
Governo para obra que destruía caverna com o maior lago do Brasil
O governo paralisou a pavimentação de uma estrada na Bahia que atropelou a caverna onde está o maior lago subterrâneo do Brasil. A decisão ocorreu após a Folha ter noticiado, no domingo, que a BR-135, uma obra do PAC, estava destruindo o chamado Buraco do Inferno e outras cavernas do município de São Desidério, sudoeste baiano.
Estrada atropela maior lago subterrâneo do Brasil, na Bahia
A denúncia foi feita por um espeleólogo (especialista em cavernas) e motivou uma vistoria do Instituto Chico Mendes ao local. Os técnicos do instituto presenciaram a queda de blocos de rocha do teto da caverna --um deles do tamanho de uma geladeira.
Segundo Cruz, os impactos estão ocorrendo no trecho da estrada que teve licença de instalação concedida pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) neste ano.
O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), responsável pela obra, informou ontem à Folha que a paralisação foi feita "por precaução", até uma nova visita de técnicos do Ibama ao local, programada para esta sexta-feira.
O Dnit afirmou, porém, que dados do estudo geofísico da obra "não apontaram nenhum perigo". A caverna é considerada de relevância máxima por abrigar o lago subterrâneo do Cruzeiro, de 13.860 m2. Ela integra o sistema de João Rodrigues, no carste (formação de rocha calcária com cavernas) de São Desidério. O sistema contém cerca de 30 grutas importantes.
EMPURRA-EMPURRA
A vistoria do Cecav não esclarece se o Ibama sabia da existência das cavernas no trecho licenciado. A Folha solicitou ao Ibama acesso ao estudo de impacto ambiental da obra, documento público.
A assessora de imprensa do órgão, Sandra Sato, afirmou que a pessoa que poderia autorizar o acesso estava "numa reunião no ministério". Sugeriu à reportagem que obtivesse o documento junto ao Dnit.
A assessoria do Dnit, por sua vez, afirmou não possuir nem o estudo de impacto, nem a licença de instalação do trecho, nem o levantamento geofísico que indicaria a "ausência de risco". E pediu à reportagem que procurasse o Ibama.
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