e áreas alagadas: 8,5%


Rios: 1,6%


Biotas: 0,8%


Lagos de água doce: 67,4%




GOTA D'ÁGUA NO OCEANO A água atmosférica e de superfície – o grossodo que é usado pelo homem – é apenas umaparte em 10 mil de toda a água do planeta.É isso o que mostra este infográfico. Paraentendê-lo, considere que nesta página sóestamos vendo uma pequena parte do círculoazul-escuro que representa a água salgada dosoceanos: trata-se de uma circunferência com2,9 metros de diâmetro. No lado oposto, os rios estão representados poruma parte tão pequena do círculo de águaatmosférica e de superfície que mal dá para versua cor laranja. Comparando as duas áreas, vocêterá uma noção da diferença de volume entre ostotais globais dessas massas líquidasRESUMO – ÁGUA Conflitos Há risco de a disputa pela água escassa se transformar em guerras, de acordo com a ONU . A maior preocupação é com os países que compartilham o uso de rios e lagos. Até 2030, a água será o grande motivo de guerra na África. As principais causas dos conflitos são a incapacidade dos países de gerenciar a água, a falta de financiamento, o despreparo técnico e a destruição dos mananciais pelo uso irracional e pela poluição. Distribuição Apenas 0,002% da água do planeta está disponível para consumo. Para não esgotá-la, é preciso usar no máximo a mesma quantidade de água renovada pelas chuvas. Há regiões onde esse limite já se encontra ultrapassado e as fontes estão secando. Agricultura O cultivo de alimentos consome 70% da água do planeta. Para nutrir a população mundial crescente e vencer a atual crise de alimentos, sera necessário retirar mais água da natureza com o objetivo de irrigar as plantações. Esse aumento poderá entrar em conflito com o uso pelas indústrias e pelas residências. Calcula-se que o consumo total de água crescerá 50% nos países em desenvolvimento até 2025. Uso racional A tarefa de gerenciar os recursos hídricos exige promover o uso racional e reduzir o desperdício (boa parte da água é desperdiçada nos sistemas de irrigação, nos canos até chegar às residências e também nas torneiras). É preciso, ainda, evitar impactos causados pelo homem, como a poluição por resíduos industriais e esgotos, que pioram a qualidade e reduzem a quantidade de água para o consumo. Brasil O Brasil é o país mais rico em água, mas sua distribuição é desigual. Há fartura em regiões pouco habitadas, como a Amazônia, e escassez nas áreas mais populosas e nos lugares que sofrem com a seca. Os comitês de bacia, criados a partir da Lei das Águas, multiplicam-se no país para incentivar o uso equilibrado dos recursos hídricos.
Leia também:Catástrofe no mar de AralSão Francisco: transposição completa um anoPoluição e desperdício reduzem a água disponível no Brasil
O corpo humano é composto de mais de dois terços de água. Para manter a saúde, precisamos bebê-la várias vezes ao dia. É condição básica para a existência da vida; faz parte da rotina de todos. Com ela, escovamos os dentes, tomamos banho, lavamos roupa e louça e ainda geramos energia elétrica, produzimos alimentos, movemos indústrias, transportamos mercadorias e aproveitamos o lazer. O planeta, fornecedor dessa fonte vital, também precisa dela para manter-se saudável – e garantir o equilíbrio do clima e dos ambientes naturais. Não é por acaso que a água simboliza a vida. O problema é que se torna um bem cada vez mais escasso. Mais que isso. Disputada como um tesouro raro e precioso, ela pode se transformar em motivo de violência e guerra, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Hoje, calcula-se que 2,2 bilhões de habitantes, quase um terço da humanidade, sofre com a falta de água potável. Em 20 anos, serão 3,9 bilhões com sede.
Estima-se que a principal disputa no planeta nos próximos 50 anos não será por petróleo, ouro ou carvão – mas por água. O alerta consta do relatório divulgado pela ONU no Dia Mundial da Água. Dentro de um cenário de crise, aumenta a briga pela posse e pelo uso desse recurso. A questão preocupa, porque a desigualdade e a escassez tendem a aumentar os conflitos. Além de atritos entre grupos rivais em um mesmo país, há embates diplomáticos entre nações e outras desavenças que podem culminar nas próximas décadas em confrontos armados pelo controle de mananciais. O relatório identifica 46 países nos quais há risco de essa crise provocar brigas. O perigo é maior entre nações que vivem escassez e compartilham o uso de rios e lagos. Existem no planeta263 bacias hidrográficas transnacionais, abrangendo 145 países. Mais de 40%da população mundial habita essas áreas, como o mar Cáspio e o mar de Aral, na Ásia; o lago Chade e o lago Vitória, na África, e os Grandes Lagos da América do Norte. Em alguns casos, as fontes são disputadas litro a litro, como no Oriente Médio, onde dominar a água é estopim de guerras desde a Antiguidade. Israelenses e palestinos lideram as disputas. Sob o solo do deserto, estão os lençóis da Cisjordânia. Até 1967, os palestinos usavam essa água à vontade, mas a ocupação israelense, após a Guerra dos Seis Dias, acabou com isso. Os poços são controlados por militares israelenses. E qualquer acordo de paz para a Faixa de Gaza exigirá um capítulo especial para a água. CRESCE A BRIGA Israelenses e palestinos, por sua vez, confrontam a Síria e a Jordânia pelo controle do vale do rio Jordão, a principal fonte de água da região. Exaurido pela mineração, pela irrigação e até pela manutenção de campos de golfe no deserto, o Jordão está minguando. Apenas um terço do volume original chega ao mar Morto, que pode sumir até 2050 e se resume a um lago sem vida, seis vezes mais salgado que o oceano. Não muito longe dali, a Síria briga com a Turquia e o Iraque pelo uso da bacia que envolve os rios Tigre e Eufrates.
Dona das nascentes, a Turquia represou o Eufrates para gerar energia e irrigar cultivos e diminuiu a água que chega aos países vizinhos. O maior foco de conflito foi a represa de Ataturk, construída pelos turcos na década de 1990, mas novos projetos colocam em risco a paz. Na Ásia Central, a tensão também é crescente. O Tadjiquistão e o Quirguistão controlam 90% das reservas da região. Mas o Uzbequistão é o maior usuário e pede acesso facilitado. Mais de 400 tratados internacionais envolveram o uso compartilhado de recursos hídricos desde 1820 – sem contar os acordos sobre navegação, pesca e demarcação de fronteiras. Um dos exemplos acorreu na Ásia, depois que Bangladesh passou 20 anos de escassez porque a Índia construiu a enorme represa de Farakka no curso do rio Ganges, para conseguir a maior quantidade de água antes do rio atingir o território de Bangladesh. O conflito só cessou após aassinatura de um tratado em 1996 para uso compartilhado da água. Mas o potencial de discórdia continua latente no percurso do rio Ganges, que nasce no Himalaia, atravessa a Índia e desemboca na baía de Bengala, em Bangladesh. Essa bacia reúne mais de 30 barragens e desvios que reduzirama vazão do rio em 60% na estação seca, prejudicando os bengaleses. Há também disputas na África, onde a ONU estima que o acesso às fontes hídricas seja a causa número 1 de guerras até 2030. Na região do Nilo, nove países dependem desse rio para abastecer a população. O Egito faz pressão econômica e militar sobre a Etiópia e o Sudão, situados nas cabeceiras do rio, para que não construam barragens e diminuam o volume de água no trecho egípcio. Em Darfur, oeste do Sudão, a guerrilha é acusada de envenenar reservatórios para forçar a população mulçumana a abandonar a região. Os conflitos têm o potencialde expandir seus efeitos por outras regiões. A União Européia adverte que a falta de água vai acirrar a corrida de imigrantes para o continente europeu. A escassez hídrica, segundo previsões, deverá fazer perto de 100 milhões de refugiados ambientais no planeta nos próximos 20 anos. MÁ DISTRIBUIÇÃO Tudo isso acontece dentro de um planeta com muita água, mas pouco disponível para o consumo. Dois terços da Terra são cobertos por água, mas 97,5% desse volume é salgado. Dos 2,5% da água que é doce, quase dois terços estão congelados nas calotas polares. A maior parte do que sobra se esconde no subsolo e não tem acesso fácil. O que está pronto para uso humano fica nos rios e lagos, que significa 0,4% de toda a água do planeta. Mas nem essa porção está totalmente disponível. Para que não se esgotem os recursos, é preciso usar no máximo a mesma quantidade de água renovada pelas chuvas, dentro de um ciclo natural do qual participam os oceanos, a atmosfera, as florestas e as demais coberturas vegetais do planeta. A conta limita a 0,002% a água utilizável da Terra. Precisamos de metade desse estoque. Se o padrão atual de consumo se mantiver, em 30 anos as necessidades humanas vão empatar com a capacidade da natureza de repor a água. Depois disso, ou racionamos o uso das torneiras ou vamos secar rios e lagos até exaurir totalmente as fontes.
