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14 de maio de 2009

MOVIMENTO AMAZÔNIA PARA SEMPRE REALIZA VIGÍLIA NO SENADO FEDERAL

Os atores Christiane Torloni e Victor Fasano mostram o abaixo-assinado com mais de um milhão de assinaturas pedindo a preservação da Amazônia, nesta quarta-feira (13) (Foto: Jonas Pereira/ Agência Senado)

Vigília no Senado reúne políticos, artistas e ambientalistas contra o desmatamento


Políticos de diversos partidos, artistas e ambientalistas participam nesta quarta-feira (13) de uma vigília no Senado Federal contra o desmatamento na Amazônia. A ação é resultado da mobilização do movimento Amazônia para Sempre, que conta com mais de 1,2 milhão de assinaturas contra o desmatamento, e foi organizado por três comissões do Senado. O plenário da Casa está completamente lotado, assim como as galerias, abertas ao público.

A atriz Christiane Torloni é uma das lideranças do movimento. Para ela, a vigília deve servir como um marco na preservação da floresta. “Este é um momento histórico, inesquecível para o Brasil. Hoje falta vontade política porque as leis estão aí.”

Ela defendeu que o governo destine mais recursos para ações voltadas ao meio ambiente. “O Brasil não quer pagar menos tributos. Nós queremos é que o dinheiro não vá para a cueca de ninguém, mas vá para o reflorestamento, para a energia eólica e outros projetos.”

O movimento entregou aos presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), uma cópia impressa em papel reciclado das 1,2 milhão de assinaturas coletadas por meio da internet. “Estamos prestando um serviço à nação representando todos os que estão defendendo esta causa”, destacou o ator Victor Fasano.

O presidente do Senado destacou a importância da preservação. “Esta é realmente uma causa nobre, extraordinariamente idealista e de grande necessidade para o nosso país. Tenhamos a consciência do que a Amazônia representa para nós e também para a humanidade”, disse Sarney.

Junto com o manifesto, o movimento entregou uma lista de nove projetos que considera prioritários e que aguardam votação no Congresso. Entre eles está a lei de resíduos sólidos, a lei de acesso a recursos genéticos, a Proposta de Emenda Constitucional do Cerrado e a reserva de recursos do Fundo de Participação dos Estados para investimentos em áreas de preservação.

Presidente da Comissão de Mudanças Climáticas, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) foi uma das organizadoras da vigília. “Estamos dando corpo aqui no Congresso a esta ação, mostrando a necessidade de dar celeridade a projetos que irão contribuir de forma efetiva à preservação da Amazônia e outros biomas.”

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que o momento para o meio ambiente é preocupante. “É um momento de apreensão para o meio ambiente e a Amazônia”. A afirmação do ministro se deve à velocidade na votação de projetos que seria contrários a causas ambientais. Ele destacou a aprovação de uma emenda na Câmara incluída dentro de uma medida provisória que flexibiliza as licenças ambientais para rodovias. O projeto ainda aguarda votação no Senado.

Enquanto o Senado realiza a vigília, a Câmara tenta votar uma medida provisória que regulariza terras na Amazônia. Ambientalistas afirmam que o texto em votação é nocivo à preservação por retirar cláusulas ambientais. “Não é mais possível a sociedade dizer que não quer o desmatamento e o Congresso ficar descolado. Enquanto fazemos a vigília, a Câmara quer tirar condições ambientais para a regularização de terras”, afirma Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace. Este projeto também segue para o Senado.

A ex-ministra do Meio Ambiente e senadora Marina Silva (PT-AC) destaca a rapidez com que projetos que flexibilizam a legislação ambiental são aprovados. “Os projetos para flexibilizar andam muito rápido enquanto os projetos favoráveis demoram décadas, como o caso da lei de resíduos sólidos.”

Mário Mantovani, da SOS Mata Atlântica, resume o espírito da vigília ao comparar a presevação da Amazônia à àrea que sua entidade defende. “Estamos aqui por solidariedade. Na Mata Atlântica a degradação já é de 93%. A floresta é vista muitas vezes como uma conquista e não se pensa na necessidade de conviver com ela. Nós conseguimos uma lei para preservar agora a Mata Atlântica, mas a Amazônia ainda não tem. Estamos aqui para que não se deixe a Amazônia virar a Mata Atlântica de amanhã.” (Fonte: Eduardo Bresciani/ G1)


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