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15 de setembro de 2009

REDE CLIMA MONITORA OS EFEITOS DO AQUECIMENTO NO LITORAL BRASILEIRO

população de Ilhéus (BA) procura proteger suas propriedades do avanço do mar
17. Nível do mar monitorado

Cientistas criam rede para acompanhar efeitos do aquecimento no litoral do país

Carlos Albuquerque escreve para "O Globo" - 15/09/2009

Com um litoral de mais de sete mil quilômetros de extensão, é líquido e certo que o Brasil seja, em algum momento, afetado pela elevação do nível do mar, uma das consequências mais comentadas do aquecimento global.

Para avaliar a extensão do problema e o que tem sido feito até agora para combatê-lo, cientistas de todo o país estão reunidos, desde ontem e até amanhã, na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), no primeiro Workshop Brasileiro de Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras. Um dos objetivos do encontro é criar uma série de dados sobre esse fenômeno em todo o litoral.

As mais recentes projeções, decorrentes do degelo na Groenlândia e na Antártica, causado pelo aquecimento global, indicam uma elevação média em torno de um metro até 2100, quase o dobro do que fora previsto anteriormente pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Com isso, países insulares como as Maldivas, no Oceano Índico, e Tuvalu, no Pacífico Sul, poderão simplesmente desaparecer do mapa.

- Na maior parte dos locais aqui no Brasil, já tem sido verificada uma tendência de aumento do nível do mar. Em geral, são valores pequenos, mas cumulativos. Ou seja, os efeitos já estão ocorrendo - diz Carlos Garcia, diretor do Instituto de Oceanografia da Universidade Federaldo Rio Grande (FURG) e coordenador do evento.

- O que precisamos, agora, é avaliar o estágio do nosso conhecimento sobre o tema para depois encaminharmos propostas às autoridades. E, para isso, é fundamental termos séries longas de dados, entre outras coisas. Temos que agir rapidamente para evitar danos maiores no futuro.

O evento faz parte das ações coordenadas pela Rede Clima, que reúne pesquisadores de diversas áreas para analisar os impactos do aquecimento global em todo o país. A rede foi criada há dois anos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O estudo do impacto no litoral é um dos ramos da Rede Clima, já batizado de sub-rede Zonas Costeiras.

- Como esse é um tema complexo, que engloba diversas áreas de estudo, temos oceanógrafos, biólogos, geólogos, meteorologistas, gestores ambientais e até economistas reunidos no evento - conta Garcia. - Cada um está apresentando sua visão do problema e como ele vai nos afetar.

Impacto ainda é pouco estudado

Segundo os pesquisadores, apesar da existência de estudos isolados, faltam dados sólidos sobre o que o aquecimento global já está fazendo no litoral, região que concentra grande parte da população e das atividades econômicas no Brasil.

- Sabemos dos efeitos nos manguezais e em algumas cidades cada vez mais afetadas pela elevação e o avanço dos oceanos, mas não temos um trabalho conjunto sobre isso - revela Margareth Copertino, bióloga e pesquisadora da FURG. - A rede Zonas Costeiras vai funcionar como uma espécie de guarda-chuvas, englobando todos os projetos e estudos sobre a elevação do nível do mar.

A pesquisadora chama a atenção para o fato de o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, fazer pouca menção a esse tema.

- As zonas costeiras são citadas poucas vezes em um documento de mais de duzentas páginas. É mais uma razão para chamarmos a atenção para esse assunto. Afinal, as mudanças climáticas não vão afetar apenas a Amazônia.

Os resultados do encontro e as propostas encaminhadas às autoridades serão divulgadas no site da sub-rede Zonas Costeiras: http://www.mudancasclimaticas.zonascosteiras.com.br/

(O Globo, 15/9)

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