A ameaça é real, porque a população global não pára de crescer e precisará de mais água para se manter. Recentes relatórios internacionais afirmam que a falta de alimentos já é uma realidade global. No futuro, a situação poderá ser ainda mais crítica, se não houver água. A escassez coloca em risco as metas da Declaração do Milênio, assinada em 2000,sob a coordenação da ONU, para reduzir a pobreza, a fome e a mortalidade infantile no mundo até 2015. Para nutrir a população mundial crescente, será necessário duplicar a atual produção de comida. Isso exigirá um aumento de pelo menos 14% na retirada de água para irrigar lavouras. Além do uso intensivo de água, há o risco de impactos negativos, como a ameaça de mais desmatamento, poluição por agrotóxicos e erosão dos solos. CONFLITO ENTRE USOS Atualmente, a agricultura é a atividade que mais consome recursos hídricos no planeta. Sozinha, representa 69% do consumo de toda a água doce. O aumento desse percentual pode provocar conflitos com os demais usuários. As indústrias utilizam 21% da água disponível na crosta terrestre e deverão usar mais para crescer e sustentar o desenvolvimento econômico. Os outros 10% vão para o consumo doméstico – e há necessidade de maior volume para abastecer a população não atendida. A atual crise mundial dos recursos hídricos possui várias causas. Uma das principais, segundo a ONU, são as dificuldades de governo – ou seja, a incapacidade dos países de gerir a água de maneira eqüitativa, por fatores como a corrupção, a falta de financiamento para o setor e o despreparo técnico. O assunto preocupa: até 2025, o consumo total de água para os diversos fins aumentará 50% nos países em desenvolvimento e 18% no mundo desenvolvido. Esse crescimento poderá ser intolerável em várias partes do planeta, diz o relatório Global Environment Outlook, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, 20 anos após a publicação do famoso documento Nosso Futuro Comum. Elaborado pela Comissão Brundtland, em 1987, foi o primeiro que alertou o mundo sobre a necessidade de aliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental. A última edição do relatório diz que é necessário mudar padrões de produção e consumo. Para produzir um carro, gastam-se 400 mil litros de água. Um quilo de carne bovina consome 15 mil litros. Os especialistas dizem que também é preciso reduzir o consumo e melhorar a distribuição, tornando mais justo o acesso às fontes hídricas. O ser humano necessita de, no mínimo, 50 litros de água por dia para atender suas necessidades. Enquanto um norte-americano gasta, em média, 600 litros diariamente, um africano não tem mais de 20 litros para usar no mesmo período. Além do consumo exagerado, há desperdício. Nos plantios, dois quintos da água são perdidos com sistemas de irrigação ineficientes e, nas residências, um terço do consumo atual poderia ser economizado com medidas simples como não deixar a torneira pingando. No caso das indústrias, aplicando-se novas tecnologias, é possível reduzir em até 90% o consumo de água sem prejudicar a produção.
DESASTRE DA AÇÃO HUMANA A desigualdade chama atenção. Existem muitas reservas de água em regiões desabitadas e poucas nas mais populosas, nas quais os impactos causados pela ação humana pioram o problema. Barrar os rios para gerar energia ou acumular água para abastecimento é uma dessas causas. Calcula-se que 60% dos 227 maiores rios do mundo sejam bloqueados por barragens ou desviados por canais, com impactos para os ecossistemas, para a pesca e para a população. Essas obras reduzem o fluxo natural de sedimentos carregados para os oceanos, causando salinização do solo, inundações e outros estragos nas zonas costeiras. Há mais de 45 mil grandes barragens, em 140 países. Só a China, para sustentar a economia em franca expansão, tem atualmente 105 obras dessa envergadura sendo planejadas ou em execução. As barragens, somadas à poluição dos rios e lagos, colocam mais de 3 mil espécies na lista das ameaçadas de extinção, segundo a organização internacional The World Conservation Union (IUNC). A escassez vai além da pouca quantidade – é também uma questão de má qualidade. A poluição por agrotóxicos das plantações, substâncias químicas das indústrias e esgoto doméstico das cidades faz com que se busque água cada vez mais longe das cidades, a um custo maior. Saudáveis, só os rios distantes dos grandes centros urbanos, como o Amazonas, na América do Sul, e o Congo, na África, citados pela ONU como os menos problemáticos. Entre os mais poluídos estão o rio Amarelo, na China, e o Volga, na Rússia, onde a água potável se restringe a apenas 3% de sua bacia hidrográfica. No rio Colorado, nos Estados Unidos, a poluição transformou florestas em pântanos insalubres. SANEAMENTO URGENTE Uma das conseqüências é o aumento das doenças associadas à falta de água e à poluição dos mananciais, a maior causa de mortes no mundo. Cerca de 10 milhões de crianças morrem por ano acometidas de diarréia e outros males provocados pela água contaminada. Mais da metade das internações hospitalares no planeta resultam desses problemas, a um custo que supera 12 bilhões de dólares por ano. A urbanização contribui para agravar o quadro. Atualmente, metade da população mundial vive em cidades, sem os serviços adequados de saneamento. No globo, uma em cada cinco pessoas não tem acesso à água nem a esgoto tratado. Para reduzir esse déficit, a ONU escolheu 2008 como o Ano Internacional do Saneamento Básico, para conscientizar os países a reduzir pela metade a população não atendida por esses serviços, até 2015. Para isso, é necessário investir nesse período 10 bilhões de dólares por ano – menos de 1% do total gasto em programas militares no mundo. Hoje, nos países em desenvolvimento, 90% do esgoto é devolvido à natureza sem nenhum tratamento. Como 1 litro de sujeira contamina 10 litros de água, é possível imaginar o tamanho do estrago e seus reflexos. A poluição atinge, também, os oceanos, muitas vezes levada pelos rios que neles deságuam. As indústrias lançam no ambiente 500 toneladas por ano de produtos tóxicos. Diariamente, são despejados 2 bilhões de toneladas e lixo.
Exemplo dessa contaminação é a “lixeira” do tamanho do estado norteamericano do Texas, no Pacífico Norte, onde pesquisadores encontraram quase 1 milhão de pedaços de plásticos por quilômetro quadrado, com efeitos nocivos à biodiversidade marinha. Resultados da ação do homem na atmosfera, como a emissão de gases de efeito estufa, podem agravar a escassez de água. O aquecimento global aumenta a temperatura dos mares e altera as correntes oceânicas que regulam o clima, promovendo mudanças no padrão das chuvas, que recompõem naturalmente os mananciais.Pesquisadores do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) advertem que o mundo deve se preparar para os efeitos das mudanças climáticas na provisão de água no planeta. EFICIÊNCIA E ECONOMIA Segundo especialistas, dar maior valor à água é um caminho para reduzir desigualdades e conflitos. Os serviços de abastecimento precisam funcionar com eficiência, ser economicamente sustentáveis e ter preços justos. Atualmente, são os mais pobres que arcam com o maior custo da água. Em Dar es Salaam, na Tanzânia, os favelados pagam 8 dólares por mil litros de água comprada em latas, enquanto os mais ricos da cidade gastam 34 centavos pela mesma quantidade de água que chega às torneiras. No Reino Unido, esse mesmo volume custa 1,62 dólar e, nos Estados Unidos, 68 centavos. Países europeus aumentam a conta de água para reduzir o consumo. O mercado de água já é bilionário. Em 2000, o Banco Mundial previa que, em alguns anos, esse comércio mundial movimentaria 1 trilhão de dólares. Parte desse lucro é auferida pela água engarrafada. Em dez anos, o consumo desse produto aumentou 145% no planeta, porque o consumidor não confia na qualidade da água que chega às torneiras e aceita pagar até dez vezes mais caro pela segurança. Seguindo essa tendência, é crescente a exportação de água para países que necessitam dela para manter indústrias e cultivos agrícolas. Empresas também planejam ter lucros com o tratamento de esgoto. Atualmente, só 5% desse serviço é prestado por companhias particulares, mas vários países têm planos de privatizar o saneamento básico, como forma de expandi-lo por um custo menor para o estado.
Fernando Lemos
Atraso: Despejo de esgoto em curso d’água: falta de tratamento reduz o acesso à água potável no BrasilTOTAL DE ÁGUA NO PLANETA Água salgada: 97% Água doce: 2,5% TOTAL DE ÁGUA DOCE Subterrâneas: 30,1% Geleiras: 68,7% Permafrost (camada de subsolo na tundra congelada): 0,8% Água atmosférica e de superfície: 0,4% ÁGUA ATOMOSFÉRICA E DE SUPERFÍCIE Umidade do solo: 12,2 % Atmosfera: 9,5% Pântanos e áreas alagadas: 8,5% Rios: 1,6% Biotas: 0,8% Lagos de água doce: 67,4%
GOTA D'ÁGUA NO OCEANO A água atmosférica e de superfície – o grossodo que é usado pelo homem – é apenas umaparte em 10 mil de toda a água do planeta.
É isso o que mostra este infográfico. Paraentendê-lo, considere que nesta página sóestamos vendo uma pequena parte do círculoazul-escuro que representa a água salgada dosoceanos: trata-se de uma circunferência com2,9 metros de diâmetro. No lado oposto, os rios estão representados poruma parte tão pequena do círculo de águaatmosférica e de superfície que mal dá para versua cor laranja. Comparando as duas áreas, vocêterá uma noção da diferença de volume entre ostotais globais dessas massas líquidasRESUMO – ÁGUA Conflitos Há risco de a disputa pela água escassa se transformar em guerras, de acordo com a ONU . A maior preocupação é com os países que compartilham o uso de rios e lagos. Até 2030, a água será o grande motivo de guerra na África. As principais causas dos conflitos são a incapacidade dos países de gerenciar a água, a falta de financiamento, o despreparo técnico e a destruição dos mananciais pelo uso irracional e pela poluição. Distribuição Apenas 0,002% da água do planeta está disponível para consumo. Para não esgotá-la, é preciso usar no máximo a mesma quantidade de água renovada pelas chuvas. Há regiões onde esse limite já se encontra ultrapassado e as fontes estão secando. Agricultura O cultivo de alimentos consome 70% da água do planeta. Para nutrir a população mundial crescente e vencer a atual crise de alimentos, sera necessário retirar mais água da natureza com o objetivo de irrigar as plantações. Esse aumento poderá entrar em conflito com o uso pelas indústrias e pelas residências. Calcula-se que o consumo total de água crescerá 50% nos países em desenvolvimento até 2025. Uso racional A tarefa de gerenciar os recursos hídricos exige promover o uso racional e reduzir o desperdício (boa parte da água é desperdiçada nos sistemas de irrigação, nos canos até chegar às residências e também nas torneiras). É preciso, ainda, evitar impactos causados pelo homem, como a poluição por resíduos industriais e esgotos, que pioram a qualidade e reduzem a quantidade de água para o consumo. Brasil O Brasil é o país mais rico em água, mas sua distribuição é desigual. Há fartura em regiões pouco habitadas, como a Amazônia, e escassez nas áreas mais populosas e nos lugares que sofrem com a seca. Os comitês de bacia, criados a partir da Lei das Águas, multiplicam-se no país para incentivar o uso equilibrado dos recursos hídricos.
Leia também:Catástrofe no mar de AralSão Francisco: transposição completa um anoPoluição e desperdício reduzem a água disponível no Brasil
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POLUIÇÃO AMEAÇA 5 MILHÕES DE LAGOS NO MUNDO

