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9 de abril de 2010

NOSSOS GOVERNANTES: IRRESPONSÁVEIS, INCOMPETENTES, DESINFORMADOS, INCONSEQUENTES, DESINTERESSADOS NA SEGURANÇA E QUALIDADE DE VIDA DA POPULAÇÃO?

Deslizamento no Morro do Beltrão, em Niterói (Foto: Carolina Lauriano/G1)

Enchentes no Rio de Janeiro – Fatos X Discursos Vazios

O Rio de Janeiro continua sem um plano diretor de macro-drenagem.

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Luiz Prado - Atualidades - www.luizprado.com.br

Quando se ouve o governo, em todos os níveis, pedir à população que abandone as áreas de encostas, a primeira vontade que se tem é mesmo vaiar, jogar ovos e tomates podres na cara deles. O Brasil está se acostumando a isso: autoridades que, tomadas pelo poder, não se responsabilizam por nada exceto os slogans: “minha chuva, minha vida” poderia ser um deles.

Fingem não saber ou não sabem mesmo que as pessoas moram em “áreas de risco” por falta de opção – já que o país não tem qualquer programa habitacional significativo há décadas, e o atual slogan é fundamentalmente um programa de financiamento, sem que sejam definidas áreas ou planejadas as necessárias estruturas urbanas de transportes rápidos e seguros, saneamento e similares.

Na maioria dos casos, as áreas de riscos poderiam não representar quaisquer riscos se as necessárias obras de contenção geológica fossem feitas. E aí, como está na moda, lá vem os evangélicos ambientalistas dizer que tudo aconteceu porque eles não foram ouvidos, ou porque a lei otária não foi respeitada. Não se trata, definitivamente, de uma questão de leis, mas de falta de políticas públicas e do uso do estado da arte na engenharia e no planejamento urbano.

Rios são contidos com a análise séries históricas de chuvas máximas, barragens que combinem os múltiplos usos das águas - incluindo a regularização de vazões - e muros de arrimo / contenção - todas coisas que já foram feitas, poor exemplo, na Alemanha, no século XIX. Da mesma forma, a estabilidade dos morros é estudada por geólogos - ou, no passado, pela observação - e não por leis e mitos.

Se assim não fosse, Salzburg não existiria ou já teria sido punida pela “vingança da natureza” e outras bobagens do gênero.

De fato, a opção de Salzbruck foi a ocupação das margens dos rio e dos topos de morro (estes, pelas mesmas razões que a Corte portuguesa os reservava para a construção de fortalezas, castelos e igrejas), como se vê abaixo.

Salzburg - Austria

Já no caso de Passa Três, distrito de Rio Claro, no Rio de Janeiro, a ocupação de alto risco é mais do que evidente. Mas ela se dá por falta de opção numa região em que as autoridades não buscaram alternativas para os pequenos produtores e trabalhadores rurais.

Passa Tres, Distrito de  Rio Claro, Rio de Janeiro

3760b


Não será por falta de terras para fazer lotetamentos populares que essas pessoas investiram o seu pouco dinheiro nessas casas, mas sim por falta de loteamentos para a baixa renda. E o esgotos seguem direto para o ribeirão. Mas quem se importa com isso? Lá, o IBAMA e as ONGs que jantam nos restaurantes de luxo e jogam no tapetão ou na mídia das grandes cidades não vão. Até porque não têm uma agenda positiva para o problema da urbanização em geral. Com o já antigo teatro de guerrilha, sonegam das cidades as informações relevantes: os rios e o ar ambiente estão a cada dia mais poluídos.

Pois bem, as cidades foram, por lei, obrigadas a elaborar planos diretores que renderam um bom dinheiro a empresas de consultoria. Depois, esses planos foram e continuam sendo mudados ao sabor das conveniências da indústria imobiliária, que privatiza os lucros e socializa os custos, já que só depois, muito mais tarde, é que alguém vai pensar em coisas elementares como drenagem de águas pluviais e esgotos, tratamento de esgotos, disponibilidade de transporte público e de escolas, e outros "detalhes".

É bem fácil conclamar as pessoas que vivem em "encostas" no Rio de Janeiro a sairem de lá. A mesma usual falação, o mesmo desgastado discurso balofo. Dá um pouco mais de trabalho programar obras de contenção adequadas - como as que abundam em áreas mais "nobres" como a lagoa Rodrigo de Freitas.

***

O Rio de Janeiro continua sem um plano diretor de macro-drenagem. Quando falei isso na coluna de meio ambiente que faço com Ricardo Boechat e Rodolfo Schneider na Band News Rio FM, a assessoria de comunicações da prefeitura apressou-se a dizer que o plano havia sido recentemente contratado. Mas nada sobre quando serão disponibilizados os primeiros relatórios para o "distinto público".

Fonte: Luiz Prado - JORNAL DO MEIO AMBIENTE - VILMAR BERNA

SAIBA MAIS:

'Não tinha conhecimento desse risco todo', diz prefeito de Niterói

Veja imagem em 360º do Morro do Bumba, local de deslizamento em Niterói

Fonte: G1 - Globo.com

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