SINFÔNICA DO BREJO
Os sapos não são feios, nós é que não temos os olhos de rãs para apreciá-los
Jurandir Schmidt - Folha do Meio Ambiente
21 de Novembro de 2008
Das lembranças pueris, recordo que era comum ver crianças segurando entre as mãos algum recipiente de plástico ou vidro, contendo alguns girinos (Larva dos sapos com aspecto de peixe). Levá-los para a escola pensando serem peixinhos era um engano saudável e instrutivo. Hoje em dia, a maioria das crianças nem sabe o que são girinos e se o sabem, ainda não o viram pessoalmente. Aquilo que era comum no passado está protegido no presente até por lei devido a devastação ecológica.
Alguém já disse que na verdade, os sapos não são feios, nós é que não temos os olhos de rãs para apreciá-los. Eles são amigos dos homens, controlam a população de insetos e de outros invertebrados que causam prejuízos e transmitem doenças.
Quando minha residência ainda não era ladeada pelo progresso do bairro, sempre havia sapos no quintal, vindos da rua ou de outro lugar qualquer. Faziam uma faxina no local e as verduras não eram atacadas por insetos tão facilmente. Agora, para vê-los e ouvi-los, tenho que me deslocar mais distantemente, sondando matas e terrenos baldios.
Monótono ou vibrante, com timbre do bater de uma bigorna ou parecido com miado, mugido ou gargalhada, a sonoridade surge das águas temporárias acumuladas da chuva e se manifesta por todos os lugares.
Mesmo sabendo que o objetivo do coaxar é uma atração para o acasalamento e que somente os machos coaxam e que as fêmeas são mudas, o repertório desperta atenção. Em muitas ocasiões, tais partituras são divulgadas e sonorizadas em gravações populares, bem como os seus protagonistas, mencionados em lendas e servindo de parâmetro para diversas comparações.
É gostoso ouvir o coaxar que vem lá do brejo ou da mata, numa porção de água estagnada sem rumo algum. É gratificante ouvir o coaxar que vem da beleza sonora da importância da vida naqueles lugares incomuns.
Quando coaxam juntos formam uma verdadeira orquestra, cuja intensidade musical chega a surpreender e envolver sentimentalmente.
SAPOS SÃO NOSSOS AMIGOS!
Saudações.Ou preservamos as aguas do planeta ou morremos com elas.Nós mesmos somos constituidos por uma grande parte de águas! O ponto focal da preservação ou consciência de que fazemos parte destes ecosistemas e não sobreviveremos a eles. E não podemos ir para outro lugar.É que a ação mais simples do individuo em não poluir ou "sujar' as águas que bebemos e da qual tiramos uma grande parte dos alimentos, possa refletir nas ações da grande massa humana.Poderia dar certo: Daqui a centenas ou milhares de anos.
ResponderExcluir