Foto: Lago Maggiore na Suiça - Blog Vamos Salvar o Nosso Planeta 5 MILHÕES DE LAGOS, EM TODO O MUNDO, ESTÃO AMEAÇADOS PELA POLUIÇÃO

12/11/2001 - Reuters, em Tóquio
A poluição ameaça a maioria dos lagos de água doce do planeta, o que seria uma catástrofe para as populações humanas que deles dependem, advertiu hoje o ambientalista canadense William Cosgrove, vice-presidente do Conselho Mundial de Recursos Hídricos, uma organização internacional que lida com problemas ecológicos envolvendo água.

"Não existe um único lago no mundo que ainda não seja afetado por atividades humanas", disse Cosgrove. "Nós estamos matando os lagos, e isso pode ser desastroso.
"Cosgrove encontra-se no Japão, onde participa de uma conferência, na cidade de Otsu, sobre formas de salvar os lagos. A maioria dos problemas, segundo o especialista, resulta de uma crescente demanda por água, causada pelo crescimento populacional, que leva a um aumento no uso e desvio, freqüentemente para irrigar plantações.
"A humanidade está usando mais que 50% das fontes de água fresca aproveitáveis e 90% deste número vêm dos lagos", explica o ambientalista.

Paralelamente ocorre a poluição dos lagos - cujo número é estimado em cinco milhões -, com substâncias tóxicas eliminadas por fábricas, fazendas e canais de esgoto.

Apesar do perigo, cuidar da poluição dos lagos costuma figurar no fim da lista de prioridades dos governos. Postado por Helena Rezende - Fonte: Blog Vamos Salvar nosso Planeta

4 de outubro de 2008

E A PRIMAVERA CHEGOU...momento poético, com Clarice Villac

floração - foto e texto : Clarice Villac
Agradecemos a colaboradora, poetisa e escritora Clarice Villac, de Campinas, que com suas fotos e poemas tão lindos e de tanta sensibilidade, nos faz esquecer por um momento os problemas de falta de tratamento de esgotos, enchentes, escassez de água, alterações climáticas e poluição dos nossos rios e lagos. Obrigado amiga e colaboradora!

LIVRANDO OS RIOS DA POLUIÇÃO POR ÓLEO USADO

Trio de jovens implanta projeto bem sucedido para coleta de óleo de fritura

Mônica Pinto / AmbienteBrasil
Muita disposição para empreender e uma criação familiar em que conscientização ambiental era constante foram os ingredientes a fazerem dos jovens Leonardo Aguiar, 21, Matheus Cardoso, 19, e Cleomácio Soares, 21, um trio de sucesso hoje na região da cidade de Rezende, no Rio de Janeiro.
Amigos de infância, estavam todos empregados em indústrias da região, quando souberam que iria se instalar no município uma usina de biodiesel. A partir daí, focaram em tornarem-se fornecedores dela, aliando a perspectiva de rendimento financeira à resolução de um problema ambiental sério: a necessidade de coleta e destinação adequada do óleo de cozinha usado.

Os rapazes pediram demissão e fundaram a Ecoleta Comércio e Serviços de Reciclagem, em dezembro de 2007. A usina não foi para frente, terminou nem saindo do papel. Mas o esforço do trio, ao contrário, tem resultado em marcas ascendentes de coleta do produto, o que foi obtido por intermédio de parcerias com 42 escolas.

Distribuídos pelas cidades de Resende, Itatiaia, Quatis e Porto Real, os estabelecimentos de ensino são beneficiários diretos do projeto, batizado de Viva Óleo. Ele funciona como uma gincana de pontos e prêmios entre as escolas participantes. A equipe do projeto percorre periodicamente os estabelecimentos de ensino da região promovendo palestras, exposições e feiras, sempre abordando temas relacionados aos 3 Rs (reduzir, reciclar, reutilizar).

A partir da primeira palestra, a escola recebe gratuitamente um recipiente para armazenagem do óleo e torna-se um ponto de coleta - o eco-ponto. A cada cinco litros recolhidos, a escola soma um ponto no seu placar do Viva Óleo.




Os prêmios são adquiridos mediante o acúmulo desde 5 a 2000 pontos, trocados respectivamente por telas de pintura e computadores, passando por materiais esportivos e didáticos.

Essa estratégia socioambiental facilitou a adesão de empresas da região, pois elas também participam da gincana, entregando o óleo usado ao seu eco-ponto / escola preferido. Mais que isso, o projeto viabilizou para grande parte delas o cumprimento da Lei Municipal 2632, que determina a obrigatoriedade dos estabelecimentos comerciais geradores darem a destinação correta para o óleo de cozinha pós-uso.

Todo o material coletado recebe tratamento e é destinado a uma usina produtora de biodiesel em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. Em setembro, foram coletados 3.600 litros. “Temos tido ascensão constante desde o início do projeto”, disse a AmbienteBrasil Leonardo Aguiar.

Conforme o negócio vai ganhando escala, o trio já vislumbra a possibilidade de instalar a própria usina, em parceria com a atual compradora. Segundo Leonardo, nos próximos dias, será feita a primeira entrega de prêmios a uma escola participante do projeto – a Abrahão Hermano, da rede municipal de Resende. O estabelecimento vai ganhar uma rede e uma bola de voleibol, o solicitado ao projeto. Fonte: Ambiente Brasil

DEFENDENDO A ORLA DO RIO GUAÍBA - PORTO ALEGRE - RS

HOJE, 04 DE OUTUBRO - MOBILIZAÇÃO NO GASÔMETRO - 15 HORAS

Abaixo-Assinado (#1571): Defesa da Orla do Guaíba:

A ORLA do Guaíba é um espaço que faz parte da identidade paisagística, de lazer e de cultura de Porto Alegre. Sua preservação ainda não está garantida para as futuras gerações.NÃO ao projeto Pontal do Estaleiro!!!
O projeto prevê a construção de um complexo arquitetônico (6 prédios) de 60 mil metros quadrados na área do antigo Estaleiro Só. Cada prédio terá volume igual ao nosso Hospital das Clínicas.
1 - Questão Ambiental -Se aprovado, causará grande impacto ao ambiente natural da região: formarão uma barreira artificial impedindo a passagem dos ventos para a cidade e da luz do sol para a vizinhança, aumento da produção de esgoto cloacal que na região é ligado ao pluvial.
2 - Questão Urbanística - problemas de trânsito pela Av. Padre Cacique, que já terá aumento de fluxo de automóveis pela inauguração do Barra Shopping Sul.
3 - Vocação da Orla - Lazer e recreação é a vocação de qualquer orla no mundo. A construção do empreendimento inviabilizaria a implantação de um grande Parque, que é um anseio da população, independente de classe social. A Orla do Guaíba pertence a toda população da cidade.
4 - Questão Ética e Legal - O empreendedor quando adquiriu o terreno em leilão, pagou um valor mais baixo por estar impedida por lei municipal a construção de prédios residenciais na área. Agora quer que se mude a lei para auferir maiores lucros.
Caso a lei seja alterada, o município estará sendo irresponsável com as pessoas que morarão ali!Depois de 20 anos de luta, a Orla do Guaíba, o mais nobre, valioso e cobiçado patrimônio público de Porto Alegre, continua ameaçada pelos poderes Executivo e Legislativo municipais, a serviço dos interesses dos setores imobiliário e da construção civil.
Precisamos coletar 5.000 assinaturas para que nosso voto tenha força de lei e esta área seja definitivamente reservada aos Parques Públicos de Porto Alegre e área de preservação ambiental.Diante dessa realidade, nós abaixo-assinados subscrevemos esta Campanha de Assinaturas:

Dados adicionais:
Endereço para divulgação:
criado em 2008-09-22.
672 assinaturas
2174 visualizações
autor: Agapan
comunidade: Porto Alegre Vive, Ong Soliedariedade, Viva Gasometro, Rio Guahyba e outros

Ana Luiza: "Não ao projeto Pontal do Estaleiro e a outro que venha interferir na paisagem e prejudicar o ecosistema de Porto Alegre. Devemos preservar nossos espaços públicos, a população precisa de parques e espaços públicos".

