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27 de outubro de 2009

PROJETO MAR-ECO ATLÂNTICO SUL TERÁ QUATRO PESQUISADORES BRASILEIROS


Brasileiros participam de censo da vida marinha

Equipe designada para o Atlântico Sul tem estrutura inferior à do Norte

Evandro Fadel - 25/10/2009
Jornal O Estado

Quatro pesquisadores brasileiros fazem parte da equipe que inicia, entre hoje e amanhã, o trabalho de campo na primeira viagem de estudos sobre a diversidade, distribuição e população de organismos em áreas profundas do Atlântico Sul. O trabalho vai se estender em uma faixa das montanhas meso-oceânicas, que têm bases entre 2 mil e 4 mil metros de profundidade. Os pesquisadores saem de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, e, até o dia 2 de dezembro, quando o trabalho termina na Cidade do Cabo (África do Sul), pretendem fotografar e catalogar o máximo possível de espécies.

"É a área com bem menos estudos de campo", disse o coordenador da equipe do projeto Mar-Eco Atlântico Sul, José Angel Perez, do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina. "É um oceano novo. Geologicamente foi o último a surgir na separação dos continentes." Por isso, ele espera encontrar variações de espécies em relação às catalogadas no oceano profundo do Atlântico Norte - entre a Islândia e o Arquipélago dos Açores - onde o trabalho está praticamente encerrado.

O Mar-Eco é um dos 17 projetos do programa mundial do Censo da Vida Marinha, que envolve cientistas de mais de 80 países. Iniciado em 2000, deve ter os trabalhos de campo encerrados em 2010. É financiado pela Fundação Alfred P. Sloan e conta com outras entidades científicas governamentais.

Perez lamentou que os recursos para o projeto não sejam expressivos e por não ter conseguido ajuda no governo. Por isso, não pode usar equipamentos sofisticados, como submarinos teleguiados e robôs subaquáticos. "Espero que os resultados que conseguirmos neste projeto piloto chamem mais financiadores."

Nos cerca de 4,3 mil quilômetros que percorrerá a embarcação russa Akademik Yoffe, na qual a equipe dos brasileiros vai viajar, foram mapeadas dez estações de coleta ao longo da cordilheira, em profundidades que chegam a 3 mil metros. Segundo Perez, em cada uma será feita prospecção com draga de fundo para capturar organismos invertebrados bentônicos, além de amostras de sedimentos.

Também haverá o lançamento de uma rede com o objetivo de capturar organismos pequenos que vivem em águas livres a grandes profundidades. Por fim, serão lançadas redes para trazer à superfície organismos do zooplâncton associados às águas profundas.

"Infelizmente, não temos tecnologia para realizar imagens no ambiente, por isso vamos fazê-lo na medida em que trouxermos à superfície", disse Perez. No Atlântico Norte, que contou com mais dinheiro e infraestrutura, foi possível utilizar robôs para esse trabalho.

Segundo os organizadores do site do Censo da Vida Marinha, os cientistas estimam que foram descritas cerca de 230 mil espécies de animais marinhos. Desde que o censo começou, em 2000, foram acrescidas pelo menos 5,6 mil espécies. A expectativa é que o trabalho amplie esse conhecimento, principalmente se levar em conta que biólogos descrevem cerca de 1,5 milhão de plantas e animais terrestres. Os mares cobrem 70% da Terra e a plataforma marinha não passa de 10%. "O que se consegue olhar é muito pouco", disse Perez.

A opção pelas montanhas meso-oceânicas não é à toa. "Além de exercer forte influência nos padrões de circulação e na distribuição da vida marinha, essa cadeia de montanhas submersas constitui uma das feições mais proeminentes e menos conhecidas do fundo oceânico", disse.

A pesquisa também pode dar nova diretriz à exploração da pesca. "Há montanhas submarinas que são pesqueiros importantes, por isso é preciso conhecê-las para saber até onde pode ir essa indústria."

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