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29 de abril de 2011

REFLEXÃO SOBRE A MORTE DO AMBIENTALISTA JORGE GRANDO NO PARANÁ


Morre mais um ambientalista… E daí? 

artigo de Julio Wandam

Publicado em abril 29, 2011 por Henrique Cortez
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Alguma coisa mudou na rotina dos negócios, dos investimentos, dos projetos de desenvolvimento? Não, óbvio que não!
Primeiro pela notícia, parece tão normal, desde Chico Mendes no Acre, passando pela Dorothy Stang no Pará, pelo Francelmo no Mato Grosso, o Zé Maria na Bahia e no atual momento, o Jorge Grando no Paraná. O que muda na vida do Brasil? Nada, pois a sociedade está muda, cega e surda porque quer.
Porque acredita que toda a grita ambientalista, só existe e é válida quando o barraco cai na sua cabeça ou sobre corpos de milhares que morrem a cada ano, vítimas dos deslizamentos em encostas de morros, em beiras de rios, em cima de lixões desativados.
Nesse momento lembram o que disse o ‘Fulano’ ambientalista ou o ‘Sicrano’ técnico do órgão ambiental sobre construírem suas casas em cima ou na encosta de um morro, mas “não lembram ou querem lembrar” que na verdade ouviram e seguiram recomendações do ‘Beltrano’ vereador ou prefeito, satisfeito com mais um curral de eleitores aberto.
Então, matar ambientalista que está impedindo de construírem em cima de banhados os loteamentos privados ou públicos, nos topos de morros, destruírem nascentes com suas obras de impacto certo e grave para as populações, é a solução para que o “Progresso ‘SEM’ Ordem” seja o novo lema na bandeira do Brasil.

Novamente o panteão nacional é manchado de sangue de inocentes que lutam por milhares de pessoas no presente e do futuro, pois sem a militância ativista de 30 anos no Brasil, já não teríamos tantas matas, tanta água doce, tanto minério, como o Nióbio (98% do metal do futuro no Brasil) e tanta vida biológica que nos coloca no topo dos gráficos, mas apontam para um buraco profundo quando nossa queda acontecer.
Queda promovida pela ignomínia vigente e pela insensatez deslavada de “gente política e ilustre do Brasil”, que se apodera do dinheiro público suado dos Brasileiros, pagos durante quatro meses de contribuição para os Governos em impostos, quando ‘supostamente’ desviam de forma vil das políticas que atendem as populações, quando mascaram os números para satisfazerem segmentos que estão destruindo o Brasil de bioma em bioma, sem ser levada a sério todo o alerta cientifico e climático, que estamos vivendo.
Mesmo com tanta desgraça ambiental matando milhares de pessoas no Brasil, nos últimos anos, me pergunto se existe possibilidade de entenderem que estamos em campo aberto contra forças e elementos naturais e do universo que poderão nos aniquilar em questão de dias, semanas apenas.
Enquanto isso, na escura ignorância e tenaz propósito dos que manipulam a verdade e os rumos do país, vemos a sociedade acéfala, calada, robotizada e alienada em frente às TVs, lendo os jornais, ouvindo o rádio e não tendo a mínima idéia do que está em jogo. Jogo?
Qual terá sido o resultado de meu time ontem? Devem se perguntar aqueles, que após a tragédia exposta em Rede Global, recebem os resultados da rodada dos times de futebol nacionais. Nesse momento lhe é passada uma borracha na sua memória instantânea capaz de não dar-lhe tempo de se indignar com a notícia, com a gravidade de hospitais sem leitos, remédios e até maternidade para nascerem os futuros brasileiros, e quando na TV se debate se R$ 30 bilhões de reais serão suficientes para modernizarem os estádios de futebol até a Copa do Mundo, não pairam dúvidas de que isto sim é uma preocupação.
E depois tem critico no Brasil falando mal da gastança do dinheiro público na terra de Sua Majestade, a Rainha da Inglaterra, que por sinal é onde o preço do Nióbio é estabelecido para o mercado e com gordos lucros para os cofres dos súditos e da realeza.
Julio Wandam é Ambientalista – Movimento Ambientalista Os Verdes de Tapes/RS
EcoDebate, 28/04/2011
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