Monika: "Como cidadã natural de Porto Alegre, atingida pela III Perimetral e pela construção desordenada de prédios, sei o que significa um empreendimento destes para aqueles que moram no entorno, e não desejo este "progresso" para ninguém"!

Fernando: "A população porto-alegrense deveria ficar mais atenta como está sendo feito o planejamento e a gestão da NOSSA cidade, para evitar que os interesses de poucos sejam impostos em detrimento da qualidade ambiental e social. Procurem se informar, não deixem-se levar por argumentos que, apesar de pífios e superficiais, muitas vezes nos enganam e são atraentes para os nossos olhos. O buraco é bem mais embaixo! Se contrapor a este projeto não significa ser contra o desenvolvimento da cidade, significa ser a favor do desenvolvimento ambiental e socialmente responsável".

José Celso: "A ORLA PARA SEMPRE ! A votação das modificações do PLANO DIRETOR, o PDDUA, pela Câmara de Vereadores de POA, com o objetivo de beneficiar os compradores da área do Estaleiro Só, é um escândalo. É também a retomada de uma velha luta dos ecologistas porto-alegrenses. A AGAPAN, a 17/08/1988, ocupou a chaminé da Usina do Gasômetro visando impedir a votação que iria acontecer na Câmara dos Vereadores autorizando a privatização da Orla do Guaíba. Depois fizemos o "Abraço ao Guaíba", (06/11/88). Doze mil pessoas se deram as mãos desde a Usina do Gasômetro até as imediações do Estádio do Internacional. Nas eleições daquele ano, fizemos campanha contra os vereadores que votaram a favor da privatização: dezessete deles não se reelegeram. Vencemos. Hoje temos a Orla intacta. Queremos a ORLA PARA SEMPRE ! Via Internet fica mais fácil o exercício da cidadania. Participe e ajude a construir uma verdadeira democracia ! Junte-se a nós. Subscreva este abaixo-assinado !" QUE LUGAR É ESTE?Um bom lugar para se andar de bicicleta e encontrar os amigos. A cidade não pode ficar no meio do cinza do concreto, precisa respirar! (Fonte: Agapan)

IV CONFERÊNCIA BRASILEIRA DE MÍDIA CIDADÃ - UFPE


Conferência de Mídia Cidadã acontece em outubro
Patrícia Paixão*
A IV Conferência Brasileira de Mídia Cidadã, que será realizada na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, entre os dias 16 e 18 de outubro, vai reunir no estado pesquisadores nacionais e internacionais e integrantes de organizações não-governamentais e movimentos sociais de todo o Brasil.

Para debates e palestras em torno do tema ³Pesquisas acadêmicas e experiências da sociedade civil, mercado e Estado na efetivação do direito humano à comunicação² já estão confirmadas as presenças de Armand Mattellart (França) e John Downing (Estados Unidos). Do Brasil, entre vários nomes de destaque, a Conferência contará com a participação de José Marques de Melo e Cicilia Peruzzo.
Cerca de 70 trabalhos foram aprovados para as sessões de apresentação de Comunicações científicas e Relatos de Experiências.

O encontro é promovido pela Cátedra UNESCO/Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento Regional e pelo Observatório da Mídia Regional: direitos humanos, políticas e sistemas - grupo de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE, cujo objetivo é realizar um acompanhamento sistemático da produção midiática na região Nordeste do Brasil, com foco no respeito, promoção e proteção dos direitos humanos.

Esta edição da Conferência entrará também no calendário das comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.De acordo com um dos coordenadores do Mídia Cidadã, Edgard Rebouças, o encontro visa a contribuir para superar o distanciamento histórico entre o discurso científico da academia e o discurso político das experiências empíricas realizadas na área da comunicação pela sociedade civil e pelas empresas do setor.

A idéia é mostrar a relação entre esses discursos e saberes, porque cada um tem um pouco do outro e juntos são capazes de realmente promover a transformação da realidade, enfatizou ele, ressaltando que é a primeira vez que o Mídia Cidadã é realizado fora do Sudeste do país.Esse aspecto é de suma importância, porque promove a capilarização da iniciativa para todo o território nacional, destacou Rebouças.

A conferência de 2009 está programada para ocorrer no Paraná. A IV Conferência Brasileira de Mídia Cidadã conta com o apoio do Ministério Público do Estado de Pernambuco, da Sinos (Organização para o Desenvolvimento da Comunicação Social), do Centro de Cultura Luiz Freire, do Conselho Regional de Psicologia (CRP-PE), da Faculdade Marista do Recife, do Centro das Mulheres do Cabo, do Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Pernambuco, do Sindicato dos Telefônicos de Pernambuco e da Auçuba.


Feira
Uma das novidades desta quarta edição do Mídia Cidadã é a realização da I Feira Nacional de Mídia Cidadã, espaço para as organizações não-governamentais , movimentos sociais, empresas e pesquisadores apresentarem suas experiências e serviços de comunicação cidadã, expostos no hall do Centro de Artes e Comunicação da UFPE, durante todo o evento.

De acordo com uma das organizadoras da Conferência, a mestre em Comunicação, Aline Lucena, a idéia é fomentar o intercâmbio de saberes, para que experiências exitosas em comunicação possam ser discutidas e replicadas.

³A Feira será, acima de tudo, um espaço democrático de diálogo², frisou.Inscrições Para os interessados em participar da IV Conferência Brasileira de Mídia Cidadã, as informações sobre inscrições podem ser acessadas pelo site www.ufpe.br/ observatorio . Há valores diferenciados para estudantes de graduação e para inscrições antecipadas.

Histórico -
As conferências brasileiras de Mídia Cidadã são uma iniciativa da Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento Regional que visam reunir pesquisadores, militantes dos movimentos sociais, estudantes de comunicação, jornalistas, comunicadores comunitários e demais representantes da sociedade civil para dialogarem sobre o papel dos meios de comunicação na promoção dos direitos humanos; a participação das diversidades como sujeitos ativos no espaço midiático; o reconhecimento e a efetivação da comunicação como direito humano; ou seja uma ação indispensável para a concretização de uma sociedade que supere a democracia representativa e construa as bases de uma democracia participativa.

As conferências de Mídia Cidadã vêm, portanto, preenchendo uma lacuna existente no campo acadêmico brasileiro, relativa à pesquisa com enfoque na participação da sociedade nos meios de comunicação, como objeto da informação e/ou detentora dos meios de produção e disseminação de conteúdos midiáticos, além de provocar o debate sobre a necessidade de se analisar o fenômeno da mídia cidadã com as mais diversas representações da sociedade civil (Universidades, movimentos sociais e organizações não-governamentais) .
Mais informações no site www.ufpe.br/observatorio (Fonte: Clique Semi-árido)

3 de outubro de 2008

FUTURO PREFEITO DE SÃO PAULO ENFRENTARÁ A "GUERRA DA ÁGUA"

Foto: Seca em SP - Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem
O FUTURO PREFEITO DE SÃO PAULO E "A GUERRA DA ÁGUA"

A fartura de água no planeta Terra é enganadoramente aparente. Apenas 2,5% da massa líquida são compostos de água doce, e menos de 0,01%, de potável. Com o explosivo crescimento demográfico no século XX, a população triplicou nos últimos 70 anos, enquanto o consumo de água sextuplicou.
Cerca de 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável e 2,4 bilhões, a saneamento básico. Dos recursos hídricos disponíveis anualmente, 54% já são utilizados e, em 2025, poderemos estar usando 70%.

As previsões da ONU são de que nesse ano dois terços da Humanidade viverão em países sofrendo de escassez de água. Para atender às demandas de água potável e saneamento básico são necessários investimentos de US$ 23 bilhões por ano, mas apenas US$ 16 bilhões são investidos, abrindo espaço, segundo a Organização Mundial de Saúde, para a morte anual de 3,4 milhões de pessoas por doenças transmitidas pela água.

Acabar com o desperdício, o maior desafio das próximas décadas
O quadro anunciado de escassez mundial de água nas próximas décadas põe na ordem do dia uma questão básica: como aproveitar melhor os recursos hídricos em função do crescimento populacional acelerado. O melhor aproveitamento da água é um dos caminhos apontados para tentar desativar o que especialistas consideram uma bomba-relógio. (Flávio Henrique Lino)

***
O futuro prefeito e a "guerra da água"

O futuro prefeito de São Paulo terá que enfrentar uma verdadeira "guerra da água" e terá que resolver no seu mandato um seríssimo problema que pouca gente conhece, inclusive muitos dos atuais candidatos à prefeitura da maior cidade brasileira.
Hoje a grande São Paulo consome uma quantidade de água muito acima daquela que a Bacia do Alto do Tietê pode dispor.

