Aos 73 anos, o agricultor Hélio Moretto, planta 300 mudas às margens do
Rio Ligeirinho, em Erechin
SEMANA DA MATA CILIAR 2010:
Projeto recupera mata ciliar de rios
Coordenação é do Sutraf e atinge 45 propriedades com 10 mil mudas
José Adelar Ody
Está sendo concluído em Erechim ao longo dos rios Ligeirinho e Leãozinho, os dois principais que abastecem a bacia de captação de água da Corsan, o plantio de 10 mil mudas de árvores frutíferas e nativas silvestres.
O plantio atinge 45 propriedades a 7 km do centro da cidade. As principais espécies plantadas são mudas de pitanga, angico, cambuim, guajuriva, aroeira e guabiju, entre outras, totalizando o reflorestamento de cerca de 30 hectares da mata ciliar.
As mudas têm cerca de 80 centímetros de altura. O plantio faz parte do Projeto Preservando e Recuperando as Fontes de Vida, desenvolvido com recursos do Ministério da Justiça em parceria com a prefeitura de Erechim.
De acordo com Sílvio Lira, da equipe de Meio Ambiente do Sutraf (Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Agricultura Familiar), entidade que implanta o projeto, o mesmo também contempla um acordo feito com o Ministério Público em 2005 que prevê a recomposição da mata ciliar às margens dos dois pequenos rios. “Conseguimos reduzir de 30 para 15 metros em cada margem a cobertura com as mudas”, disse Lira.
A prefeitura cedeu metade das mudas e a outra foi adquirida pelo sindicato e distribuída aos agricultores. Os agricultores estão recebendo também insumos como calcário, adubo orgânico e fosfato natural.
Segundo o coordenador do projeto, Sidinei Antonio Grzybowski, o objetivo do projeto é a recuperação efetiva do local e a manutenção da água. Um dos agricultores beneficiados é Hélio Moretto, que tem uma propriedade de 25 hectares e planta soja, milho e cria vacas de leite.
Com 73 anos, Moretto, que mora no local desde que nasceu disse que a preocupação com a água vem de quando ainda era pequeno, pois sempre ouviu a mãe dizer que era um bem que precisava ser preservado. Somente na sua propriedade estão sendo plantadas 300 mudas.
Para Moretto se todos tivessem a consciência de preservar, tudo seria melhor. Ele conta que nos rios próximos à sua casa os peixes diminuíram em 80%. “Os rios estão muito sujos”, explica. Ele conta que apesar disso hoje tem mais água do que antigamente, mas o lixo que vem pelo rio Ligeirinho também é muito maior.
Também foi realizado um cadastramento socioambiental em 45 propriedades localizadas próximo à bacia da Corsan com mapeamento dos limites das propriedades. O Sutraf teve apoio do departamento de Geoprocessamento da URI Campus de Erechim.
Os dados serão utilizados para determinar o impacto em cada propriedade, no caso da aplicação do novo Código Florestal. “Os dados e a pesquisa poderão servir de base para pagamentos de serviços ambientais no futuro”, destacou o coordenador do Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sutraf), Ari Pertuzatti.
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