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9 de abril de 2009

Esgoto ameaça represa de Guarapiranga, que abastece 20% da Grande SP


OS RIOS DE SÃO PAULO - TV GLOBO

800 mil pessoas vivem em seu entorno; apenas metade tem saneamento. Projeto da prefeitura prevê o atendimento de 60 mil famílias até 2011.

Entre os mananciais que fornecem água para a região metropolitana de São Paulo, a represa de Guarapiranga é o mais ameaçado. Ela abastece 4 milhões de pessoas, um quinto da Grande São Paulo. Entretanto, 800 mil pessoas vivem em seu entorno e apenas metade conta com algum sistema de coleta de esgotos.

“Cheguei a ver essa nascente limpinha, brotava bastante água por aqui. Você vê ali a água brotando do chão e quando era limpo aqui que era bem organizado. Não tinha essas canalização de esgoto, a gente colocava as mangueiras, colocava as bombas de água e jogava água pra abastecer as casas”, explica Jairo Batista da Silva, técnico de leitura.

Ns comunidade do Bananal, no entorno da represa, a infraestrutura passa longe. As encostas equilibram as casas e mostram que o peso de tanta gente às vezes é demais. Em um dos bairros, a situação é bastante complicada. Os moradores contam que casas desabaram no local durante um temporal em janeiro. Os escombros foram para dentro do córrego e pioraram o assoreamento.

O mesmo problema ocorre com quem vive bem perto da água. Descer 110 degraus é o único acesso para uma comunidade bastante isolada, com 26 famílias, às margens de um brejo, que já foi um pedaço da represa – hoje, tomada pelo esgoto.

Os dejetos são o grande problema. No Jardim Capela, uma comunidade vive à beira de um córrego que deságua na represa. E é nele que os moradores jogam o esgoto, porque as casas não têm saneamento básico. Entretanto, quando chove e o córrego enche, a água do esgoto se mistura com a potável, que vai para a torneira das casas.

“A qualidade da água da Guarapiranga está bastante ameaçada hoje, pela poluição e por toda a sorte de atividades que acontecem no entorno da represa. O impacto disso pode ser visível em alguns braços da represa onde a poluição é bastante intensa”, explicou Marússia Whately, diretora do Instituto Sócio-Ambiental.

Lixo na represa

Além dos esgotos, o lixo industrializado também ameaça a represa. Sofás velhos, televisões, máquina de fotocópias, toca discos e até uma carcaça de um carro já foram retiradas da Guarapiranga. Mesmo com todo o tempo que as garrafas, brinquedos e outras coisas demoram para deixar de ser poluição na represa, ela ainda consegue abastecer tantas pessoas.

“A Guarapiranga abastece 20% da região metropolitana. São 14 metros cúbicos por segundo que são distribuídos para população da região sul e sudeste de São Paulo, de Embu, Taboão da Serra e Cotia”, explicou Hélio Luiz Castro, superintendente da unidade de produção de água da Sabesp.

Áreas verdes

O grande espelho d’água ainda tem margens verdes. É possível ver um abrigo para pássaros, e esportistas da vela usam suas águas para praticar.

Essa beleza é mantida graças a quem consegue manter as árvores intocadas. No projeto Caoby, as pessoas da comunidade plantam legumes, verduras e frutas para o próprio sustento e para vender para os vizinhos. O projeto é mantido por uma ONG, pois a área é invadida. É uma forma de preservar uma área verde de 300 mil metros quadrados à beira da represa Guarapiranga. O projeto ainda é um filhote, tem só um ano e apenas dez pessoas participantes.

Secretaria

Segundo o Secretário Municipal de Habitação, Elton Santa Fé Zacarias, há um programa para a retirada dessas famílias que vivem nas áreas de mananciais – 5 mil unidades da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) serão disponibilizadas, e a secretaria também vai realizar 2 mil reassentamentos.

“É importante fazer uma urbanização com saneamento nas bacias de contribuição para a represa, diminuindo a poluição nesses córregos”, explicou o secretário.

Segundo ele, 60 mil pessoas devem ser atendidas pelo programa até 2001. O secretário também afirmou que a prefeitura tem uma equipe de 300 guardas-civis ambientais que trabalham para impedir novas invasões. “A Guarapiranga também tem afluentes em outros municípios, como Embu e Itapecerica da Serra, que também precisam participar”, afirmou. Fonte: Site Tratamento de Água


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