Em função disso e por força de um contrato de outorga da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que garante à metrópole paulistana o direito de retirar 31 mil litros de água por segundo da bacia vizinha (Sistema Cantareira), durante dez anos, a situação por enquanto está sob controle.
Acontece que o acordo vence em 2014 e até o final do mandato do futuro prefeito (2012) uma solução terá que ser encontrada e as obras necessárias iniciadas.

A Bacia Hidrográfica do Capivari-Jundiaí-Piracicaba (região da Grande Campinas), em função do seu crescimento e de suas necessidades poderá NÃO MAIS FORNECER os atuais 31 mil/litros/s para a capital paulista e região, quando cessar a atual outorga.
"A demanda dos 19 milhões de habitantes da Grande São Paulo é de 86 mil l/s, incluindo todas as fontes de água: superficiais, subterrâneas ou retiradas diretamente dos rios para uso industrial e agrícola. Mas a oferta natural de águas superficiais da Bacia do Alto Tietê é de apenas 20 mil l/s, de acordo com o Plano Estadual de Recursos Hídricos.
A Bacia do Piracicaba-Capivari-Jundiaí, que abriga a Grande Campinas, produz 43 mil l/s, para atender uma demanda de 40,8 mil l/s. Seria suficiente, se São Paulo não estivesse sugando outros 31 mil l/s do outro lado da serra.
"Não há dúvida de que existe um conflito pelo uso da água", diz o engenheiro Rui Brasil Assis, especialista da Secretaria de Saneamento e Energia do Estado. "Não temos garantia de disponibilidade de água para o futuro."

A solução "a toque de caixa" (prefeitura, Estado e SABESP), visando suprir a água que a bacia vizinha poderá não dispor mais, passará pela busca de água em outras bacias, tais como a duplicação da capacidade da Estação de Tratamento de Água Taiaçupeba, em Suzano, de 5 mil para 10 mil l/s e a mais complicada, que é a transposição de 4,7 mil l/s do Rio Juquiá, da Bacia de Ribeira do Iguape, no litoral sul, representando ao final menos de 10 mil/l/s. Há também a idéia de trazer água da Represa de Barra Bonita (Bacia do Rio Paraná) mas a distância (280 Km) pode inviabilizar tal pretensão.

Uma coisa certa que o novo prefeito, com apoio do Estado e da SABESP, concessionária dos serviços de água e esgoto terá que enfrentar com muito vigor é a "guerra ao desperdício da água", que em São Paulo assume números astronômicos. "Na Grande São Paulo, 18% da água captada é perdida por vazamentos na rede da Sabesp. Isso equivale a 1 bilhão de litros/dia que, descontadas as perdas, seriam suficientes para abastecer 3,7 milhões de pessoas. "É uma Guarapiranga por dia que estamos jogando fora", diz Marussia Whately, coordenadora da Campanha de Olho nos Mananciais, do Instituto Socioambiental."

Há também a necessidade de um grande esforço de Educação Ambiental contra o desperdício junto à população, principalmente entre os escolares e comunidades. A prática do reuso da água e aproveitamento das águas de chuva nas empresas de grande e médio porte, no comércio, nos condomínios e conjuntos habitacionais, etc, deverá ser incentivada e se for o caso, até exigida por força de Lei. A prática do "uso racional da água" deixará de ser apenas uma figura de retórica e um discurso dos ambientalistas e educadores ambientais e deverá ser incorporada no dia a dia dos paulistanos e paulistas da Grande São Paulo e dos seus dirigentes, se não quiserem passar pelo desconforto "dos cortes programados" e a falta de água em suas residências e estabelecimentos industriais e comerciais.

FINALMENTE: OS RIOS DA GRANDE SÃO PAULO
Justiça seja feita, alguns esforços têm sido feitos através de projetos e programas que nos últimos anos foram implantados em São Paulo pela Prefeitura, Estado e concessionária SABESP, tais como: Córrego Limpo, Água Limpa, Despoluição do Rio Tietê, Plano Diretor de Macrodrenagem (DAEE), Piscinões, entre outros. Entretanto, a poluição que jogamos nos rios, ribeirões e córregos da Grande São Paulo também é muito grande e precisa de esforço hercúleo do novo Chefe do Executivo Paulista para solucioná-lo.

Dos 34 municípios da Bacia do Alto Tietê, 14 jogam 100% do esgoto diretamente nos rios - inclusive Guarulhos, com 1,2 milhão de habitantes. No total, só 42% dos efluentes produzidos na região metropolitana recebem algum tratamento. É urgente a necessidade de um novo modelo de gerenciamento dos recursos hídricos em São Paulo, como em todo o país. (Prof. Jarmuth Andrade - (ISOS Rios Br)

- Precisamos mudar essa visão da sociedade, de que a água é um recurso inesgotável e mostrar que seu uso nos últimos séculos não foi eficiente - diz o pesquisador Samuel Roiphe Barreto, da sucursal brasileira da ONG ambientalista WWF (e um dos grandes defensores do Rio Tietê), cujo Projeto de Conservação e Gestão de Água Doce visa a implantar um novo modelo de gerenciamento dos recursos hídricos do país, por parte das autoridades e incutir uma nova mentalidade na população.
Além de incentivar uma postura mais responsável da sociedade em relação ao uso da água, Barreto cobra também do poder público uma linha de atuação diferente da atual.
- Qualquer intervenção nos rios hoje no Brasil passa por obras de engenharia, enquanto na Europa, por exemplo, já estão "renaturalizado" os cursos d'água, deixando-os correr livremente. Queremos garantir o atendimento da demanda de água, mas mantendo ao mesmo tempo a integridade dos sistemas aquáticos. (Guerra da água no planeta)

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HOMENAGEM AO AMBIENTALISTA PAULO NOGUEIRA NETO


Paulo Nogueira Neto ganha Medalha Rocha Lima

3/10/2008 - Agência FAPESP –
O ambientalista Paulo Nogueira Neto, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), receberá a Medalha Rocha Lima durante a abertura da 11ª Reunião Anual do Instituto Biológico, no dia 3 de novembro, em São Paulo.

A entrega será feita às 10h, no auditório Rocha Lima. A medalha foi instituída pela Sociedade Paulista de História da Medicina em comemoração ao cinqüentenário da descoberta e caracterização da Rickettsia prowazekii, bactéria causadora do tifo epidêmico, em 1966, pelo sanitarista Henrique da Rocha Lima (1879-1956), que foi diretor do Instituto Biológico de 1933 a 1949.

Nogueira Neto se especializou em comportamento animal, em ecossistemas terrestres e mudanças climáticas. Na USP ajudou a criar o Departamento de Ecologia Geral no Instituto de Biociências. Organizou e dirigiu a Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema), inicialmente no âmbito do Ministério do Interior e depois no Ministério do Meio Ambiente e Habitação, de 1974 a 1986.

A Sema, durante sua gestão, criou e estabeleceu 3 milhões de hectares de 26 estações e reservas ecológicas, além de 1,5 milhão de hectares em áreas de proteção ambiental. Fundou e foi o primeiro presidente do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Exerceu as funções de secretário do Meio Ambiente do Governo do Distrito Federal.
Foi membro da Comissão Brundtland das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, onde foi um dos dois representantes da América Latina, e por duas vezes foi eleito vice-presidente do programa O Homem e a Biosfera, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Entre os prêmios recebidos por Nogueira Neto estão a Ordem do Cruzeiro do Sul, a Ordem do Ipiranga, a Comenda Alvorada, a Comenda da Ordem do Rio Branco, o Prêmio Fritz Müller, o Prêmio Paul Getty e o Prêmio Duke de Edinburgh, da WWF International. Fonte: Agência Fapesp

2 de outubro de 2008

CANDIDATOS A PREFEITO E AS ENCHENTES EM SÃO PAULO

Verdadeira "corredeira" em ladeira que liga o espigão da Av. Paulista com a Av. Brasil/ Várzea do Rio Pinheiros (SP Capital). Foto: O Estado de São Paulo

Enchente na Zona Leste de São Paulo. Foto: O Estado de São Paulo
Uma das grandes preocupações dos paulistanos ocorre exatamente neste período das chuvas (outubro a março) quando ocorrem as preocupantes enchentes cujas soluções se arrastam há décadas. O DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), no seu Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê, tecnicamente, explica as causas:
"As inundações que acontecem na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) atingem toda a população, as indústrias e o comércio, provocando prejuízos incalculáveis do ponto de vista econômico e social.
Não é difícil saber porque isso acontece.
A RMSP está situada sobre um planalto com baixos declives e é talvez a área mais densamente ocupada no mundo. Ao longo do tempo essa ocupação foi feita de forma desordenada e desprovida de planejamento urbano.
O processo de urbanização que ocorreu a partir dos anos 60 trouxe como conseqüência a impermeabilização do solo; todo espaço retirado pela urbanização, antes destinado ao armazenamento natural das águas, ou seja, as várzeas dos cursos d'água, foram substituídas por novas áreas inundáveis.
Acrescenta-se a esse problema a prática de canalizações dos rios e córregos, muitas vezes de forma radical, alterando o comportamento das enchentes e não resolvendo o problema, uma vez que a cidade continua crescendo sem planejamento, exigindo cada vez mais medidas para disciplinar e conter as águas."
Vejamos o que os candidatos a Prefeito de São Paulo (2008) falam sobre esse grave problema:

Série de entrevistas com candidatos em SP aborda soluções para enchentes
'SPTV' ouve propostas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo.
Série anterior abordou propostas dos candidatos para habitação.
Do G1, com informações do SPTV
Durante esta semana, candidatos à Prefeitura de São Paulo falam ao “SPTV”, da TV Globo, sobre soluções para as enchentes em São Paulo.

Alckmin disse que, quando foi governador, fez o rebaixamento da calha do rio Tietê "que acabou com as enchentes ali na marginal e ajudou toda a macrodrenagem da cidade".
"Agora como prefeito, vamos investir na bacia do Pirajussara, do Aricanduva, do Ipiranga, na Mooca e em pontos localizados de alagamento", disse. Segundo ele, é preciso fazer a limpeza das bocas de lobo, dos córregos, promover a educação ambiental, construir piscinões e parques que, segundo Alckmin, podem absorver mais água.

Para Ciro Moura, em breve as enchentes serão "o problema do momento".
"Tudo na vida tem que ter uma ação preventiva e aí, se for o caso, uma corretiva. Aqui não se previne nada. Não se limpa córregos, não [se] desentope bueiro. Aí, quando vem a chuva, [ocorre] só enchente, inundação e atinge quem? Atinge o povo mais humilde da cidade. Aí aparece lá o político no poder, contando um monte de história de que vai resolver tudo e não vai fazer nada. Eu vou mudar isso", prometeu.
Reichmann defendeu a construção de canaletas como uma solução "eficiente e econômica". Segundo ele, as canaletas fazem "a captura da enxurrada" e são cobertas por grelhas que levam água para as populações, que levam para os canais de escoamento".
Ele disse que também é necessário fazer a limpeza das canaletas, promover a educação ambiental "para que não se jogue lixo nesses escoadouros" e melhorar "a permeabilidade do pavimento e do calçamento da cidade, evitando que a água vire enxurrada".

Maluf disse que é preciso manter limpas as bombas dos túneis da cidade, manter dragados e limpos os Pinheiros e Tietê e construir "piscinões" que possam armazenar a água das chuvas.
"Armazenando a água da chuva, [ela] pode ser passada lentamente para as galerias eliminando as enchentes", afirmou.


O prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), destacou que seu governo fez mais de 80 obras para melhorar o escoamento das águas pluviais.
"Criamos o centro de controle 24 horas para atendimento de emergência e enchentes, integrando ações do estado com a prefeitura. Demos descontos no IPTU para quem foi vítima de enchente. Os nossos 17 piscinões funcionam com capacidade plena, realizamos mais de 80 obras para melhorar o escoamento das águas pluviais. Na próxima gestão, São Paulo poderá chegar a 100 parques, melhorando a qualidade da nossa drenagem."

Para o candidato Ivan Valente (PSOL), a solução para as enchetes é dar habitação digna para todos que vivem em áreas de riscos.
"Todo o ano aumenta o sofrimento: mortes, perdas materiais e doenças graves para quem mora em beiras de rios, vales e várzeas. Nossa solução para isso é habitação digna para todos que vivem em áreas de riscos, fiscalização sobre os despejos de entulhos e lixo dentro dos rios e combate a especulação imobiliária e o uso predatório do solo."

OBS: A matéria não entrevistou a candidata Marta do PT. Fonte: G1 - Globo.com

SEMINÁRIO REUSO DA ÁGUA DA AIDIS


Seminário Internacional sobre o Reuso da Água
São Paulo, 3 e 4 de Novembro 2008

Em regiões áridas e semiáridas, a água tem sido um fator limitante pro desenvolvimento urbano, industrial e agrícola. Ainda em áreas onde tem longa disponibilidada, mas onde a demanda excessiva não é atendida, ocorrem conflitos e restrições de uso, que podem afetar o desenvolvimento económico e a qualidade de vida.
Tem um longo potencial para o reuso da água no Brasil. O uso agrícola de efluentes tratados, em assentamentos urbanos, especialmente para usos não potáveis, para usos industriales e para recarrega de aqüíferos artificiais, se constituiu em uma poderosa ferramenta para restabelecer o equilibrio entre a oferta e a demanda, em muitas regiões do Brasil.
Mas é necessário institucionalizar, regulamentar e promover o reuso de água no Brasil, se tendo em conta que a prática seja desenvolvida de acordo com critérios técnicos locais, que seja economicamente factível, socialmente aceita e segura, em términos de proteção ambiental, assim como no que se refere à proteção de grupos de risco.

Tendo em conta esses fatores, AIDIS – Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental, em associação com a “União Cultural Brasil Estados Unidos”, está organizando um Seminário Internacional sobre Reuso da Água, a ser realizado nos dias 3 e 4 de Novembro de 2008, em São Paulo, Brasil. Esse evento é o primeiro a ser desenvolvido no ámbito do Acordo de Cooperação firmado pelas duas Instituções, e o seu objetivo é a transferência de conhecimentos e tecnologia na área de engenharia sanitaria e ambiental.

INSCRIÇOESSocios AIDIS e ABES até 15 de Outubro de 2008 - R$300,00
Não Socios até 15 de Outubro de 2008 - R$400,00
Socios AIDIS e ABES depois 15 de Outubro de 2008 - R$400,00
Não Socios depois 15 de Outubro de 2008 - R$500,00

Pagamentos, a través de depósito:Banco ITAÚ – Agência 0073 – Conta: 29246-8Banco Nossa Caixa – Agência 0379-4 – Conta: 04 101000-1
Enviar comprovante de pago pelo e-mail: aidis@aidis.org.br ou por fax: (11) 3814-2441
Vagas Limitadas. Fonte: AIDIS

VILÃO DA POLUIÇÃO DAS ÁGUAS VIRA COMBUSTÍVEL DE BARCOS DE PESCA

Óleo de fritura vira combustível para barcos de pesca

02/10/2008

Vilão entre os poluentes das águas, um litro de óleo de cozinha descartado na natureza pode contaminar 1 milhão de litros de água. Por outro lado, pode também ser transformado em combustível.

O biodiesel proveniente do reaproveitamento do óleo de cozinha utilizado na Baixada do Maciambu, por exemplo, pode abastecer a frota de barcos da região e melhorar a vida dos pescadores da praia da Pinheira, além de contribuir de forma decisiva para a melhoria das condições ambientais.

Com supervisão da professora Elisa Helena Siegel Moecke, da Unisul, o projeto já está sendo implantado no Centro de Triagem de Lixo Sólido da Pinheira, coordenado pela Pró-Crep e com recursos do CNPq.

Neste momento, a Pró-Crep busca recursos para reformar parte do prédio para abrigar as instalações dos equipamentos que vão transformar óleo de cozinha em biodiesel.
Até novembro, os pescadores devem começar a receber o produto. Gratuitamente.“O diesel é o principal custo dos pescadores artesanais da região”, justifica Christiane Severo, mestre em Desenvolvimento Rural pela Ufrgs e uma das idealizadoras do projeto.

Segundo ela, o objetivo é melhorar a renda dos pescadores artesanais e dar um destino ecologicamente correto para o óleo descartado. “As pessoas nem sempre sabem o que fazer com ele”, explica. “A educação ambiental deve ser contínua e a Pró-Crep se propõe a contribuir com ela durante todo este processo”, comenta Hélia Alice dos Santos, da Pró-Crep. "É importante a participação de toda a comunidade para que o projeto tenha sucesso".

Um dos envolvidos no projeto é Rafael Feller, estudante de Engenharia Ambiental da Unisul. Segundo ele, não será necessária nenhuma modificação nos motores dos barcos. “O diesel e o biodiesel podem se misturar em qualquer proporção”, diz. Mas o biodiesel tem inúmeras vantagens sobre o diesel tradicional, proveniente do petróleo: “A quantidade de enxofre lançada na atmosfera é 98% menor, assim como é muito menor a quantidade de fuligem e de gases causadores do efeito estufa jogados na natureza.

Além disso, o biodiesel é biodegradável”."Todos os restaurantes que colaborarem com o trabalho vão receber um selo de identificação e os postos de coleta serão sinalizados com um banner para que as pessoas saibam onde depositar seus restos de óleo. Mas, atenção: o óleo não pode ser misturado com água. Também não é utilizado no processo nenhum tipo de gordura animal (banha ou manteiga) ou vegetal (margarina, gordura vegetal hidrogenada). E outra coisa: você não precisa coar o óleo antes de destiná-lo para a reciclagem. “Ele pode conter depósitos de farinha ou de restos de alimento porque na usina ele vai passar por dois processos de filtragem”, esclarece Rafael.

Serão aceitos óleo de canola, de milho, de girassol, de soja.Você sabia?- O óleo de cozinha que você usa todos os dias para fritar alimentos pode ser usado como combustível.- Um litro de óleo é capaz de contaminar um milhão de litros d’água.- A presença do óleo de cozinha nos esgotos causa mau cheiro, atrai insetos e ratos, dificulta o tratamento do esgoto e ainda pode provocar entupimento das redes.- A melhor forma de descartar o óleo de cozinha é entregar nos postos de coleta do projeto.

Nunca despeje no ralo da pia ou na terra.- Lembre-se: 97,5% da água do planeta Terra é salgada (mares e oceanos), 2,4% é doce, mas se encontra em geleiras, regiões subterrâneas de difícil acesso e apenas 0,007% é doce e se encontra em lagos e rios de fácil acesso.

Saiba o que fazer com o óleo de cozinha usado e como participar do projeto:1 - Espere o óleo esfriar, coloque-o num recipiente de refrigerante do tipo pet de 2 litros e tampe-o.2 – Limpe cuidadosamente o recipiente por fora para não haver a contaminação de outros recipientes, como bolsas.3 – Entregue seu recipiente com óleo usado nos pontos de coleta, localizados nos supermercados Santos e Pinheirão, na Pinheira, no Centro de Triagem de Lixo Sólido da Pinheira, no supermercado Sidnén da Praia do Sonho, no supermercado Vera Lúcia da Guarda do Embaú e na Unisul Ponte do Imaruim.

O que é biodiesel?
Biodiesel é um combustível derivado de fontes renováveis que pode ser usado em motores diesel em vez do diesel derivado de petróleo. Pelo processo de transesterificação dos triglicerídeos dos óleos vegetais, cria-se um combustível biodegradável de queima limpa. Neste processo, o óleo é fervido para que a água contida nele se evapore. Depois, ele é filtrado e resfriado para então ser misturado a um catalisador e ao reagente. Depois disso, ele decanta para ser separado do glicerol, que também pode ser utilizado pela indústria de cosméticos. Todo efluente gerado será tratado através de decantação e zona de raízes.Fonte: (Envolverde/Pauta Social)

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1 de outubro de 2008

HIDRELÉTRICA DO EQUADOR SERÁ REPARADA PELA ODEBRECHT

Odebrecht fecha acordo com Equador sobre usina hidrelétrica
01/10/2008 - 18h42 Folha Online
A construtora brasileira Norberto Odebrecht divulgou no início da noite desta quarta-feira que aceitou os termos do acordo proposto pelo governo do Equador referente às obras de reparo da usina hidrelétrica de San Francisco.

No dia 23 de agosto, o presidente equatoriano, Rafael Correa, havia determinado o embargo dos bens e proibiu a saída do país de quatro funcionários da Odebrecht, alegando que a construtora se recusou a pagar ao governo uma indenização por danos na hidrelétrica.
De acordo com a construtora, a central hidrelétrica foi construída em parceria com as empresas européias Alstom e Vatech e foi inaugurada em junho de 2007, nove meses antes do prazo previsto.

A Odebrecht explicou que em junho deste ano, após uma parada de manutenção e inspeção programada, foram detectados alguns problemas pontuais na obra.
Segundo a nota divulgada hoje, a empresa se comprometeu com o pagamento dos gastos decorrentes dos trabalhos de correção dos problemas verificados no túnel e de alguns componentes eletromecânicos, independentemente da apuração das responsabilidades.

Além disso, estenderá a garantia contra defeitos das obras civis por mais um ano; dará garantia de cinco anos para os reparos efetuados; vai transferir à Hidropastaza, contratante da obra, a garantia adicional dos equipamentos e entregará a um fiel depositário US$ 43,8 milhões com o objetivo de garantir, após avaliação de Peritagem Internacional independente, responsabilidades que venham a ser atribuídas ao consórcio referentes ao pagamento de multas por paralisação da usina e devolução dos custos recebidos pela antecipação do prazo de entrega. Fonte: Folha Online

NO 04 DE OUTUBRO, ANIVERSÁRIO DE TAUBATÉ O RIO PARAÍBA AGRADECE

Taubaté terá 100% de tratamento de esgoto

O sistema de tratamento de esgoto de Taubaté e Tremembé foi escolhido o melhor do Brasil pela Agência Nacional de Águas (ANA). Com isso, o programa irá receber R$ 13 milhões por meio do programa Despoluição de Bacias Hidrográficas (Prodes), do Governo Federal.

Trata-se de uma sistema integrado, que atenderá os dois municípios,em que estão sendo aplicados investimentos da ordem de R$ 80,7 milhões, que permitirão ao tratamento de 100% dos esgotos coletados. O conjunto deste empreendimento é composto por uma estação de tratamento de esgotos (ETE), 47,5 km de coletores-tronco, 18 km de linhas de recalque, 10,2 km de emissários, 10 estações elevatória de esgotos, 9 km de redes coletoras, 100 ligações domiciliares. O sistema permitirá que 300 mil pessoas sejam beneficiadas em Taubaté e em Tremembé, quando estiver pronto em 2010. Fonte: http://www.taubate.com.br/


SALVANDO O RIO PARAÍBA DO SUL
José Carlos Júnior - Boa Notícia
O início do projeto de implantação do sistema de tratamento de esgoto Taubaté-Tremembé deverá coincidir com obras similares em outras seis cidades do Vale do Paraíba. O investimento em Taubaté será de R$ 84 milhões.

O secretário Executivo do Comitê de Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul (CBH-PS), Edilson de Paula Andrade, disse que apenas as duas cidades lançam uma média diária de 18 toneladas de esgoto no rio.
Alguns pontos de lançamento de esgoto doméstico ficarão fora do empreendimento devido à inviabilidade técnica para se captar os resíduos. Regiões como a zona rural de Taubaté e de Tremembé precisarão de projetos específicos no futuro.

A estação de tratamento de esgotos que está sendo implantada em Taubaté terá o mesmo processo de tratamento da ETE Lavapés, localizada em São José dos Campos.
A iniciativa, uma das principais da ANA, conta com recursos na ordem de R$ 40,1 milhões para construção e ampliação da capacidade de tratamento de estações de tratamento de esgotos. As três estações beneficiarão cerca de 1 milhão de brasileiros e contribuirão com a redução diária de 46,4 toneladas de 100 milhões.
Pacote de obras na região reduzirá carga de esgoto lançado no rio Paraíba do Sul

Um pacote de obras, em oito cidades da região, lançado pela Sabesp irá reduzir o lançamento de esgoto no rio Paraíba. O total de investimento na região ultrapassa R$ 170 milhões.
Para o Comitê de Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul (CBH-PS) o resultado do investimento poderá ser observado nos próximos quatro anos.

"Em quatro anos a perspectiva é muito boa com a melhoria do nível de oxigênio (no rio). Hoje a carga de esgoto medida (de acordo com padrões técnicos) é de 28% a 30%", disse o secretário Executivo do Comitê, Edilson de Paula Andrade. Além do sistema Taubaté-Tremembé, em São José dos Campos a construção de coletores e uma estação elevatória a um custo de R$ 45 milhões vai elevar o tratamento de esgoto na cidade de 45% para 82%.

Em Campos do Jordão serão implantados coletores para que o esgoto seja afastado de alguns pontos do rio que corta o trecho mais urbanizado da cidade. As obras custarão R$ 13 milhões.
Em Pinda e São Luiz do Paraitinga as obras das estações de tratamento serão concluídas este mês. Em Guararema, a Sabesp está construindo duas ETEs e coletores a um custo de R$ 18 milhões. Em Cachoeira Paulista a ETE vai custar R$ 10 milhões. O projeto está pronto e as obras deverão ser iniciadas após a conclusão do processo de licitação.

HIDROGÊNIO EXTRAÍDO DO ESGOTO DÁ PRÊMIO A BRASILEIROS

Carro funciona a hidrogênio como combustível Hidrogênio biológico

1/10/2008 - Thiago Romero
Agência FAPESP – Um projeto de pesquisa que integra a geração de energia e o controle da poluição ambiental rendeu, a docentes e estudantes da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP), a primeira colocação na quinta edição do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, na categoria Integração.

O trabalho, apoiado pela FAPESP por meio de um Auxílio Regular a Pesquisa, foi conduzido por pesquisadores do Laboratório de Processos Biológicos da EESC, em parceria com colegas da Universidade da República (Udelar), no Uruguai.
O estudo propõe a produção de hidrogênio como fonte de energia renovável, em alternativa aos combustíveis fósseis, a partir do tratamento de águas residuárias.

Um dos coordenadores, Marcelo Zaiat, professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC, explica que a produção biológica de hidrogênio pode ocorrer por duas vias: fotossíntese e processo fermentativo.
“A produção fermentativa foi o tema abordado na pesquisa, que objetivou o desenvolvimento de biorreatores anaeróbios e o estudo das melhores condições para produção de hidrogênio. A fermentação é tecnicamente mais simples e, nesse caso, o hidrogênio pode ser obtido a partir da matéria orgânica presente em águas residuárias”, disse Zaiat à Agência FAPESP.

Segundo ele, o processo anaeróbio de conversão de matéria orgânica divide-se basicamente em duas fases: acidogênica e metanogênica. O hidrogênio é obtido na primeira fase (acidogênica), a qual é mediada por organismos que consomem a matéria orgânica das águas residuárias e produzem ácidos orgânicos, álcoois e hidrogênio.
“O desafio nessa fase está no desenvolvimento de reatores biológicos mais adequados para essa conversão, permitindo a maximização da produção de hidrogênio. O uso de biorreatores acidogênicos conjugados com os metanogênicos possibilita o tratamento de água residuária, assim como a produção de hidrogênio como fonte de energia”, apontou.


PESQUISAS DO H2
Nesse contexto de associação entre a produção de hidrogênio com baixo custo e o controle da poluição ambiental, Zaiat aponta que os trabalhos de pesquisa na área começaram a ser desenvolvidos na década de 1990 e que, até hoje, mais de 200 estudos sobre bioprodução de hidrogênio já foram publicados no mundo.
Os grupos de pesquisa premiados da USP e da Udelar têm desenvolvido reatores biológicos inovadores, com a busca de parâmetros de engenharia para maximizar a produção de hidrogênio.
“Muitos problemas de engenharia ainda devem ser resolvidos antes de essa tecnologia poder ser aplicada em escala industrial, mas os dois grupos têm trabalhado com águas residuárias de várias origens, buscando aplicações em vários setores produtivos ligados à América Latina”, apontou o professor da USP.


Águas residuárias são águas utilizadas em algum processo, seja industrial ou residencial, e que são devolvidas ao ambiente. Um exemplo são os esgotos domésticos que, lançados nos rios sem o devido tratamento, podem causar impactos negativos ao meio ambiente.
“O nosso projeto propõe que, acoplado à estação de tratamento do esgoto doméstico, possa estar um reator acidogênico para produção do hidrogênio, um combustível limpo que gera, nas células, a água como único produto”, disse Zaiat. Entre as formas de obtenção de hidrogênio estão a queima de combustível fóssil, eletrólise e a produção biológica.

“A produção biológica é a mais atrativa por envolver tecnologias de baixo custo quando comparada a outras técnicas, além de requerer menos energia para geração. Esse tipo de produção pode contribuir para a redução de custos na geração de hidrogênio principalmente se a matéria-prima, os compostos orgânicos, for obtida de águas residuárias geradas por indústrias ou esgoto de domicílios”, afirmou.
Segundo o pesquisador, além de ser um combustível limpo, outra vantagem é que o hidrogênio é quase três vezes mais energético do que os hidrocarbonetos. “Essa conta é feita pela termodinâmica. O calor de combustão do hidrogênio é de 122 quilojoules por grama (kJ/g), cerca de 2,75 vezes maior do que o dos hidrocarbonetos”, calculou.

Prêmio Mercosul
Os trabalhos vencedores do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia 2008, promovido pela Reunião de Ciência e Tecnologia do Mercosul (Recyt), foram anunciados na semana passada, conforme noticiou a Agência FAPESP.
O prêmio selecionou os melhores estudos sobre o tema “Biocombustível”, elaborados por estudantes e pesquisadores da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

O objetivo foi homenagear trabalhos que representam potencial contribuição para o desenvolvimento científico e tecnológico dos países-membros do bloco econômico, contribuindo para o processo de integração regional.
A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 20 de outubro, em Brasília, quando serão entregues troféu e US$ 10 mil aos autores do trabalho vencedor, intitulado Producción de biohidrógeno a partir de aguas residuales para ser utilizado como fuente alternativa de energia.
Para Marcelo Zaiat, desenvolver pesquisas em conjunto com pesquisadores do Uruguai, visando ao avanço do conhecimento na área dos biocombustíveis, foi determinante para os resultados alcançados.

“O entrosamento entre os dois grupos nesse projeto foi excepcional. Os pesquisadores decidiram desde o início que trabalhariam juntos e, enquanto a USP desenvolvia um tipo de biorreator no qual somos especialistas – o biorreator de leito fixo com microrganismos aderidos em material suporte – o grupo da Udelar desenvolveu outro tipo, o biorreator de mistura com microrganismos em suspensão, com o qual vem trabalhando há vários anos”, explicou.
“Hoje podemos comparar os desempenhos e direcionar as pesquisas para caminhos mais seguros”, afirmou. O grupo do Uruguai, segundo ele, trabalha com processos anaeróbios desde a década de 1980. “Nosso grupo também desenvolve pesquisas na área desde a década de 1970 e a troca de experiências entre os dois grupos tem resultado em avanços significativos.”

No Brasil, participaram ainda do projeto premiado os professores Eugenio Foresti e Maria Bernadete Varesche, ambos da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, e, no Uruguai, as professoras Claudia Etchebehere, Liliana Borzacconi e Elena Castelló, da Udelar, além de vários alunos de mestrado e doutorado das duas instituições. Fonte: Agência Fapesp

CAVAS DE AREIA - UM SÉRIO PROBLEMA NO VALE DO RIO PARAÍBA DO SUL


A UNIVAP - Universidade do Vale do Paraíba, com o objetivo de divulgar e discutir a questão da degradação ambiental pelo processo da extração de areia, está organizando o evento "Cavas de Areia - Problemas e Soluções" que ocorrerá nos dias 06, 07, 08, 09 e 10 de Outubro de 2008.


O evento propõe a realização de atividades como palestras, mesas-redondas, debates e minicursos que ocorrerão nas dependências do Campus Urbanova-UNIVAP. Com isso pretende-se oferecer aos acadêmicos, sociedade civil e ao setor produtivo, a oportunidade de conhecer melhor e debater esta questão visando soluções para a melhoria na qualidade de vida da nossa região.

PROJETO CONHECER PARA CONSERVAR

Após quase meio século de exploração de recursos minerais, não se conhece, em Jacareí e quiçá no Vale do Paraíba-SP, nenhuma experiência comprovada de sucesso de recuperação e preservação de ecossistemas aquáticos artificiais e terrestres em áreas degradadas pela extração de areia em sintonia com a legislação ambiental federal e estadual.

Os “projetos” apresentados até hoje, e os TAC – termos de ajustes de conduta - parecem limitar-se aos ecossistemas terrestres – áreas reflorestadas ao redor dos ecossistemas aquáticos artificiais, suas compensações e construção de taludes.

O projeto Univap sobre os ecossistemas aquáticos artificiais e terrestres em áreas degradadas pela extração de areia busca um novo enfoque para o problema: realizar pesquisa básica e tecnológica, envolvendo a comunidade acadêmica.
Conheça os objetivos do Projeto a Galeira de fotos e também toda a Programação da Semana
Fonte: Prof. Lázaro Tadeu Ferreira da Silva ("O Zé do Paraíba")

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REVISTA DO MEIO AMBIENTE
EDIÇÃO Nº. 18 - Setembro de 2008


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GARANTINDO ENERGIA PARA O FUTURO

Energia hidroelétrica produzida na Bi-nacional Itaipú
7º Leilão de Energia Nova - Análise Pós-leilão

01/out/08 - Acende Brasil

No dia 30 de setembro de 2008 foi realizado o 7º leilão de geração para entrega de energia a partir de 2013 (Leilão A-5). O leilão contou com a participação de 51 usinas ofertando 8.535 MW médios e resultou na negociação de 3.125 MWmédios provenientes de 24 empreendimentos.
A exemplo dos últimos leilões de geração, o atendimento da demanda projetada se deu predominantemente a partir da energia de empreendimentos térmicos, com destaque para o óleo combustível, que respondeu por 64% do volume total contratado, para o gás natural liquefeito (GNL), com 22%, e para o carvão mineral importado, com outros 9%.
Energia Térmica

A elevada participação térmica se deveu em grande parte à falta de projetos hidrelétricos com licença prévia, requisito indispensável para que elas sejam ofertadas no leilão. Este é o caso das usinas Cambuci e Barra do Pomba que, embora inicialmente consideradas para a oferta, não obtiveram a licença a tempo de serem inscritas no certame.
É importante notar ainda que mesmo projetos já licenciados ficaram sujeitos à incerteza jurídica que ameaçou a participação dos mesmos no leilão, como no caso das usinas hidrelétrica de Baixo Iguaçu e termelétricas MC2 Gravataí e MC2 Osório, cujas licenças ambientais foram alvo de liminares às vésperas do leilão.

Com relação ao preço, a energia hidrelétrica foi negociada a R$99/MWh, valor inferior aos obtidos nos demais leilões de energia nova (figura 2). Uma explicação para este fato pode ser a decisão do grupo vencedor (Neoenergia) de vender apenas 70% da energia assegurada da usina às distribuidoras através do leilão (Ambiente de Contratação Regulada ou ACR), o que permitirá vender os 30% restantes diretamente a grandes consumidores no mercado livre (Ambiente de Contratação Livre ou ACL), provavelmente a preços mais elevados. Esta análise exclui os preços ofertados nos leilões específicos para as usinas hidrelétricas do Rio Madeira.

Energia Térmica

A energia térmica foi negociada a um preço médio de R$145/MWh, valor significativamente superior aos resultados obtidos nos últimos leilões de energia nova. Explicações do mercado para este fato são a elevação do custo de capital e do combustível e os sinais de encarecimento do crédito em decorrência da atual crise financeira global.



É importante ressaltar que, pelas regras do setor, o preço de venda da energia hidrelétrica aos compradores é exatamente o definido nos resultados do leilão, ao passo que, para as termelétricas, o preço definido (ICB - Índice de Custo Benefício) nada mais é que um preço médio esperado caso as usinas venham a ser acionadas conforme as premissas de operação utilizadas na modelagem do leilão. Ou seja, o eventual acionamento das termelétricas por decisão do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) contrariando a ordem de mérito econômica do ONS (Operador Nacional do Sistema), como ocorrido no primeiro semestre de 2008, necessariamente implicará preços maiores para a energia que serão repassados aos consumidores e demais agentes do setor.

O Instituto Acende Brasil acompanha os leilões regulados de energia elétrica no formato de Análises Pré e Pós-leilões. As análises estão disponíveis em http://www.acendebrasil.com.br/ > Observatório > Leilões .